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Boicote dos Bombeiros à ANPC não compromete socorro em Braga e Vila Verde

Quartel BVVV (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Decorre desde as 8 horas da manhã desta segunda-feira um boicote geral das corporações de bombeiros voluntários perante a Autoridade Nacional da Proteção Civil, e os quartéis de Braga e Vila Verde não são excepção. O boicote, convocado pela Liga de Bombeiros, é um protesto contra os diplomas sobre as estruturas de comando aprovados recentemente pelo Governo.

O Semanário V esteve nas duas corporações de bombeiros voluntários de Braga e Vila Verde e constatou que este boicote não está a condicionar os serviços normais de apoio à população.

António Ferreira, presidente da direção da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Braga, disse ao Semanário V que os bombeiros bracarenses aderiram ao protesto a nível nacional, mas que tal não está a comprometer o socorro.

“Não há qualquer tipo de greve ou abandono de funções. Simplesmente não estamos a comunicar à Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) os serviços que vamos efetuando”, explicou o capitão Ferreira.

“A população pode estar tranquila que o socorro está assegurado”, reforçou, salientando, no entanto, que caso aconteça “uma calamidade como um grande incêndio ou vários desastres”, o boicote pode provocar desorganização entre as diferentes corporações.

Já em Vila Verde, os bombeiros e a equipa EIP continuam a efetuar o trabalho diário regular, de assistência e proteção à população.

Contactado pelo Semanário V, o 2.º comandante Luís Morais remeteu declarações para o comunicado da Liga de Bombeiros, salientando que “é esse o propósito da interrupção de comunicações para com a ANPC”.

Em declarações aos jornalistas no passado sábado, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Marta Soares, disse que os bombeiros deixam de participar na estrutura da ANPC, “não ouvindo nada do que dizem os CODIS (comandantes distritais operacionais)”, bem como em todos os eventos em que estejam representantes desta entidade ou membros do Governo, podendo mesmo “não participar no dispositivo dos incêndios florestais”.

Em causa estão as propostas aprovadas pelo Governo em 25 de outubro, na área da proteção civil, com a maior contestação centrada nas alterações à lei orgânica da Autoridade Nacional de Emergências e Proteção Civil, futuro nome da atual ANPC, reivindicando a LBP uma direção nacional de bombeiros “autónoma independente e com orçamento próprio”, um comando autónomo de bombeiros e o cartão social do bombeiro.

Marta Soares assegurou que esta atitude dos bombeiros não porá em causa a segurança e o socorro aos portugueses, garantindo que estes continuarão a funcionar “exatamente na mesma”.

“Nós sabemos organizar-nos em termos de comandos, nós tínhamos as nossas zonas operacionais, que nos retiraram e que estamos fartos de propor para serem repostas, que são ferramentas fundamentais para o enquadramento de uma estrutura de comando”, afirmou no final de uma reunião que se realizou na manhã de hoje no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, e cujas decisões serão sufragadas num congresso nacional.

* Com Lusa

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Fernando André Silva

Jornalista