Braga Cultura

Plataforma alerta para “lacunas graves” no caderno de encargos da Confiança

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A Plataforma Salvar a Fábrica Confiança endereçou a Stefano Dominioni, director do Instituto de Itinerários Culturais do Conselho da Europa, um pedido de acompanhamento do processo da Fábrica Confiança, depois de o município de Braga ter procedido à entrega da candidatura das Vias Romanas Europeias a Itinerário Cultural Europeu no recente Fórum do Conselho Europeu das Rotas Culturais, que decorreu em Görlitz, na Alemanha.

Na missiva dirigida ao responsável do Conselho da Europa é relembrado o historial de destruição de vestígios romanos desde as décadas de 60 no perímetro urbano de Braga.

“Daí que seja solicitado que pressione a autarquia de Braga no sentido de cumprir os requisitos de salvaguarda do património histórico”; refere aquela plataforma em comunicado.

Foi apresentado, a título de exemplo, o caso da Via romana XVII que unia Bracara Augusta a Asturica Augusta. Os arqueólogos – designadamente Francisco Sande Lemos – consideram que existe a forte possibilidade de parte da via XVII, na continuação das ruas de São Victor-o-Velho e do Pulo, passar pelo interior do complexo industrial da Fábrica Confiança pertencente ao Município.

“No entanto, o caderno de encargos para a venda do complexo industrial a privados apenas exige a salvaguarda de três fachadas, omitindo qualquer referência ao valor histórico e arqueológico do edifício, bem como referência à preservação do troço da Via XVII que muito provavelmente se encontra no subsolo e que deveria ser estudado e musealizado”, refere a plataforma Salvar a Confiança.

“Além disso, a venda a privados impede a realização de um projeto público de valorização da Via XVII num troço que pertence ao Município e que, ao contrário do restante traçado, não coincide com uma via pública aberta ao trânsito automóvel”, acrescentam ainda.

A Plataforma Salvar a Fábrica Confiança é uma entusiasta apoiante da candidatura das Vias Romanas Europeias a Itinerário Cultural Europeu. No entanto, “considera que a Câmara de Braga tem de ser coerente na defesa do património do concelho”.

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