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Quem é o presidente de junta PSD que vai enfrentar António Vilela?

Fernando André Silva

Hélder Forte quer criar um conselho estratégico municipal em Vila Verde onde a sociedade civil possa ser ouvida para “mudar o paradigma” de fazer política no concelho, no distrito, e até no país. Quer também criar núcleos em várias freguesias e “reacender” o casamento entre a ‘jota’ partidária local e o Partido Social Democrata (PSD) de Vila Verde. Na lista de Hélder Forte está ainda outro presidente de junta eleito pelo PSD, Bruno Eiras [Lanhas].

Na vida da sua junta de freguesia há nove anos, o autarca de Cervães poderá ser um dos primeiros presidentes de junta a assumir a liderança de uma concelhia no distrito, já a partir da próxima sexta-feira, dia 30, após as eleições para a Comissão Política Concelhia do PSD em Vila Verde, onde enfrenta uma lista liderada pelo atual presidente da Câmara, António Vilela.

Lista de Hélder Forte

Ao Semanário V, o autarca de 35 anos, engenheiro formado na Covilhã, natural e residente em Cervães, adianta sentir-se “motivado depois de todo um percurso no partido” e não se sente um ‘excluído’ por ter uma opinião divergente da de António Vilela e dos que o acompanham na outra lista.

“Sinto-me motivado depois de todo um percurso no partido. O meu primeiro trabalho foi dentro da freguesia, onde criámos mais militantes, criámos o movimento das mulheres sociais democratas, único do distrito. Acho que está na altura de avançar, sinto-me apoiado em vários sítios do concelho e decidi que era a altura”, explica.

Sobre ir contra uma lista que conta com a presença do presidente da Câmara, dez presidentes de junta, uma vereadora e vários elementos habitualmente conotados com o “núcleo mais influente” do PSD local, Hélder Forte diz-se “rosto” de uma opinião partilhada por vários outros militantes, em vários pontos do concelho, opinião essa que aponta como necessária uma mudança no paradigma da política para voltar a aproximar as figuras políticas dos militantes, do eleitorado, e do povo.

Hélder Forte faz intervenção durante visita de deputado

“Sou o rosto de uma opinião diferente no PSD”

“Não vou contra nenhum sistema instalado no PSD de Vila Verde. Sou o rosto de uma opinião diferente, que é partilhada por um grupo de pessoas e sinto-me responsável para os representar. Não quer dizer que seja a melhor opinião do mundo mas vamos a eleições e os militantes vão escolher”, diz Forte sobre a “divergência de opiniões” em relação à outra lista.

“Costumo dizer que é preciso separar a beira da estrada da estrada da Beira. É preciso separar. Não há problema nenhum que haja dentro do partido opiniões distintas. E há uma coisa que é limpa. Nunca escondi de ninguém que tinha este objetivo. Mostrei logo que queria ser candidato já há algum tempo, e oficializei em setembro, tudo atempadamente, antes de sair para a comunicação social, porque acho que é assim que devemos ser, sempre o mais transparentes possível”, comenta.

Sobre a candidatura do opositor, Forte relembra que o mesmo já foi presidente do partido e presidente da mesa de plenário. “Agora volta atrás ao partido novamente? É legítimo, claro, todos os militantes o podem fazer, mas acho que não faz muito sentido. E a diferença dos projetos. Acho que nunca foi tão fácil para um militante escolher. Os projetos são bem distintos, assim como as pessoas que compõe as listas. Não vou influenciar os militantes, mas se vão ver o que propõe um e o outro, consegue identificar”, garante.

Forte e Vilela lideraram comemorações do 25 de Abril, em 2017

“As pessoas pensam que isto é quase uma guerrilha, mas não é. De dois em dois anos, há este momento. E há-de haver, enquanto existir democracia. Como aqui a maioria é PSD, se calhar sente-se mais estas vibrações. É bom, sente-se que o partido está vivo, mesmo fora das eleições autárquicas e legislativas. Quem gostar do partido gosta deste movimento. O partido está vivo”, aponta o candidato da Lista B.

Devolver o partido ao povo

Um dos principais motes da candidatura de Hélder Forte passa por “devolver o partido ao povo”. Para isso, quer uma aposta forte nas freguesias, onde pretende criar vários núcleos PSD. “Com estes movimentos estamos mais próximos do povo. Isto para contrariar toda uma tendência a nível nacional na qual temos um político conotado de modo pejorativo e não devia ser assim. Os políticos estão lá porque o país se gere através da política, quer queiramos ou não. Então pergunto o porquê de se afastar a política do povo? Se calhar o trabalho foi feito ao contrário nos últimos anos. Vimos políticos que ninguém lhes podia tocar e eram os maiores. Agora não há confiança. E a política tem que ser feita de pessoas que estejam junto do povo, para que o povo acredite novamente nos políticos”, refere.

Hélder Forte durante uma ação de reflorestação na Leiroinha, em Cervães / FAS / SemanárioV

“Queremos criar um conselho estratégico municipal, para ter pessoas, não-militantes, que possam dar a sua opinião. Achámos que o sentido é este.Temos de ouvir as pessoas, a sociedade civil. Os próprios militantes não estão a ser ouvidos, não há plenários e não há reuniões, o partido está demasiado fechado e inacessível à população. Não vou dizer que esta concelhia trabalhou bem ou mal. Mas acho que posso ser uma mais valia. Porque acredito mesmo na aproximação do povo. Só o amigo do amigo é que pode falar com o presidente? Para evitar isso temos de criar estruturas nas freguesias, que depois possam ir a uma reunião concelhia e possam articular as suas ideias”, explica.

“Por isso é que quero criar também um congresso autárquico, para que os militantes possam falar com alguém da Nacional pelo menos uma vez por ano. Podemos transmitir a palavra da dificuldade política local de uma forma mais simples. Com isto, todos nós crescemos. Com isto podemos passar uma informação mais fidedigna ao militante que nos questiona. Isso é uma alternativa ao que existe a nível distrital, e é transversal a todos os partidos. O povo é que decide se sim ou não. Por isso é que temos de lhe dar a voz”, aponta.

Propostas da Lista B

“A figura de presidente de junta está a mudar”

Hélder Forte será um dos primeiros presidentes de junta candidato a uma concelhia. “Isto acontece porque a política está a mudar”, acrescenta. “Os presidentes de junta estão mais atentos e isso faz parte do surgimento de uma nova era. E temos a possibilidade de despoletar toda uma conjuntura que não existia. Um presidente de junta já pode pertencer a um órgão de uma comissão política. Já não é sempre o mesmo grupo de pessoas. Acho que o povo sente-se mais confortável porque é ouvido porque um presidente de junta está habituado ao primeiro impacto. Antigamente um presidente de junta só servia para assinar atestados. Agora preocupam-se com a freguesia, com o futuro da freguesia, e para isso têm de se preocupar também a nível político no concelho, no distrito e no país e fazer passar a sua influência junto do poder local”, diz.

Preparar eleições de 2019 caso seja eleito

Caso seja eleito, Hélder Forte reconhece que “há muito a fazer”. “Temos de pensar na nossa sede física, por detrás do Tribunal de Vila Verde. Mas o primeiro passo será preparar o ano de 2019, onde vamos ter dois processos eleitorais – europeias e legislativas. Esta CP deve-se esforçar para que continuemos a ter um eurodeputado e um deputado na Assembleia da República, e isso é um trabalho que tem de ser levado a sério”, diz Forte.

“Nós temos um eurodeputado que conseguiu mobilizar uma enorme quantidade de dinheiro europeu para ajudar o país. Temos um deputado nomeado para a comissão de inquérito ao caso Tancos. São daqui. Com os nossos costumes, estão em cargos de importância. Eles levam dentro deles os nossos hábitos e cultura. Se fora daqui está a dar fruto, de certa forma, é porque conseguem transmitir o que somos aqui, e são bem sucedidos. Quantos concelhos queriam ter acesso a estas duas fontes? E está a correr bem, pelos vistos. Não tenho dúvida que se esforçam para o nosso desenvolvimento. Mas falámos disso lá para maio de 2019 [risos]”.

Candidatos à Câmara

Hélder Forte reconhece que há gente preocupada com o candidato às eleições autárquicas de 2021, caso seja a sua lista a escolhida para a comissão. Mas relembra que ainda há outra eleição para a concelhia antes das próximas autárquicas. “Candidatos à Câmara? Temos de perceber uma coisa. Ainda há outra eleição da comissão política antes das eleições autárquicas e sei que isso preocupa muita gente. Porque não estão esclarecidos. Mas volta a lembrar que de dois em dois anos há sempre eleições”, atira.

