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Opinião. 25 anos de EPATV por um antigo aluno

Filipe Lopes
Escrito por Filipe Lopes

A Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV), assinala neste arranque de ano letivo, 25 anos de Saber, Ética, Trabalho e Progresso.

A marca EPATV, nasceu através dos nomes dos concelhos que sonharam, quiseram e concretizaram, a existência de uma Escola Profissional, nomeadamente, Amar(es), Terra(s de Bouro) e (Vila) Verde, em que desde a sua origem teve como objetivo ser uma referência no Ensino Profissional, enriquecendo não só a oferta educativa/formativa nos concelhos que a fizeram nascer, bem como elevar o estatuto e a importância do Ensino Profissional, como percurso educativo/formativo, na região e no país.

Fazendo uma análise à cronologia dos 25 anos da EPATV, e elencando os aspetos mais importantes da sua vida, foi no dia 29 de julho do ano de 1993, que o Departamento do Ensino Secundário, as Câmaras Municipais de Vila Verde, sob a presidência de António Cerqueira, de Terras de Bouro, sob a presidência de José Araújo, e de Amares sob a presidência de José Carlos Macedo, a Associação para o Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave e o Instituto de Formação Permanente de Braga, criaram a EPATV.

Tudo começou nos fundos de um edifício, com condições laborais mínimas e com oficinas cedidas pela Câmara Municipal de Vila Verde, que com empenho, dedicação e profissionalismo, estavam dados os primeiros passos no Ensino Profissional da nossa Região.
Os autarcas dessa época aproveitaram os primeiros anos de entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia, com a entrada de apoio financeiro para a requalificação de recursos humanos em terras ameaçadas pela desertificação e fuga dos jovens talentos, sendo uma realidade preocupante nessa época nos concelhos de Amares, Terras de Bouro e de Vila Verde.
Os dois primeiros cursos que abriram nesse ano, foi um de Cozinha e Pastelaria, com equivalência ao nono ano, e outro de Mecânica Frio e Climatização, com equivalência ao 12.º ano.

No ano seguinte, em 1994, dada a adesão dos jovens a estes dois cursos, os seus dirigentes decidiram criar mais um curso, em que rapidamente os docentes passaram de 20 para 29, enquanto o pessoal não docente se mantinha nos sete postos de trabalho.

Era já evidente, para que a EPATV continuasse a crescer e com qualidade, era urgente a construção de um edifício próprio e adequado às suas necessidades, tendo aproveitado o concurso número dois do PRODEP (Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal), tendo as três Câmaras Municipais fundadoras da EPATV apresentado, a 3 de julho de 1995, a candidatura para apoio à construção de um Edifício-sede para a Escola.

O seu momento de sonho, chega no ano de 1998, em que o PRODEP apoia a construção do edifício-sede, dando assim início a todo o processo de apresentação dos projetos e obtenção de fundos para a construção das instalações da Escola Profissional Amar Terra Verde, sendo logo no ano seguinte, em 1999, lançada a primeira pedra para a sua construção.
Um ano depois do lançamento da primeira pedra, mais concretamente no dia 24 de outubro, do ano 2000, dia do concelho de Vila Verde, pelas 17 horas, a EPATV concretizava o seu sonho, ou seja, inaugurava o seu tão desejado edifício-escola, dotado de instalações capaz de suprimir as suas necessidades, com oficinas, laboratórios, salas para aulas teórico-científicas e humanísticas, aumentando assim para 72 o número de professores e ultrapassando a barreira das duas centenas de alunos, dando assim início à fase de consolidação e afirmação da Escola Profissional para os anos seguintes.

É já no ano de 2003, que abre o ano letivo no pólo da EPATV em Amares, dando assim um novo passo para a expansão da Escola, para a sua diversificação de oferta formativa, mas também para o desenvolvimento sustentado do potencial humano dos concelhos envolvidos pelo projeto EPATV, passando a ter na sua globalidade, vinte funcionários, dezasseis cursos e 113 professores.

Terras de Bouro, acolhe no ano de 2006, um pólo da EPATV, com os mesmos cursos lecionados nos outros dois pólos, e com 152 docentes para servirem 688 jovens, fecha-se assim um triangulo de sonho no ensino profissional na nossa Região.

Um dos momentos mais importantes da sua história ocorreu no ano de 2017, com a criação da Academia de Antigos Estudantes da EPATV, uma iniciativa que pretende contribuir para a realização pessoal dos jovens, proporcionando aproximação entre a escola e o mundo do trabalho.

Como antigo aluno desta escola, na minha época, havia o mito de que o ensino profissional era visto como um ensino de segunda oportunidade, um ensino para os mais carenciados, um caminho a percorrer pelos alunos do insucesso escolar.
Hoje, já não existem estes preconceitos em relação ao ensino profissional, pois esta questão já está ultrapassada, aliás, a meu ver nunca teve razão de ser, pois correspondia a um preconceito social.

Atualmente, e interpretando os dados estatísticos do observatório de empregabilidade da EPATV, os alunos que frequentam um curso nesta escola, com equivalência ao 12.º ano e qualificação de nível IV da União Europeia, estão efetivamente preparados para entrar no mercado de trabalho e, em média, 84% desses alunos, ao fim do primeiro ano, após a formação, estão empregados.

De referir também, que á cada vez mais alunos nos cursos profissionais e nota-se um aumento dos que querem continuar a estudar no Ensino Superior, pois atualmente o objetivo do ensino profissional é formar quadros intermédios para trabalhar nas empresas, contudo, existe uma percentagem significativa de alunos prosseguirem os estudos nas universidades, ou nos politécnicos, e fazem-no com muito sucesso.

Os estudantes que atualmente ingressam na EPATV, têm sucesso garantido, pois esta é uma escola que forma e informa, que passou do amor e paixão ao saber, à ética, ao trabalho e ao progresso.

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Filipe Lopes

Filipe Lopes

Deputado Municipal do PSD