Andreia Santos Opinião

Opinião. “Those who don´t believe will never find it”

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

E Dezembro chegou. Como ouvi hoje dizer “a Sexta-feira do ano chegou”. A esperança deste lado é de que realmente o teu 2018 esteja a terminar com alegria e com o típico desacelerar de quem entra em final de semana e começa a ter mais tempo para o que fundamentalmente importa. Escrevo-te ao Domingo e estou à lareira, depois da manta no sofá, do filme e do chá que acompanharam a tarde introspectiva de Natal. Sim, é. Já é Natal aos bocadinhos…

Prometi-te no mês passado que te falaria da magia desta época. Já te questionaste sobre o porquê de estarmos naturalmente mais felizes e no nosso melhor nesta altura do ano? Há várias razões que explicam esta energia boa. Esta é uma estação que estimula os sentidos, os aromas, os paladares, as músicas natalícias preenchem o desejo humano profundo de viver a nostalgia. E a recordação das experiências positivas passadas, da infância e outras, afetam-nos, trazendo maior conexão social e um sentimento mais optimista quanto ao futuro. Quem esteve em Braga por hora do reacender das luzes sabe bem disto. É tão bonita a árvore que agora ilumina a cidade… Para além dos factores que nos trazem as memórias, existe outro que quero salientar. Podemos criticar o consumismo e o aspeto comercial que viveremos nos próximos dias, com razão. Mas gostava que te desses conta do quão importante é a generosidade, sendo este um dos principais motivos para o encantamento da quadra. Adoramos dar (e devolver a quem nos dá). E um alerta importante é o de que não é preciso que sejam presentes materiais para que a nossa auto-estima, felicidade e visão positiva do mundo aumente. Basta dar. Quando oferecemos, dedicamos os nossos pensamentos e tempo aos outros. E é aqui que está essencialmente o segredo do bem-estar de Dezembro. Não sou eu que o digo, apenas sinto e confirmo, mas a quantidade de estudos que existem sobre a nossa natureza. Várias investigações traduzem que nos dá mais orgulho dar aos outros que a nós mesmos. E até quando não somos bons ao fazê-lo, (quem de vocês nunca recebeu um presente que não queria apenas por cortesia?), incentivamos um princípio cultural inerente que faz despertar a proximidade: a reciprocidade. Só ficamos satisfeitos quando devolvemos a atenção que nos deram. Claro que eu prefiro ser uma boa giver, (espero que tu também) e não entrar em stress com a obrigação de dar. Mas ainda assim, será tudo isto que nos faz ficar mais perto uns dos outros.

“Givers advance the world.” Tenho um pedido, e não te queixes que os faço muitas vezes, podes ganhar com este também. No filme que vi hoje, (sim, as histórias de Natal também nos fazem gostar dele), havia givers. Havia um em especial que redescobriu a magia, depois de se aproximar da ideia mais importante de todas: nós não vivemos sozinhos. E é assim que quero terminar e desejar-te o mais feliz Natal de sempre: não te esqueças durante o ano daquilo que nós seres humanos gostamos mais e pergunta-te mais vezes o que fazia os teus olhos brilhar quando eras uma criança. Vive-o nas tuas acções, sem julgamentos, sem distinções, indiscriminadamente sê o que nasceste para ser: um (a) doador (a). Há poucos dias em Tibães disse aquilo em que acreditava: somos demasiado inteligentes para deixar que o mundo tropece sem levantar. Também me disseram noutro lugar que eu acreditava ainda no Pai Natal… pois… sorri… respondi que sim. Que tu também. Noite Fraterna. Até já.

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Acerca do autor

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Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional