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Nesta quinta em Caldelas, pessoas com deficiência encontram sempre um sorriso

Equitação terapêutica na Quinta do Lamoso (c) Luís Ribeiro / Semanário V
Fernando André Silva

Na Quinta do Lamoso, em Amares, existe uma modalidade de equitação que é apropriada para tratamento de pessoas com limitações físicas e mentais – equitação terapêutica – e os utentes do Centro de Atividades Ocupacionais de Vila Verde da APPACDM têm servido como prova para os fins já alcançados.

Acompanhámos uma sessão de equitação terapêutica com esses utentes, onde foram desenvolvidas várias atividades a cavalo que passam pela coordenação motora, identificação visual de objetos e um ganho de confiança mental por lidarem com “animais” de grande porte.

Natália Macedo, assistente daquela instituição, explicou um pouco deste projeto ao Semanário V, abordando os vários benefícios que os utentes têm registado.

Natália Macedo acompanha os utentes nas aulas (c) Luís Ribeiro / Semanário V

“Esta vontade dos utentes em praticar equitação terapêutica já vem do ano transato, quando iniciamos o projeto Trotim, que englobava esta modalidade financiada pelo Instituto Nacional de Reabilitação quase na totalidade”, explica a responsável, indicando que “os recursos humanos” eram fornecidos pela APPACDM.

Mas o projeto, que durou alguns meses, terminou no final de 2017 e deixou “órfãos” os utentes que regularmente pedem para regressar à Quinta de Lamoso. “A equitação terapêutica tem vários benefícios, não só a nível físico mas também mental. Temos um jovem que é muito inibido e nunca conseguia fazer nada porque achava sempre que não ia conseguir. Até as tarefas mais simples do quotidiano ele tinha dificuldade e falta de confiança. Quando entrou neste projeto, revelou-se o melhor cavaleiro entre todos, enquanto os colegas ainda estavam na primeira modalidade de equitação – passo -, já ele pratica a galope”, revela.

Equitação terapêutica na Quinta do Lamoso (c) Luís Ribeiro / Semanário V

Natália aponta que é necessário “um grande equilíbrio e certas técnicas”, mas tudo isso foi alcançado pelo utente. “Ele ficou com a autoestima tão elevada que começou a acreditar que conseguia fazer de tudo. Depois, no centro, notei muitas melhorias. Aparecia mais focado nas atividades e modificou por completo o seu comportamento”, esclarece.

“Tínhamos outros três utentes que tinham problemas físicos sérios. E foi interessante ver o desempenho deles durante a equitação. Já conseguiam manobrar o cavalo sozinhos e perceber a agronomia dos movimentos, adaptando-se aos mesmos. É uma relação que se estabelece entre cavalo e cavaleiro que melhora a confiança destes utentes”, explica, dando o exemplo de um utente – Jorge – que aprendeu a ter uma postura “fantástica” em cima do cavalo, e que se tem notado diferenças na postura física no dia-a-dia.

Equitação terapêutica na Quinta do Lamoso (c) Luís Ribeiro / Semanário V

Dos utentes que participaram no projeto Trotim – 14 – alguns deles têm regressado a Amares, a convite da própria Quinta do Lamoso, como explica Natália. “O sr. Manuel aqui da quinta tem a amabilidade de nos convidar de vez em quando para fazermos uma aula de equitação terapêutica”, refere. E é sempre motivo de alegria para os utentes.

Manuel Silva é o responsável pela equitação terapêutica na Quinta do Lamoso. O antigo militar, que tem formação na área da equiterapia, compreende a falta de desafogo financeiro na APPACDM e daí surgiu um convite para uma aula “pro-bono”, para os utentes “matarem saudades”.

Sr. Manuel acompanha a sessão de equiterapia (c) Luís Ribeiro / Semanário V

O responsável pela Quinta do Lamoso explica que estas atividades baseiam-se em exercícios de equilíbrio e autoconfiança em cima do animal. “Fazemos exercicios baseados em maneio. Desde porem argolas e bolas até estar à vontade em cima do cavalo. Tem corrido sempre bem”, aponta.

Nos exerícios, Manuel explica que há vários postes pintados de cor diferente e que o objetivo passsa por colocar as bolas e argolas no poste com a cor acertada. “Serve para estarem com atenção e para distinguirem as cores, já por isso é que os postes são pintados de cores diferentes, e assim conseguem ter melhores reflexos mentais”, adianta.

Equitação terapêutica na Quinta do Lamoso (c) Luís Ribeiro / Semanário V

“Temos esta especialidade de hipoterapêutica há ano e meio a funcionar, onde temos trabalhado não só com o CAO de Vila Verde mas também com uma instituição aqui de Amares. Os utentes saem daqui felizes e estão sempre a querer que chegue o dia de voltar aos cavalos. Temos aqui uma equipa de cavalos que nos dão confiança para trabalhar com estes utentes e os seus problemas. E temos tido resultados impressionantes, tanto com os de nível físico como os que têm algum défice a nível mental”, finaliza.

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Jornalista