Adriano Ramos, da JSD de Vila Verde, com Rui Rio e Hélder Forte

Inserir a JSD na vida do PSD de Vila Verde

“Pretendo trabalhar em pleno com a JSD. Pretendo sermos parceiros, que volte a haver um casamento entre o partido e a JSD. E há muita coisa em que nos podem ajudar. E sei que todos vão ajudar. É preciso cativar cada vez mais os jovens, e a JSD podem ser os braços do partido no terreno. A JSD é uma estrutura autónoma e irreverente. Já fui vice-presidente e percebi isso. São muito eles. Sentem muito o partido e temos referências da nossa jota a nível nacional, a vice-presidência de uma candidatura era de cá. Eles estão em pleno a nível nacional. O que eles criaram nas freguesias, os núcleos, pretendo fazer igual mas com núcleos do partido, como já houve em Prado. É mais próximo ficar mais próximo da sociedade, do que ter 13 pessoas numa concelhia a abraçar dezenas de milhares de pessoas. A JSD não é elitista, cria núcleos. É uma forma de se criar ligações e raízes ao partido”.

Miguel Peixoto é candidato a presidente do plenário

As eleições “internas” para a comissão política do PSD de Vila Verde realizam-se no próximo dia 30 de novembro. Estão elegíveis para votar um universo de 1300 militantes com cotas em dia. Do outro lado está António Vilela, com a Lista A.

António Vilela quer rumar ao futuro

António Vilela já formalizou a candidatura na Lista A à Comissão Política Concelhia do PSD, sob o mote de “Rumo ao Futuro”.

O atual presidente da Câmara de Vila Verde conta com o apoio direto de dez presidentes de junta que integram a lista, assim como de Júlia Fernandes, atual vereadora da Câmara de Vila Verde.

Como vice-presidentes, Vilela escolheu dois autarcas que têm ganhado relevante peso nos últimos anos dentro do PSD. Manuel Lopes, de Moure, e Carlos Cação, de Valões [Vade].

Foto: Paulo Moreira Mesquita

Já Sónia Vilas Boas foi indicada como secretária e Narciso Gama, presidente da junta de Freiriz, está indicado para tesoureiro.

Júlia Fernandes, atual vereadora, acompanha António Vilela, ficando responsável pela liderança da Mesa de Plenário. Já o vice-presidente da Mesa é Carlos Ferraz, autarca de Vilarinho, Sande, Barros e Gomide.

António Vilela apresenta ainda na sua lista a seção de “Conselhos estratégicos”, onde mais dois autarcas marcam presença. Carlos Pedro, da Lage, ficará responsável pela pasta das “autarquias locais”. Já César Cerqueira, autarca de Pico de Regalados, Gondiães e Mós, fica com a pasta da Mobilidade e Infraestruturas.

A deputada municipal, Susana Silva, está indicada para a pasta da Ação Social, Educação e Formação Profissional, enquanto Mário Nogueira, “dinossauro” do partido, fica com o “pelouro” da Economia e Desenvolvimento”.

Ricardo Rio participa no “Namorar Portugal”, a cargo de Júlia Fernandes e António Vilela

Também o deputado Filipe Lopes integra este conselho, ficando com a pasta da Juventude, Desporto e Empreendedorismo Por fim, o deputado Luís Sousa, fica com a Saúde, Natalidade e Envelhecimento Activo.

No que diz respeito a vogais da Lista liderada pelo atual presidente da Câmara, estão ainda Jorge Oliveira, autarca de Dossãos, Anabela Fernandes, antiga presidente de junta de Marrancos e Arcozelo, António Cunha, ex-autarca de Atiães, Adelino Machado, autarca de Escariz, Bruno Macedo, autarca de Ponte, Luís Ferreira, autarca de Coucieiro. Isabel Morais, Glória Lago, Sónia Vale, Júlio Ferraz e Paulo Fernandes ocupam os restantes cargos como vogal. Martinha Couto Soares é a mandatária da candidatura.

Já na mesa da assembleia, para além de Júlia Fernandes como presidente e Carlos Ferraz como vice-presidente, encontra-se ainda o nome de Reinaldo Martins, como secretário, e de Anabela Rei, como secretária adjunta.

As eleições para os novos órgãos da concelhia do PSD de Vila Verde decorrem no dia 30 de novembro, entre as 19h00 e as 23h00.

António Vilela e Hélder Forte são os dois candidatos à sucessão de Rui Silva na presidência desta estrutura.

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Fernando André Silva

Jornalista