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Comércio. 40 anos depois, a Felicidade regressa a Braga

(c) Foto Felicidade
Fernando André Silva

Abriu este sábado a nova loja da “Felicidade Noivas” no coração de Braga, um espaço físico entre o Largo do Pópulo e o Mercado Municipal, situado em um prédio com dois pisos dedicado não só às noivas e casamentos, mas também à venda de trajes para procissões sacras e eventos, contando ainda com um ponto de atendimento da “Foto Felicidade”, especialistas em registo vídeo e fotográfico de casamentos.

A casa Felicidade dá continuidade ao modelo de negócio que mantém em Vila Verde desde 1960, onde concilia as três temáticas. A ida para Braga foi não só uma “necessidade” mas também um sempre agradável regresso às origens, como explicou Armanda Gonçalves, proprietária do novo espaço que será gerido, como sempre, com ajuda de toda a família. O irmão, Luís Gonçalves, tem também um ponto de atendimento da Foto Felicidade neste novo espaço para “mais comodamente receber os noivos de e em Braga”.

Hélder Ferreira (Braga Noivos) Domingos Barbosa (AC Braga), Armanda e Luís Gonçalves FAS / Semanário V

Ao Semanário V, a empresária e costureira responsável pela parte têxtil da loja explica que abrir este espaço que incluí os trajes para procissões é “uma grande aposta” mas também “uma necessidade devido à atividade das procissões nos últimos anos”. “Estávamos bem em Vila Verde mas tínhamos forçosamente que vir para Braga, por isso comprámos este espaço e vamos investir aqui porque é onde está a maior parte da nossa clientela”, declara.

Armanda explica que grande parte dos trajes que vendem são para procissões e eventos que se realizam em Braga, como as procissões da Semana Santa, onde os figurinos são vendidos individualmente, ou a Braga Barroca e Braga Romana, onde os trajes são adquiridos pelas comissões de festas e associações que as organizam.

Trajes de arte sacra c) FAS / Semanário V

O negócio, esse, vai ser para continuar na família. “Desde criança que faço estes trajes. Toda a gente na família ajuda a construir os trajes porque há sempre necessidade de ajuda. Aos fins de semana e aos feriados toda a família participa”, explica Armanda, revelando que “há domingos em que chegámos a ser 50 pessoas”.

Duas mulheres na História de Braga e do Minho 

A história da Felicidade Noivas cruza-se com a cidade de Braga por intermédio da “casa” que vendia trajes na Rua D. Gonçalo Pereira. A mãe de Armanda Gonçalves, Maria Júlia Braz Alves, fundadora da Felicidade Noivas nos anos 60 em conjunto com o marido Severino Gonçalves, comprava frequentemente artigos à costureira Amarina Castilho, com quem acabou por fazer uma parceria.

“É entre a história destas duas mulheres que Felicidade Noivas se cruza com a História de Braga e do Minho”, explica ao Semanário V já um elemento da terceira geração, o historiador Luís Ferreira Gonçalves, filho de Armanda, neto de Maria Júlia, que faleceu em 2005.

Manequins são homenagem a Maria Júlia e Amarina Castilho c) FAS / Semanário V

O jovem cervanense conta que, no leito da morte, Amarina Castilho, solteira e matriarca, que detinha grande parte do comércio de trajes religiosos em Braga e “vivia num mundo de homens”, decidiu vender o negócio à avó, Maria Júlia, e foi a partir desse ano – 1978 – que a Felicidade Noivas passou a adquirir grande parte do estatuto na venda de trajes para procissões, sendo hoje o maior nome no mercado na região de Braga. Mas foi também esse o ano em que Maria Júlia, também ela apontada por Luís como um símbolo do matriarcado, deixou de ter qualquer espaço físico em Braga.

