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Vespa-asiática volta a atacar durante reportagem em Vila Verde

Uma equipa de reportagem do Semanário V foi atacada por vespas-asiáticas durante a eliminação de um ninho, no norte do concelho de Vila Verde, este sábado.

A acompanhar o processo de aniquilação daquele enxame nocivo a abelhas e humanos na freguesia de Gondomar, o repórter fotográfico acabou mesmo picado numa mão, ficando com inchaço e dores musculares fortes nas horas que se seguiram à picada.

FAS / Semanário V

O ataque deu-se quando um apicultor, que recorre a uma mistura de produtos biológicos que envenenam as vespas-asiáticas, procedeu ao furo de um ninho com uma vara, depositando o veneno dentro do mesmo.

Naquele instante, as fêmeas saíram em busca da defesa do ninho, atacando os presentes. Só o repórter foi picado. Dada a zona ser coberta com giestas, as vespas acabaram por se desorientar, permitindo que a equipa escapasse sem mais picadas. Mesmo sem sofrer alergias, várias picadas desta vespa em simultâneo podem matar um ser humano saudável.

FAS / Semanário V

De 22 colmeias, Domingos já só tem seis. Aníbal não colheu nem uma grama de mel

No final da eliminação do ninho falámos com Domingos Costa e Aníbal Cerqueira, dois apicultores que se dedicam a eliminar ninhos naquela zona do concelho de Vila Verde. Porque o fazem? Domingos, de 22 colmeias que tinha antes do verão, só lhe restam seis. Todas as outras foram tomadas pela vespa-asiática. “Já me morreram milhares de abelhas nos últimos meses”, refere Domingos. “Agora tenho aquelas seis colmeias e vou alimentando artificialmente para que não necessitem de sair da colmeia”, explica.

FAS / Semanário V

Já Aníbal, de seis colmeias que tinha no início do verão, não obteve qualquer mel. “As minhas abelhas saíram e fizeram mel no início do verão mas quando as vespas começaram a aparecer em força nunca mais quiseram sair das colmeias. Acabaram por comer o mel todo o que fabricavam e não consegui retirar nenhum este ano”, diz. “Estou mesmo a pensar em desistir”, confessa.

O único “ânimo” destes apicultores no que toca à vespa-asiática dá-se quando conseguem eliminar um ninho por completo. “São mais de 1.000 vespas que matámos de cada vez e com isto queremos evitar mais mortes de abelhas”, refere Domingos Costa, deixando o alerta que este problema “está cada vez mais grave e é uma verdadeira ameaça para a saúde pública” daquela zona de Vila Verde.

“Este já é o décimo-primeiro ninho que eliminamos este verão. Não é fácil porque é preciso identificá-los e perceber se há a possibilidade de lá chegar. Como estes estão no meio do monte, não alarmam a população, mas o problema é que estão a matar as abelhas todas da região”, sensibiliza o também organizador das caminhadas em Aboim da Nóbrega.

FAS / Semanário V

“É também um perigo para os trilhos turísiticos, cada vez mais visitados. Eu não me atrevo a organizar uma caminhada neste trilho porque tinha ali aquele ninho. Agora já será mais seguro para os turistas passar neste local”, diz, do sítio que sita a pouco mais de meio quilómetro do Fojo do Lobo, principal atração turística daquela freguesia.

Já Aníbal Cerqueira refere que ” acabando as abelhas, acaba-se a humanidade”. “O Estado sabe disto. A Câmara sabe disto… Mas ninguém faz nada. Na verdade, só os apicultores é que se parecem importar com esta ameaça que nos mata as abelhas todas”, diz, deixando a sugestão para que alguma equipa da Universidade do Minho desenvolva alguma fórmula que permita erradicar de vez com esta “praga”.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista