Cultura Vila Verde

Tradições. Lage voltou a celebrar os antigos com rojoada após matança da seba

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Redação
Escrito por Redação

A Lage voltou a juntar-se para celebrar a tradição com mais uma edição da ‘Matança da Seba; Rojoada, Sopa de Cavalo Cansado e Magusto’, onde o ambiente de animação e grande convívio não faltaram. O evento decorreu durante o fim de semana, 17 e 18 de novembro, e atraiu centenas de pessoas durante o fim de semana. A matança da seba aconteceu no recinto da antiga escola do penedo pelo final do dia de sábado, com as temperaturas mais baixas típicas da estação a ajudarem a cumprir o ritual. O animal morreu sem dor, após uma descarga elétrica que o deixou inconsciente, e a veterinária municipal esteve no local para garantir o cumprimento escrupuloso das normas higieno-sanitárias em vigor. O resto foi tudo à moda antiga. No final, tempo de repor energias com alguns petiscos e muito convívio.

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No dia seguinte, mais de 150 pessoas reuniram-se nas instalações da sede da Junta de Freguesia para a tradicional rojoada. Tal como ano anterior, as receitas da iniciativa têm um cariz solidário e, desta vez, revertem para a compra de um órgão para igreja. Ao longo da tarde, a Junta da Freguesia da Lage promoveu outra tradição muito acarinhada pela população, o magusto. Com as castanhas serviram-se também as famosas sopas de cavalo cansado. A organização do evento ficou a cargo da Junta de Freguesia da Lage, com a colaboração da população local, e integra a programação Na Rota das colheitas, do Município de Vila Verde.

Vieram da zona do Porto e gostaram: “Foi ótimo!”

Júlia Gonçalves é natural de Moure (Vila Verde) e todos os anos é habitual ir até à Lage meter as mãos ao trabalho juntamente com os homens. Depois de ajudar na matança, Júlia Gonçalves diz que é uma apaixonada por convívios e esta atividade lhe traz boas recordações. “Se não gostasse, não participava! (risos). Eu gosto muito, muito, de convívios. Quando há, vou sempre atrás deles. Eu fazia isto nos tempos dos meus pais…tenho boas lembranças desses tempos”, revelou. Nelson Monteiro veio da zona do Porto e ficou bastante satisfeito. “Estivemos a ver uma forma de nos ocuparmos e foi nesse sentido que decidimos vir aqui. Além de conhecer a tradição, viemos passar um dia diferente. Foi ótimo!”, referiu, acrescentando que é uma atividade que lhe é familiar e que ficou agradavelmente surpreendido com o evento. “É uma situação que conheço bem desde miúdo e fiquei surpreendido não só pelo facto de as técnicas serem diferentes, mas também por termos sido brindados com um lanche muito bom”, disse.

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“Todos a trabalhar juntos pela freguesia”

Sempre muito envolvido em todas as atividades, o presidente da Junta da Lage, Carlos Pedro Castro, não parou durante os dias, mas deu o esforço por bem empregue e fez um balanço positivo do evento. “Está a correr tudo muito bem. Temos aqui por volta de 160 pessoas. Este número é bom a um domingo e com o tempo pouco convidativo”, referiu, saudando o espírito de uma iniciativa que extravasa divisões políticas e se foca exclusivamente na freguesia. “Neste almoço estavam todas as forças vivas do concelho, o meu adversário está aqui a trabalhar comigo, o antigo adversário também está. Não há partidos, não há interesses. Estamos todos a trabalhar juntos para a freguesia”, refere Carlos Pedro Castro. Depois de dizer que é um evento para continuar, o presidente acrescenta que a Rota das Colheitas “tem um programa único a nível local, regional e, se calhar, nacional. Desde agosto até novembro estamos sempre em atividade”.

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Uma prática comum no Minho rural

Para a vereadora da Cultura do Município de Vila Verde a Lage “está de parabéns”. Júlia Fernandes considera que é uma atividade de valor e une as pessoas da freguesia. “É uma iniciativa que já tem alguns anos. Vive-se, aqui, uma recriação tradicional que junta sempre muitos apreciadores desta tradição. Apesar de não ser uma das recriações muito concorridas, se calhar pela sua especificidade, o almoço que é feito consegue ter grande parte da população a participar. Portanto, é uma boa forma de a Lage participar na Rota com uma atividade completamente distinta das outras”. Júlia Fernandes frisa que esta era uma prática muito comum no mundo rural. “Quem é que antigamente não criava a sua seba e não fazia por esta altura a matança? O que tivemos aqui é justamente isso, conseguir provar todos esses sabores dos tempos antigos nas casas das lavouras”, concluiu.

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