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Oito julgados por violação, rapto e casamento forçado de jovem cigana de Vila Verde

Redação
Escrito por Redação

Oito arguidos, incluindo o pai da vítima, vão ser começar a ser julgados no Tribunal de Coimbra, na quinta-feira, às 11:00, pelos crimes de violação, rapto e casamento forçado de uma jovem de 19 anos, no Natal de 2017.

A jovem, que estava institucionalizada em Braga, foi obrigada a casar e a manter relações com um homem de 29 anos, que estava a cumprir pena na Prisão de Coimbra e que aproveitou a sua saída precária no natal de 2017 para consumar o casamento, com o envolvimento de vários familiares, refere a acusação do Ministério Público.

Desde que foi institucionalizada, a rapariga tinha manifestado vontade de se afastar da sua comunidade e mantinha uma relação de namoro com um rapaz, contra a vontade do seu pai.

Querendo que a filha se casasse com um indivíduo da comunidade, o pai, juntamente com outros sete arguidos, delineou um plano para retirar a jovem da instituição e obrigá-la a casar com um homem de 29 anos, que estava preso em Coimbra, conhecido por ‘Pepino’.

Nesse sentido, aproveitando a sua saída precária da prisão, bem como do homem que queria que casasse com a sua filha, o pai ordenou à filha, a 24 de dezembro, para que fosse passar o natal com a família, em Vila Verde, ficando de regressar à instituição no dia seguinte.

Contra a vontade da vítima, o pai e o noivo, em conjugação de esforços com os restantes arguidos, levaram-na para Aveiro, para nesse local ser casada, de acordo com os costumes da sua comunidade, para depois seguir para Coimbra, onde os pais do seu suposto marido viviam.

No caminho para Aveiro, a vítima, já depois de ter sido impedida de regressar à instituição, tentou enviar mensagens de telemóvel ao namorado e a uma amiga, mas foi impedida pelo pai, que a terá ameaçado.

Chegados a Aveiro, o pai retirou o telemóvel à filha, destruiu o cartão SIM e ordenou para que entrasse num quarto e conversasse com o noivo, o que ela terá recusado.

Nesse sentido, o pai e o noivo decidiram que o casamento seria consumado em Coimbra.

Ali chegados, o progenitor da vítima e outro arguido ameaçaram que a matariam se tentasse deixar o seu noivo.

Posteriormente, a jovem foi obrigada a ter relações sexuais com o arguido, entre o dia 26 de dezembro de 2017 e 6 de janeiro de 2018, altura em que ‘Pepino’ foi detido pela polícia para continuar a cumprir a sua pena de prisão.

Apesar disso, os pais do arguido continuaram a controlar a jovem e a garantir que ela agia como esposa do seu filho, tendo forçado a rapariga a elaborar um requerimento para a Prisão de Coimbra para poder visitar o seu suposto marido.

Na sequência do trabalho de investigação da Polícia Judiciária, a jovem foi transportada a 24 de janeiro de regresso à instituição de Braga, onde residia.

Os oito arguidos, onde se incluem o pai da vítima, o homem que se casou com a rapariga e os pais deste, são todos acusados pelo Ministério Público de terem cometido, em co-autoria, um crime de rapto, um crime de casamento forçado e um crime de violação.

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