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Funcionário do tribunal de Braga nega ser “toupeira” de empresário

António Macedo à saída do Tribunal de Braga / Imagem: CMTV
Fernando André Silva

O funcionário judicial indiciado por crimes de espionagem no Tribunal de Braga negou ter servido como “toupeira” para um empresário de Braga, no início do julgamento por três crimes de que é acusado e que decorre desde segunda-feira.

António Macedo, natural e residente em Braga, também irmão do antigo ministro da Justiça, Miguel Macedo, está indiciado pelos crimes de acesso ilegítimo, peculato e abuso de poder, encontrando-se com funções suspensas de Técnico de Justiça Adjunto no Departamento de Investigação e Ação Penal em Braga.

Regressou esta segunda-feira ao palácio da justiça bracarense para ocupar o banco dos réus, negando acesso aos processos que envolvem o empresário de construção civil João Silvério Campos da Silva, da empresa “Campos Silva”.

O funcionário estava também indiciado por corrupção por suspeitas de ter beneficiado com aquisição de património a troco desse tipo de informações, algo que o Ministério Público acabou por demonstrar não estar provado, não encontrando quantias suspeitas nas contas bancárias do arguido.

Segundo a acusação a que o Semanário V teve acesso, que o arguido tomou conhecimento de um inquérito crime àquele empresário, tendo passado a acompanhar o mesmo sem que tal lhe tivesse sido designado em suas funções.

Refere o Ministério Público que Macedo acedeu à plataforma Citius, que serve como suporte de trabalho para os funcionários da justiça, acessando ficheiros autónomos não-relacionados com o seu trabalho a partir das 10h05 do dia 14 de setembro de 2015, regressando a 17 de setembro, já fora do horário de trabalho.

Voltou a aceder a 20 e 22 de setembro, a 7, 18 e 26 de outubro, a 2, 4, 12, 17, 24 e 26 de novembro, sempre que o processo ia conhecendo desenvolvimentos naquela instância.

Diz ainda o MP que António Macedo se encontrou com o empresário Campos da Silva no dia 26 de novembro, na pastelaria “Montalegrense”, em Braga, para lhe entregar uma série de documentos, entre os quais registos bancários, faturas e cheques titulados pelo denunciante do processo contra aquele empresário.

Depois dessa “entrega”, o arguido terá acedido mais de duas dezenas de vezes ao mesmo inquérito criminal de forma indevida. Está acusado ainda de recolher documentos físicos ao fim-de-semana em locais que não são o seu posto de trabalho, tendo beneficiado de possuir chaves para aceder à secretaria do DIAP. Terá fotocopiado mais de 200 folhas daquele processo.

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Jornalista