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Sismos estão de regresso. Sabe o que fazer em caso de emergência?

A Terra Treme / DR

Depois de um mês de agosto e setembro com mais de 50 sismos com epicentro em Vila Verde, o último abalo provocado pelas placas tectónicas situadas sob a região de Braga foi sentido a 4 de outubro. Este sábado, 17 de novembro, novo sismo de 4,3 na Escala de Richter foi sentido em Vila Verde, desta vez com o epicentro a ser a vila fronteiriça de Melgaço.

A divisão de Geofísica do IPMA é a entidade estatal responsável por analisar e recolher dados sobre a atividade sísmica em Portugal e concentra alguns dos melhores especialistas da área. Todos são unânimes. “As catástrofes sísmicas parecem-nos sempre um fenómeno distante, mas essa possibilidade é bem real e pode atingir qualquer comunidade, num qualquer momento”.

Os especialistas concordam que, apesar de sempre terem havido sismólogos a dedicar-se à investigação relacionada com a previsão de sismos, até hoje não foi possível desenvolver qualquer método generalizado, que conduza à previsão da hora e do local onde ocorrerá um sismo.

“Sabemos, contudo, que os sismos continuarão a perturbar a Humanidade e que ocorrerão com mais frequência em regiões onde já se verificaram no passado. E também sabemos que mesmo regiões sem historial sísmico podem ser afetadas por eventos graves, muito distanciados no tempo entre si”, refere aquele departamento do IPMA em comunicado enviado ao Semanário V.

Segundo os geofísicos, em Portugal continental, os grandes sismos, embora pouco frequentes, têm afetado especialmente as regiões central e meridional do território, deixando a parte norte do país, onde se incluí Vila Verde, de fora de um local de maior risco.

No entanto, os sismólogos admitem que alguns sismos “importantes embora ainda menos frequentes”, têm ocorrido igualmente na parte norte do país. Nos Açores, afetados por outro conjunto de placas tectónicas que não as que afetam Portugal, ocorrem regularmente sismos danificantes que têm afetado as ilhas dos grupos central e oriental. A maior parte dos sismos atrás referidos e que são sentidos pela população são caraterizados por abalos de curta duração.

Morre-se mais durante os sismos

Sobre o que se pode fazer para evitar morrer durante um sismo? Os especialistas recorrem a autores que “observaram com muita pertinência que nos primeiros anos deste século já morreram o equivalente a um terço das vítimas dos sismos durante o século XX”.

Os sismólogos alertam para autores que realçam este número, apontando-o como “de todo aceitável” por não acharem que um terramoto é a causa de maior parte dos óbitos, mas sim a deficiência na construção dos edifícios.

“De facto, a maior parte das vítimas resulta da destruição ou desmoronamento de construções com deficiente resistência antissísmica, rotura de infra-estruturas ou instalações industriais que deveriam ser resistentes aos sismos. Poderíamos dizer de forma simplificada que não são os sismos que causam vítimas mas sim o colapso das construções que são obra do homem”, garantem os especialistas.

Se alguns edifícios se podem desmoronar pela ação sísmica, especialmente os de construção mais antiga, os sismos podem também provocar desprendimentos de terrenos e ainda gerar grandes ondas nos oceanos – tsunamis ou maremotos – os quais podem ter efeitos catastróficos. Em todos estes casos, o comportamento de cada pessoa é fundamental na minimização dos efeitos do sismo, pois a maior parte dos acidentes pessoais resultam da queda de objetos e de destroços.

Habituais razões de acidentes durante sismo que podem levar à morte

A equipa de Geofísica do IPMA recolheu dados e elaborou uma lista de motivos para a maior parte dos acidentes pessoais que ocorrem durante um sismo. Segundo os sismólogos, o desmoronamento parcial dos edifícios tais como chaminés, varandas, tetos ou paredes; derrube de candeeiros, quadros, estantes, vasos ou outros móveis; estilhaços de vidros provenientes de janelas, espelhos ou outros objetos (este perigo é maior quando os vidros são provenientes de andares elevados de edifícios altos); incêndios com origem em chaminés ou canalizações de gás destruídas (este perigo pode ser agravado pela falta de água devido à destruição das canalizações ou obstrução dos acessos impedindo a deslocação dos meios de socorro); derrube de linhas elétricas e ações humanas resultantes do pânico.

Os sismólogos do IPMA aconselham, por isso, agir com “rapidez e com sangue frio”.

“De facto, a experiência tem demonstrado que uma atuação calma durante um sismo, muito contribui para minimizar os seus efeitos. Compreendendo algumas noções fundamentais, grande número dos acidentes pode ser evitado ou o seu impacto, menorizado. Apresentam-se aqui algumas sugestões de comportamento perante este fenómeno.

O IPMA recorda que nenhuma comunidade está “totalmente preparada e equipada” para atender a estas situações excecionais.

O que Vila Verde pode fazer para se preparar contra um terramoto

Segundo o geofísicos, baseando a sua investigação em diversos trabalhos e dados de Proteção Civil ao longo das últimas décadas, primeiro devem saber o risco que a zona acarreta. Essa parte já sabemos. É normal existir atividade sísmica e Vila Verde está agora alertada para o facto de estar inserida num local onde essa atividade se começou a manifestar com maior frequência.

O IPMA aconselha os populares que se assegurem que existem planos de emergência adequados no seu local de trabalho e na escola dos seus filhos. “Informe-se sobre ele e exija aos responsáveis a realização de exercícios de emergência”, dizem os geofísicos.

Se está a pensar construir casa em Vila Verde, recorde-se que os estragos causados pelos sismos podem ser substancialmente reduzidos pondo em prática regras adequadas de construção sismo-resistente. “A aplicação destas regras é a mais elementar medida de prevenção e não encarece, em regra, em mais que 10% do valor total do custo da obra”, diz o IPMA.

O IPMA aconselha também a pedagogia familiar para que sejam minimizados possíveis danos. Os sismólogos aludem aos sinais de emergência e ao seu conhecimento por parte das crianças, para além do estudo de locais de maior segurança dentro de casa. “Se vive num edifício de apartamentos ensine os seus familiares a localização das saídas de emergência e mostre como se liga o alarme de incêndios e como se desliga a luz e se fecham as condutas de gás e água”, diz o IPMA.

É também incentivada a fiscalização nos edifícios de casa e do local de trabalho, com finalidade de verificar se elementos frágeis, como chaminés, telhas, cornijas, antenas, painéis solares ou fotovoltaicos, depósitos de água e outras estruturas semelhantes estão corretamente colocadas e, caso negativo, se providencie ou informe o responsável para que sejam executadas as reparações necessárias.

Aproveite as notícias para falar naturalmente sobre sismos

Os geofísicos daquela divisão aconselham ainda a promoção “de vez em quando” de uma troca de impressões acerca dos sismos. “Por exemplo, pode aproveitar as notícias sobre sismos para falar com naturalidade sobre este assunto”, referem, apontando para necessidades das crianças e pessoas com cuidados especiais, que são por vezes ignoradas.

Aconselham ainda a elaborar uma lista do que for necessário para sobreviver em caso de sismo. “Pense no que vai precisar se, por exemplo, tiver com os acessos ao local onde vive bloqueados ou o que tem que levar rapidamente consigo caso haja ordem de evacuação da área onde vive”.

Sugestões para uma lista de material de emergência a manter num local facilmente acessível:

Uma muda de roupa por pessoa e calçado confortável;
Rádio a pilhas; Água engarrafada (1 litro/pessoa/dia, no mínimo);
Alimentos para 3 dias (sem necessidade de frigorífico);
Comida enlatada, leite UHT, bolachas secas, frutos secos, sal, chá, café, açúcar, mel, etc;
Medicamentos de continuidade com receita médica e fotocópias de receitas médicas;
Estojo de primeiros socorros e medicamentos básicos;
Cobertores ou sacos-de-cama;
Vários conjuntos de pilhas de reserva;
Papel higiénico e artigos de higiene pessoal;
Mochila ou saco de transporte;
Velas e fósforos, pratos, copos e talheres descartáveis;
Chaves sobresselentes;
Panelas, abre-latas, sacos do lixo;
Documentos importantes, ou pelo menos, cópia destes;
Fogão portátil (tipo “camping-gas”) em condições operacionais;
Pequenos jogos (baralhos de carta e similares);
Óculos de reserva, se aplicável;
Comida para cães, gatos, etc., se aplicável.

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Paulo Moreira Mesquita

Paulo Moreira Mesquita

Diretor Semanário V