Bênção da Felicidade Noivas c) FAS / Semanário V

“Em 1978, Maria Júlia compra o negócio de Amarina. Esta relação comercial transfere para Cervães, em Vila Verde, peças centenárias de arte sacra, milhares de metros de cetim e veludo e o conhecimento acumulado que Amarina detinha. A partir daqui, Maria Júlia consolidou a sua posição no mercado especializado em indumentária para procissões afirmando Felicidade Noivas como a maior casa desta especialidade”, explica Luís Gonçalves Ferreira. Na nova loja, dois manequins espreitam na loja em forma de homenagem às duas fundadoras daquele negócio.

Luís Ferreira Gonçalves durante a inauguração da Felicidade Noivas c) FAS / Semanário V

“Este novo espaço não é mais do mesmo”, diz presidente da Associação Comercial de Braga

Domingos Macedo Barbosa, presidente da Associação Comercial de Braga (ACB), marcou presença nesta inauguração e fez questão de apontar esta loja como um “exemplo em uma cidade que está sempre a inovar, sobretudo pela qualidade”.

Domingos Barbosa e Luís Gonçalves c) FAS / Semanário V

“Esta regeneração que se vem notando nos espaços comerciais contribui para a afirmação de Braga com comércio de qualidade. Este é um bom exemplo de uma atividade sem grande concorrência na cidade. Não é mais do mesmo, e isso interessa-nos. Liga bem com a história e tradições da cidade e naturalmente que a ACB regozija-se com este tipo de comércio que é uma oferta que faz muita falta à cidade”, salienta o presidente da ACB.

Domingos Barbosa explica que a cidade “tem vindo a afirmar-se pela vertente do turismo cultural”. “Isso cria necessidades e outro tipo de oferta. Quem tem ideias de investir em Braga, deve procurar explorar o que ainda não temos”, diz, apontando esta nova casa como um exemplo disso.

Felicidade Noivas c) FAS / Semanário V

Negócio dos casamentos tem registado melhorias nos últimos três anos

A outra especialidade da casa, que continuará a ser o “motor financeiro” da atividade comercial da Felicidade Noivas, é a venda de vestidos para casamentos, ou não fosse esta loja conhecida em Vila Verde por “casa das noivas”. Mas não vai vestir só noivas. O novo espaço oferece toda uma gama de vestuário de gala e cerimónia para os mais diversos tipos de eventos, como nos conta Armanda.

“Todos os elementos que participam num casamento, desde noivos, damas de honor, padrinhos e convidados, podem vestir-se na Felicidade Noivas. A parte dos vestidos para casamentos continua a ser a principal fonte de rendimento. Os trajes para procissões dão muito trabalho e pouco lucro, por isso é que praticamente não temos concorrência na região. Daí apostarmos nos vestidos também em Braga”, explica.

Felicidade Noivas c) FAS / Semanário V

Jorge Ferreira, diretor da maior exposição sobre casamentos do país [Braga Noivos], marcou presença na inauguração e explicou que o “grupo” Felicidade tem duas empresas [Felicidade Noivas e Foto Felicidade] que estão dentro dos dois setores mais importantes em um casamento, negócio que voltou a registar aumentos durante 2018.

(c) Foto Felicidade

“O número de casamentos diminuiu durante alguns anos mas nos últimos três tem registado um aumento e isso reflete-se no negócio”, explica o diretor, deixando elogios à participação do grupo Felicidade na edição deste ano do Braga Noivos.

“Eles ocupam talvez o lugar de maior destaque do evento, que já é o maior do país no que diz respeito à área ocupada e ao número de expositores. Levam o vestido da noiva, que é a princesa do casamento, e esta casa é das que mais noivas veste na região. E depois têm a parte da fotografia, de excelente qualidade, que marca o registo da felicidade dos noivos”, diz Jorge Ferreira.

Felicidade Noivas c) FAS / Semanário V

Sobre o Braga Noivos, conta que já é “o maior do país”, mas falta ainda superar o número de visitantes das feiras realizadas em Lisboa e Porto. No entanto, o diretor assegura que em Braga ainda é dos locais no país onde mais se tem vindo a casar.

(c) Foto Felicidade

Na inauguração, para além de Jorge Ferreira e Domingos Barbosa, marcou ainda presença a vereadora da Câmara de Vila Verde, Júlia Fernandes.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista