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Polícia barra cidadãos e presidente da junta durante visita de deputados à Confiança

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Escrito por Redação

A audição da Plataforma Salvar a Fábrica Confiança pela Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, presidida pela deputada Edite Estrela, decorreu esta segunda-feira no Fórum Braga, depois de uma visita turbulenta às instalações da antiga saboaria.

A plataforma de cidadãos terá sido impedida de entrar nas instalações da fábrica pela Polícia Municipal, sob ordens da Câmara de Braga. Segundo aquela plataforma, à última da hora, a participação na visita à saboaria dos membros da Plataforma, do presidente da Junta de Freguesia de S. Vítor e de deputados Municipais, foi impedida pela Polícia Municipal.

Em comunicado, os cidadãos referem que a Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto tinha autorizado que a visita à fábrica fosse aberta a mais entidades. “Não se consegue entender o propósito desta restrição, bem como o da convocação da Polícia Municipal para controlar a entrada no edifício”, avança o mesmo comunicado.

“A Câmara de Braga deixou claro haver uma dualidade de critérios, uma vez que permitiu a entrada de outras pessoas não inscritas previamente na visita da Comissão Parlamentar. Durante a audiência com a plataforma, a presidente da Comissão Parlamentar lamentou esta restrição à entrada explicando que não entendeu as razões de tal proibição”, refere a plataforma.

Também a deputada Edite Estrela, presidente daquela comissão, lamentou a situação. “Lamento que não nos tivessem podido acompanhar na visita. Quando fizeram o contacto remeti para a Câmara, para ver se nos podiam acompanhar. Lamento porque, de facto não havia razão, o espaço é muito amplo e havia condições para haver mais pessoas”, disse.

Durante o encontro com aquela comissão parlamentar, a Plataforma defendeu, em primeiro lugar, que a Fábrica Confiança é “essencial à memória coletiva de Braga e do país” e sustentou que o Município de Braga deve, enquanto entidade proprietária, “zelar pelo edifício garantindo a limpeza e conservação mínimas, impedindo a sua progressiva degradação tal como a própria Câmara exige aos proprietários privados”.

“Deve ainda cessar a utilização do complexo industrial (interior e exterior) como depósito de todo o tipo de entulho que causam mais desgaste num conjunto sensível do ponto de vista patrimonial e arqueológico”, refere a mesma plataforma de cidadãos.

A plataforma, relembrando diversos eventos culturais realizados na Confiança, defendeu que perante um “desinteresse” do atual executivo na dinamização do imóvel, a sua gestão deve ser entregue a outra entidade que assegure um destino cultural público, sugerindo a título de exemplo a Junta de Freguesia de S. Vítor, autarquia empenhada há mais de uma década na preservação deste imóvel.

A Plataforma sugeriu ainda que a Assembleia da República considere uma alteração legislativa ao Regime Jurídico do Património Imobiliário Público que clarifique e estenda os princípios gerais aí consagrados para os imóveis do Estado ao património das Autarquias Locais.

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