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Braga. Carvalho com 60 anos produz 600 litros de chuva num dia

Fernando André Silva

Sabia que um carvalho com 60 anos consegue produzir 600 litros de chuva em apenas um dia? Ou que uma minhoca produz três quilos e meio de solo fértil durante a sua vida? Ou que o violino original da Stradivarius foi feita com uma madeira que já não existe? Esta e outras questões são explicadas pelas monitoras responsáveis pela exposição “A Floresta”, patente no centro da cidade de Braga, com apoio da Fundação BPI, até 10 de janeiro.

Fizemos uma visita guiada por este certame instalado no Largo de S. João do Souto, que pretende consciencializar os visitantes para a importância do ecosistema florestal e descobrir tudo aquilo que a Floresta pode oferecer.

Exposição A Floresta (c) FAS / Semanário V

À entrada do museu itinerante, encontrámos uma parte dedicada ao ecosistema onde a floresta é abordada “como um todo”, como nos explica a monitora responsável pela exposição que está patente até final do mês, no Largo do Souto. É também possível observar as minhocas durante o ato de fertilização de solo e ver a olho nu a diferença de idades através de uma “roda” de tronco de uma árvore florestal típica da península ibérica e uma pertencente às florestas tropicais.

Exposição A Floresta (c) FAS / Semanário V

Em outra sala, uma árvore é exposta em três partes (raiz, tronco e copa), onde são abordados vários temas, como a propagação das sementes, seja por vento ou por animais. Segue-se um sistema interativo onde é visualizada a evapotranspiração através de tubos acionados por uma manivela que o visitante pode girar.

“Falámos também na participação da floresta no ciclo da água, a nível da diminuição da erosão do solo. Se houver vegetação há menos erosão do solo e o fluxo de água é maior evitando derrocadas. Depois de um incêndio, com as primeiras chuvas, há deslizamento de solo porque a raiz deixa de prender, mostrando a importância da floresta para o solo”, explica a monitora.

Exposição A Floresta (c) FAS / Semanário V

Violino único e impossível de replicar

Um dos grandes atrativos da exposição é um violino Stradivarius. “Muita gente acha curioso a colocação de um Stradivarius. Primeiro serve para demonstrar uma utilização da madeira a nível artístico e cultural. E está aqui na exposição porque a madeira que construíram os violinos originais tinha uma característica particular, era feita de árvores que cresceram num período climático atípico, onde o clima era muito frio, e a madeira ficou mais densa. A árvore não cresceu tanto a cada ano e essa madeira teve uma caracteristica diferente. Nunca mais foi possível replicar o som daquele instrumento”, vinca.

(c) FAS / Semanário V

Noutro espaço, um mapa explica os tipos de árvores dominantes na floresta ibérica. “Aqui falámos da floresta da península, que árvores dominam em cada um dos dois países. E introduzimos a problemática dos eucaliptos, das mimosas, e das árvores que não são autóctones e que rapidamente se propagam”, refere.

Estão incluídas na exposição 18 espécies de árvores características de Portugal. No leque estão árvores não autóctones, mas que são expressivas, como é caso do eucalipto. O pinheiro bravo e pinheiro silvestre, não são autóctones, mas ja são consideradas árvores naturalizadas, porque a introdução foi feita há muito tempo. O eucalipto não é naturalizado.

Exposição A Floresta (c) FAS / Semanário V

Produtos derivados da floresta

A utilização florestal pode ser feita de várias formas, umas sustentáveis outras nem por isso. Noutro espaço da exposição “A Floresta”, podemos encontrar alguns produtos que alertam para o que a floresta pode fornecer para além da madeira. Frutos, folhas para chás, cogumelos frescos e secos, ervas aromáticas, louro, tília, compostos da natureza para a indústria farmacêutica e cosmética.

Exposição A Floresta (c) FAS / Semanário V

São vários os exemplos. Há também garrafas de vinho, que da floresta têm não só as rolhas mas os próprios barris de madeira em que se conserva o vinho ou a água ardente e condiciona o sabor. Há também mel com pólen de árvores florestais, como o “muito procurado” mel de eucalipto.

“Esta iniciativa é um excelente exercício de educação ambiental”, disse Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga, sobre a exposição. “Deixo o repto a todos os bracarenses e aos muitos visitantes que nesta época estão na cidade para visitarem a exposição e aprenderam mais sobre estes temas”, acrescentou.

Depois de passar por Coimbra, Portimão e Viseu, a exposição “A Floresta” fica em Braga até dia 10 de janeiro.

 

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Jornalista