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Olaria e pão de milho protagonistas em Cervães

Foto: Sinopse
Redação
Escrito por Redação

Na reta final da Rota das Colheitas, Cervães celebrou a ‘Tradição dos Nossos Avós’ com uma iniciativa que gozou de adesão e vários momentos de grande animação. Em três dias consecutivos, de 17 a 19 de novembro, o Centro Social e Paroquial da freguesia recebeu centenas de pessoas que chegaram a Cervães para conhecer e apreciar os saberes da genuína tradição minhota. O ‘Ciclo do Pão de Milho e a Olaria’ foram os temas da edição deste ano, sendo a arte de trabalhar o barro a grande novidade do cartaz.

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Integrada na programação turístico-cultural Na Rota das Colheitas, do Município de Vila Verde, a iniciativa contou com um programa vasto e diversificado programa, composto pela celebração de uma eucaristia, exposição temática, degustação de iguarias típicas da região, animação musical ao vivo, trabalho com a roda do oleiro e visita dos alunos e idosos, entre outras atividades. O evento tem crescido de forma gradual ao longo dos anos, mobilizando várias pessoas, das crianças aos mais adultos, que mostram o interesse e curiosidade pelas tradições locais. A organização resulta de uma força conjunta entre o Centro Social e Paroquial de Cervães e a cervaense Maria Amélia Oliveira com a colaboração da Junta de Freguesia de Cervães, associações locais e centro escolar de Cervães.

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Muita juventude em Cervães para recordar a ‘Tradição dos Nossos Avós’!

A celebração da missa das colheitas, com a participação dos vários elementos dos escuteiros e alunos da catequese, deu o pontapé de saída na iniciativa. Com a sala bem composta, seguiu-se a intervenção do presidente da Junta da Freguesia de Cervães, Hélder Forte, da professora Maria Amélia Oliveira e da Vereadora da Cultura do Município de Vila Verde, Júlia Fernandes. Todos mostraram a sua satisfação com o evento e frisaram a importância de preservar e divulgar as tradições da região. Posto isso, foram vários os curiosos que espreitaram a exposição ‘Oleiros e Barreiras de Cervães – O antigo e o moderno‘. A professora Júlia Barbosa destacou o grande envolvimento dos seus estudantes e acredita que “foi uma experiência muito positiva para eles!”. “Depois de fazerem um trabalho de conceções alternativas, ou seja, ver aquilo que os meninos sabiam antes de começarmos a trabalhar propriamente no tema, percebi que não tinham grandes conhecimentos sobre a matéria. Para eles, o barro só servia para fazer vasos. Posteriormente, partimos para a investigação com o apoio das novas tecnologias e conheceram o mundo da olaria desde a origem até aos dias de hoje. Viram muitas imagens. Só depois é que meteram as mãos na massa e elaboraram cartazes com breves explicações sobre esta arte”, explicou Júlia Barbosa.

“Vou ter sempre a paixão do barro comigo!”

Quem não deixou de visitar o espaço foi Amaro Silva, um amante do barro. Natural de Barcelos, mas residente há vários anos em Cervães, Amaro Silva não esconde o amor pela olaria e diz que é uma atividade que o acompanha desde pequeno. “Vou ter sempre a paixão do barro comigo. Quando era miúdo ia com o meu pai para o trabalho dele e ajudava-o. Adorava. Era engraçado. Uma boa forma de passar o tempo e de me entreter”, conta. Apesar de ser a arte da família e um emprego frequente na altura, não foi a profissão que seguiu. “Era o que havia na época, não há a fartura que há hoje. Por acaso, não segui essa atividade, mas sempre que vejo cerâmica, barro, fico a apreciar”, vincou.

Para as crianças aprenderem e os mais velhos recordarem

No domingo, 18 de novembro, realizou-se uma caminhada com visita a dois fornos de oleiro tradicionais na freguesia, a fim de mostrar aos interessados como se fazia e processava o barro, uma iniciativa promovida pelos escuteiros e associações locais. Na parte da tarde, as pessoas tiveram a oportunidade de saborear a tradicional broa de milho e as famosas sopas de burro cansado, duas iguarias que foram confecionadas pelas mãos experientes das cozinheiras locais. No decorrer da tarde, houve um magusto típico e tempo para um especialista de olaria demonstrar como era feito o processo do barro. A animação musical inundou depois o espaço com a atuação o grupo folclórico de Cervães. Hoje é o último dia e foca-se mais nas crianças da escola e nos idosos da freguesia. Desta forma, os mais pequenos ficam a conhecer melhor a vida dos tempos dos seus avós e os mais velhos recordam as tradições da sua juventude.

“Muitos parabéns pela atividade, parabéns por integrarem a Rota das Colheitas, parabéns por recuperarem as tradições dos nossos avós!”

Presente na sessão de abertura do evento, a Vereadora da Cultura sublinhou a importância de preservar e divulgar as tradições, felicitando a organização pelo empenho e dedicação. “Muitos parabéns pela atividade, parabéns por integrarem a Rota das Colheitas, parabéns por recuperarem as tradições dos nossos avós!”, referiu Júlia Fernandes, acrescentando que desta forma é possível chegar aos mais novos. “É muito importante para nós, para as nossas gerações, termos aqui esta exposição que nos recorda aquilo em que muito de nós trabalharam, mas ainda mais importante para as nossas crianças e as nossas escolas”, afirmou.

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