Vila Verde

Violência “é um ato de grande cobardia”, diz diretor da EPATV

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Escrito por Redação

Já são 24 as mulheres portuguesas assassinadas em contexto de violência doméstica desde o início do ano até anteontem. É um claro aumento de mortes em contexto de intimidade que deixou chocados os alunos da Escola Profissional Amar Terra Verde, na sessão final do Projeto “Chega” que decorreu hoje, dia 23 de novembro, no auditório da EPATV.

A sessão presidida por Miguel Novais, presidente da Associação Sopro, aberta pela Vereadora Júlia Fernandes, e pelo Diretor Geral da EPATV, João Luís Nogueira, ficou marcada pela revelação destes números, contra as 20 mulheres mortas às mãos de atuais ou ex-companheiros ou familiares muito próximos, no ano passado.

O Projeto Chega desenvolveu, durante estes dois anos, ações de sensibilização e prevenção da violência doméstica, em Vila Verde, subordinado ao lema “Violência nas relações interpessoais. Quando o amor não Chega”, em parceria com a Câmara Municipal de Vila Verde e a EPATV.

Júlia Fernandes agradeceu a “disponibilidade da EPATV para acolher todos os projetos de promoção social e humana, seus e alheios” e classificou como “chocante a realidade que os números nos mostram sobre a violência doméstica”.

Apesar do excelente trabalho da Associação Sopro, a Vereadora considerou que “há muito para fazer e queremos continuar com estes parceiros”, pelo que o projeto do Gabinete de Apoio à Vítima em Vila Verde e em Prado vai continuar mais seis meses.

Dirigindo-se aos alunos da EPATV, Júlia Fernandes desafiou-os a “estar alerta e ajudar-nos a travar este flagelo”, ao passo que o Diretor Geral da EPATV considerou “um ato de grande cidadania que devemos trazer para a nossa escola”.

João Luís Nogueira alertou para a necessidade de parar com certos “atos inconscientes que magoam; não é só o estalo ou a bofetada ou um empurrão, mas também outros atos que são ridículos”.

Deu os exemplos dos “perfis falsos no facebook. Porquê? Para fazer mal aos outros, para os perseguir, intimidar sem dar a cara. É uma grande cobardia que nos impede de ser cidadãos de primeira”.

Quanto ao trabalho da Sopro e dos seus voluntários, o Diretor desafiou os seus alunos: “ponham os olhos no seu trabalho. A vida não é só telemóvel, sapatilhas de marca, estar com a namorada. Não vivemos numa ilha mas sim em comunidade. Temos de seguir boas práticas, dar o nosso contributo e prestar apoio a quem necessita. Vós tendes todas as condições nesta escola para combater esta causa e não ser vilões. É um tema que deve ser discutido na Escola” — concluiu João Luís Nogueira, justificando o acolhimento a este Seminário que contou com intervenções sobre a “prevenção da violência nas relações interpessoais, de género e os novos desafios na prevenção de relações interpessoais violentas, com investigadores da UMinho, UMAR e GNR de Braga.

A sessão — que serviu para apresentar as conclusões e dados de dois anos de trabalho — contou com a colaboração dos alunos do CEF de Assistente Administrativo e de Restauração da EPATV.

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