Andreia Santos Opinião

Opinião. “Lest We Forget”

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

É domingo de manhã. Hoje enquanto te escrevo é o som da chuva que escuto cair, está frio e bom para pensar. Deixo de lado, sem esquecer, os detalhes das eleições do Brasil, a aprovação das políticas anti-emigração nos Estados Unidos, a vergonha que senti através da deputada do Alto Minho que sem pudor normalizou o que não é permissível e amoral… O que te quero dizer anda por aqui… neste não estar certo, na manipulação leviana das gentes, na tentativa de inversão dos papeis do bem e do mal que cresce mundialmente a fazer crer que não damos conta… Espero que para ti não baste ler o facebook.

O dia é especial. Significativo. “Sem uma consciência da história replicamos de formas diferentes a mesma história ao longo do tempo”, o que Stevenson escreveu vale tanto para nós pessoas, como para as nações. Comemoramos o Armistício e impera não esquecer como é que o horror aconteceu há pouco tempo. Quero pedir-te que não esqueças. E que sejas pela paz. Cidadania “é a condição de pessoa que, como membro de um Estado, se acha no gozo de direitos que lhe permitem participar da vida política.” Não está na hora em que te possas demitir de o ser plenamente. Parece-me até que estamos no momento em que deveríamos escrever um Manifesto: o dos homens e mulheres livres, onde colocamos os nossos valores e indignação. Não sei se compreenderás o mesmo que eu: tenho ouvido muitas vozes que me fazem zangar. Sim, zangar.

Não vivi no fascismo, mas sou a herança dos que lutaram para que não o vivesse e te possa estar agora a expressar opinião. Os (as) tantos (as) que morreram perseguidos (as) no Holocausto são a memória coletiva para manter. Somos cidadãos do planeta, com obrigação de ser justos com o que nos deram. Em 2016, Madeleine Albright afirmou, a propósito dos E.U.A.,: “Se tivéssemos que desenhar um script da ressurreição do fascismo, o afastamento da América da liderança moral seria uma primeira cena credível.” Aplica-se a nós! Foi bom ver o discurso de Macron, numa assunção anti-trump (anti-egoísmo): “ao dizermos os nossos interesses primeiro… apagamos aquilo que uma nação tem de mais sagrado, os seus valores morais…”. Temos que construir um futuro melhor, para os teus filhos, os meus sobrinhos e os teus, as gerações mais jovens que merecem ser e ter a sorte que temos. Não bastará ter ideias se os interesses são apenas os teus, a dica veio de Marcelo: “Revolução digital tem de ser pelo diálogo… por um mundo melhor.” É um ultraje à dignidade humana que sejamos cidadãos sem dar exemplo.

“A agressão poderá ir demasiado longe se as restrições morais internas e externas estiverem ausentes.” Não deixes que te lavem o cérebro e te façam crer em “boas” ações (como as da deputada), que te levem a dizer que matar alguém é a solução. Cuida de ti, do teu coração. Acredito, confesso, que apesar das incoerências, no poder da Europa e na ideia Europeia para mudar tudo isto. Espero coerência no que se refere a políticas internas, pois será à custa das fragilidades dos povos que se criam âncoras para as ditaduras. Não sejas cínico (a), usa o teu super poder de ser empático (a).

Se não viste ainda, vai ver o filme “Assim nasce uma estrela”, é delicioso. Prometo que no próximo artigo te falo do Natal e das outras coisas que nos alimentam a valem a pena sentir, para continuarmos a resistir juntos contra a parte do mundo cruel. Também vale a pena que te zangues. Podemos sempre fazer mais e melhor. Eu, não me demito. E tu? Um novembro gentil! Até já!

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Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional