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Afluência deste domingo esgotou produtos em várias lojas do centro de Braga

Parada de Natal 2018 (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Milhares de pessoas rumaram este domingo ao centro histórico de Braga para mais uma edição da Parada de Natal, que este ano trouxe uma afluência maior do que o habitual, havendo mesmo comerciantes a comparar o evento de ontem à Noite Branca ou ao próprio São João.

O Semanário V falou com alguns comerciantes das principais ruas do centro histórico de Braga e recolheu elogios e críticas à organização, mas todos registaram um saldo “bastante positivo”, com quase todas as lojas a esgotarem produtos e algumas a venderem no dia aquilo que habitualmente vendem em uma semana.

Também Lídia Dias, vereadora da Cultura da Câmara de Braga, disse ao Semanário V que a afluência estava a ser maior que o habitual, reforçando a vinda de “muita gente de fora do concelho de Braga”.

Vereadora da Cultura de Braga, Lídia Dias, marcou presença na Parada (c) FAS / Semanário V

Daniel Carvalho, gerente da Queijaria Central, situada ao lado dos Congregados, e Filipa Machado, médica e farmacêutica da Farmácia Martins, na porta ao lado, apontam um cenário “quase caótico” durante a tarde de ontem.

“É benéfico porque vem muita mais gente à cidade do que num dia normal, mas ontem foi de tal forma caótico, que o que houve, e no nosso caso específico, a Parada foi formada à nossa porta e as pessoas ficaram paradas muito tempo à porta, cerca de hora e meia. Os clientes que estavam dentro não conseguiam sair e os que estavam fora não conseguiam entrar. Foi uma loucura. Tinha funcionários que entravam às 16h e não conseguiram chegar a tempo porque nem de carro nem a pé, estava tudo caótico, não só no centro como nos acessos”, diz Daniel Carvalho, revelando que “a pastelaria esgotou”.

Daniel Carvalho, gerente da Queijaria Central (c) FAS / Semanário V

“Os bolos foram todos, as bebidas só não foram porque tínhamos em stock”, aponta. “É muito bom termos estas iniciativas, sou totalmente a favor e compreendo que tem de se formar em algum lado o “cordão” para a Parada, mas colocar no centro da Avenida seria mais conveniente para nós”, sugere.

Já Filipa Machado afirma que estas iniciativas são necessárias para não deixar morrer o comércio no centro histórico. “Nós precisamos disto, porque isto é que traz pessoas ao centro, em vez de irem aos shoppings. No entanto, alerta para “as pessoas que estavam à espera e ficaram a ocupar as portas”. “Sei que não dá para controlar isso, mas foi complicado. Estamos muito contentes com a iniciativa, mas partilho da mesma opinião do Daniel, deviam colocar ali ao pé do lago, no corredor central. Mas que haja iniciativas”, vinca a farmacêutica.

Banca no topo da Av. da Liberdade (c) FAS / Semanário V

Já Maria do Rosário, vendedora ambulante que há mais de 30 anos ocupa o mesmo lugar, no topo da Av. da Liberdade, não tem dúvidas. “Desde que estou aqui há 30 anos nunca tive assim um dia”. “Vendemos tudo, bonecada, gorros, pais-natal, foi mesmo espetacular”, vincou a comerciante residente no Fujacal, em Braga.

“Ontem foi espetacular, digo que tinha mais gente que no São João. Já tem havido cortejos bons no Natal mas enchente como esta nunca tinha visto. Não há nada a apontar à organização. É muito bom passarem aqui nas ruas do centro para podermos vender mais. Foi fora de série”, reforça Maria do Rosário.

Parada de Natal 2018 (c) Sérgio Freitas / CMB

Gelados, raspadinhas e tabaco esgotaram em várias lojas

Filipa Abreu, funcionária da Boutique do Gelado, revela que a loja prolongou o horário de fecho em mais duas horas. “Tinha muita gente na rua, não chovia e as pessoas apareceram. Depois prolongou-se até depois da Parada. Habitualmente fechamos às 20h, mas ficámos abertos até às 22h”, confessa a funcionária, revelando que os gelados esgotaram.

“Estávamos prevenidos mas houve gelados que esgotaram, quase todos na verdade. A parada não passou mesmo aqui à porta, mas para passarmos para a esplanada foi difícil, mas isso já acontece na Noite Branca e São João. Não digo que estivesse mais gente, mas teria tanta gente como no São João, certamente”, vincou Filipa Abreu.

Também Fernando Duarte, proprietário da tabacaria “Sorte à Vista”, revela que vários produtos esgotaram de forma surpreendente, como as raspadinhas mais baratas e as marcas de tabaco mais conhecidas do mercado.

“De manhã foi normal, mas de tarde, a partir das 14h, foi uma autêntica loucura, com muitos espanhóis, muitos portugueses, com sotaques de vários pontos do país, muita gente, mesmo”, vinca.

Fernando Duarte, proprietário da “Sorte à Vista” (c) FAS / Semanário V

“Se não tivéssemos vários produtos em stock, íamos ter de fechar mais cedo, mas sabemos que nesta altura há mais afluência”, diz, confessando no entanto que “não era esperado tanto movimento”. “Raspadinhas de um euro, desapareceu tudo. Fechamos um bocado mais tarde que o habitual, mas havia gente na rua que daria para estarmos abertos até muito mais tarde, e houve essa pressão, mas fechamos pelas 19h15”, diz.

Marcelo Sousa, gerente da Pretzel (c) FAS / Semanário V

Marcelo Sousa, proprietário da padaria Pretzel e da loja Nut, fala num saldo “muito positivo”. Esgotamos toda a pastelaria e as bebidas também, mas tínhamos stock para repor”, diz o empresário brasileiro, que adquiriu recentemente a pastelaria da Rua do Souto.

“Teve muito movimento, houve alguns problema na frente da loja porque as pessoas ficaram ali paradas, mas o saldo foi muito positivo. Qualquer atividade que resulte num movimento na rua, acho que é positivo para o comerciante”, diz Marcelo.

Parada de Natal 2018 (c) Sérgio Freitas / CMB

Lojas venderam mais num dia do que numa semana inteira

Pelo comércio de têxtil, a “loucura” foi igual, com lojas a venderem em apenas um dia aquilo que habitualmente vendem numa semana. Na Lib Baby & Kids, loja de moda infantil e juvenil, o movimento foi “fora-de-série”, como aponta Custódia Pereira, funcionária da loja.

“Foi fora-de-série, a nível de movimento na rua, tivemos muitos clientes, muitos espanhóis, e os domingos não costumam ser assim. Quando fechei a loja ontem, depois das 19h, ainda permanecia junto à Arcada muita, muita gente”, refere, revelando que “em um dia vendemos mais do que numa semana inteira”.

Loja Lib Baby & Kids (c) FAS / Semanário V

Custódia fala ainda no “caos” que se gerou no trânsito devido à grande afluência. “O meu marido queria vir à loja e não conseguiu. Tive clientes que deixaram o carro em Ferreiros para vir aqui às compras. Mesmo os proprietários vieram cá ontem à tarde e estiveram consumidos durante horas no trânsito e depois por entre as pessoas nas ruas, para conseguirem cá chegar”, diz Custódia.

A funcionária só lamenta não ter conseguido atender de forma personalizada, devido às longas filas que se geravam para entrar nas lojas. “Por mais que quisesse dar o habitual atendimento personalizado, ontem foi impossível”, confessa.

A tradicional Parada de Natal de Braga realizou-se este domingo, dia 9, com mais de 700 participantes que encheram de “magia natalícia” o centro histórico da cidade, com direito a renas ao vivo e até neve artificial, que fez as delícias dos mais pequenos.

O desfile, que engloba várias escolas de dança, associações e outros grupos infantis, partiu pelas 16h da Avenida Central, descendo a Rua do Souto até à Dr. Justino da Cruz, regressando à Av. Central pela Rua dos Capelistas.

A Parada de Natal faz parte da programação municipal “Braga é Natal”, que engloba perto de 100 atividades durante todo o mês de dezembro.

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Fernando André Silva

Jornalista