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Vende carne ao Rui Rio e é líder da assembleia de Aboim da Nóbrega há 30 anos

Manuel Ribeiro (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Manuel Ribeiro, 64, natural de Aboim da Nóbrega, concelho de Vila Verde, é hoje um bem sucedido comerciante na cidade de Famalicão, e figura frontal dos conhecidos Talhos Famalicense.

Para além de abastecer as principais referências hoteleiras da cidade, é também um autêntico “familiar” dos clientes, que passam por “pessoas com mais de 90 anos” até à família do atual líder do PSD, Rui Rio. Mas já lá vamos.

Manuel viveu uma infância complicada no norte do concelho de Vila Verde, o que o levou a emigrar aos 14 anos para França, onde laborou sempre como condutor de máquinas industriais. Já o pai era emigrante no Brasil, diz o comerciante.

“Fui para França a 20 de janeiro de 1969”, aponta Manuel Ribeiro à conversa com o Semanário V. “Toda a vida lá trabalhei como condutor de máquinas. Comecei do zero, sem qualquer posse. Mas graças ao trabalho, regressei a Portugal em agosto de 1982 para me estabelecer”, conta.

E foi nessa fase que Manuel escolheu Famalicão. “Era um local que estava a crescer e o meu pai já tinha regressado e estabelecido um talho na cidade com sócios”, explica o comerciante, revelando que “em 1985 já tinha comprado tudo e passei eu a gerir sozinho o negócio”,

“Eu vinha de férias da França e já ia apalpando terreno porque eu queria montar algo igual, fosse talho ou outra coisa qualquer. Diz-se que temos de ter uma profissão, mas eu habituo-me a qualquer uma. Quando queremos vencer na vida, lutámos para que funcione”, atira o comerciante aboinobrense.

Manuel Ribeiro (c) FAS / Semanário V

“Ainda fui sócio com o meu pai mas comecei a ficar só. Não me revia com o estilo da sociedade do meu pai. Confiava mais na minha capacidade e nas minhas ideias e a prova é que felizmente venci na vida. Não estou rico mas estou remediado. Comprei uma parte, depois comprei uma casa nova para instalar um talho novo. A antiga, fundada pelo meu pai no mercado municipal, ainda é minha e tenho lá um funcionário que está comigo desde o inicio”, explica.

Na altura da abertura da nova casa, já em 1994, Manuel Ribeiro conquistou Famalicão com muita publicidade de rádio e com a oferta de salsichas a partir de 1.000 escudos de compra. “Na altura foi um sucesso. Ainda hoje tenho clientes que estão comigo desde a abertura”, confessa, apontando que os clientes “são autênticos familiares”.

“Tenho aqui pessoas com mais de 90 anos que ainda vêm fazer as compras todas as semanas e estão todas muito bem de saúde. Aliás, elas estão boas com essa idade porque compram no meu talho”, atira, entre risos. “Mas fora de brincadeiras, a carne é muito boa”, explica, revelando que vende cerca de “cem toneladas” por semana. “Como diz o ditado, prefiro uma casa boa do que três ou quatro fracas. Ainda interajo com os clientes, sou muito comunicativo. Sou um comerciante que tenho num cliente quase um familiar, assim como os meus empregados. Tenho empregados com mais de 25 anos de casa”, conta.

E sobre os clientes, revela que todos são importantes mas destaca algumas personalidades mais conhecidas que por lá passaram. “Tenho clientes familiares do Rui Rio [político], de vereadores da Câmara e de várias casas míticas da cidade como o Hotel Moutados ou a Casa do Benfica” explica.

Com a filha a dedicar-se ao ensino e um genro foto-jornalista, Manuel Ribeiro não pensa em reformar-se nem quer falar sobre o futuro da loja. “Ainda é cedo para reformas. Tenho muita vida para dar ainda, sinto-me com saúde e tenho a certeza que tenho muito a dar. E gosto muito da cidade de Famalicão. É muito boa gente. É uma terra de oportunidades, sem dúvida e ainda quero cá andar mais alguns anos”, explica.

Sobre Aboim da Nóbrega, Manuel Ribeiro, que é presidente da Assembleia de Freguesia eleito há sete mandatos consecutivos [desde 1998], revela que é a terra que mais adora. “Sinto-me muito feliz por ser de Aboim da Nóbrega. Toda a vida gostei da minha terra e regresso sempre aos fins de semana, porque pássaro que abandona o ninho não é um bom pássaro. Tenho ali as minhas raízes e os meus familiares. Os aboinobrenses são pessoas humildes que merecem todo o meu respeito e tento fazer o que posso para ajudar a terra”, explica o fundador de uma associação [Ronda Minhota] em França, em 1976. “Fui um dos fundadores e só deixei quando regressei a Portugal, em 1982. Até tinha sido eleito presidente mas era aquela a altura certa para regressar”, atenta o comerciante.

Ainda sobre Aboim, Manuel Ribeiro confessa que, ainda em França, trouxe a associação para participar num festival em Vila Verde, e todos repararam que ainda não havia luz pública na aldeia. Ao voltar em definitivo, primeiro dediquei-me ao meu trabalho, como deve ser, porque primeiro estava isso, mas depois apareceram-me convites para vários partidos e acabei por aceitar, em 1994, e desde 1998 que sou presidente da Assembleia, e já no meu sétimo mandato”, confessa o apelidado pela classe política da terra como “apaziguador”.

“Nestas últimas autárquicas, tentei apaziguar. Somos todos da mesma terra e vamos andar ás turras porquê? Temos é de nos entender e procurar o melhor para a freguesia”, vinca, afirmando-se promotor da “geringonça” política em Aboim [presidente PSD, secretário Independente e tesoureiro PS].

“A Câmara de Vila Verde tem de nos ajudar o mais possível, seja qual cor partidária for. Nós queremos que olhem para nós e às vezes lutámos e pedimos, mas eles falham. E nós temos de insistir até conseguir resolver o problema”, vaticina Ribeiro, enquanto volta a despir a farda de associativismo para conversar com mais clientes que, em Famalicão, já não dispensam a carne do Supertalho Famalicense.

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Jornalista