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Trabalhadores da Jado Ibéria passam Natal a saber que vão para o desemprego

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Agência Lusa
Escrito por Agência Lusa

Os trabalhadores da Jado Ibéria Produtos Metalúrgicos, em Braga, concentraram-se esta tarde à porta da empresa para “denunciar” o encerramento anunciado da empresa, alegando que a medida “não se justifica” por “haver trabalho”.

Em declarações aos jornalistas, o trabalhador da Jado Ibéria e sindicalista do Sindicato dos Trabalhadores das Industrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE-NORTE), Carlos Cruz, referiu que a empresa, que pertence ao Grupo Ideal Standard, vai fechar portas devido à “política deslocalizar o trabalho de Portugal”.

A Jado Ibéria anunciou o início do “processo de encerramento total e definitivo” na segunda-feira, garantindo que os direitos dos atuais 74 trabalhadores “estão assegurados”, confirmou à Lusa fonte oficial daquela empresa.

“A comunicação que nos foi feita é que a empresa vai encerrar definitivamente em 16 de fevereiro e o que estamos aqui a fazer é a defender os postos de trabalho porque não se justifica o encerramento”, explicou o trabalhador.

Segundo o também sindicalista, “os trabalhadores foram apanhados de surpresa porque havia trabalho, a empresa estava a contratar trabalhadores, comprar máquinas, nada fazia prever isto”.

“É mesmo política da empresa de deslocalizar o trabalho de Portugal para outras empresas do grupo”, denunciou o sindicalista.

À Lusa, no dia do anúncio do encerramento, fonte oficial da Jado Ibéria explicou que a decisão de encerrar a empresa, “não foi tomada de ânimo leve” e que “resulta de uma avaliação contínua da produção global da empresa”.

A mesma fonte referiu que “está em curso o processo de negociação com os trabalhadores”, garantindo que “os direitos dos trabalhadores estão assegurados de acordo com o que está na lei” em vigor.

Carlos Cruz confirmou a existência de negociações: “A administração está reunida com a Comissão de Trabalhadores. A empresa, em termos de recompensa, está a dar o que está previsto na lei, os mínimos, um mês por cada ano de trabalho até 2012. Há trabalhadores com mais de 40 anos, vão receber um mês por ano ate 2012 e a partir de 2012 ficam a zero”, disse.

O sindicalista apontou ainda o dedo ao Governo dizendo que ”o estado permite que estas empresas venham para Portugal, usufruam de benefícios fiscais, suguem os trabalhadores até ao tutano e depois vão embora e deixam o desespero para os trabalhadores”.

A Jado Ibéria afirmou ainda estar “ciente das implicações e gravidade desta decisão e está empenhada em minimizar o seu impacto social, cumprindo todos os trâmites legais”.

O SITE apontou ainda que a empresa em causa tem “mais de 50 anos de atividade” e que é uma “referência para o concelho de Braga” pelo que o seu encerramento “põe em causa o emprego daqueles trabalhadores, a sua estabilidade pessoal e familiar e o desenvolvimento do tecido económico na região de Braga”.

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