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Adiado em Coimbra julgamento de grupo que forçou jovem de Vila Verde a casar

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Escrito por Redação

Os oito arguidos de etnia cigana acusados de forçar uma jovem de 19 anos a casar, entre os quais o pai e os sogros, viram hoje o seu julgamento adiado devido à greve dos guardas prisionais.

O juiz que preside ao coletivo determinou que o julgamento fosse adiado para 30 de novembro, face à ausência do pai e do homem com quem a jovem foi forçada a casar, encontrando-se os dois detidos em Vale de Sousa e em Coimbra, não tendo sido conduzidos ao Tribunal face à greve.

Outros dois arguidos também não marcaram presença na sessão desta manhã, mas sem qualquer tipo de justificação.

A jovem, que estava institucionalizada em Braga, foi obrigada a casar e a manter relações com um homem de 29 anos, que estava a cumprir pena na Prisão de Coimbra e que aproveitou a sua saída precária no natal de 2017 para consumar o casamento, com o envolvimento de vários familiares, refere a acusação do Ministério Público.

Desde que foi institucionalizada, a rapariga tinha manifestado vontade de se afastar da sua comunidade e mantinha uma relação de namoro com um rapaz, contra a vontade do seu pai.

Querendo que a filha se casasse com um indivíduo da comunidade, o pai, juntamente com outros sete arguidos, delineou um plano para retirar a jovem da instituição e obrigá-la a casar com um homem de 29 anos, que estava preso em Coimbra, conhecido por ‘Pepino’.

Nesse sentido, aproveitando a sua saída precária da prisão, bem como do homem que queria que casasse com a sua filha, o pai ordenou à vítima, em 24 de dezembro, para que fosse passar o natal com a família, em Vila Verde, ficando de regressar à instituição no dia seguinte.

Contra a vontade da vítima, o pai e o noivo, em conjugação de esforços com os restantes arguidos, levaram-na para Aveiro e, posteriormente, para Coimbra, onde residiam os pais do homem com quem iria casar.

Chegados a Coimbra, o progenitor da vítima e outro arguido ameaçaram que a matariam se tentasse deixar o seu noivo.

Posteriormente, a jovem foi obrigada a ter relações sexuais com o arguido, entre o dia 26 de dezembro de 2017 e 06 de janeiro de 2018, altura em que ‘Pepino’ foi detido pela polícia para continuar a cumprir a sua pena de prisão.

Apesar disso, os pais do arguido continuaram a controlar a jovem e a garantir que ela agia como esposa do seu filho, tendo forçado a rapariga a elaborar um requerimento para a Prisão de Coimbra para poder visitar o seu suposto marido.

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