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Joaquim Malheiro. O patriarca do folclore em Vila Verde

Joaquim Malheiro (c) Luís Ribeiro / Semanário V
Fernando André Silva

Em Vila Verde, e um pouco por toda a região do Minho, não há amante do folclore que não conheça algum elemento da família Malheiro, com mais de 50 anos de dedicação a esta arte tradicional portuguesa.

Joaquim Malheiro, com 80 anos, é o patriarca da família, havendo uma altura em que juntou nove filhos e cinco netos no Rancho Típico Infantil de Vila Verde. Aquela instituição decidiu recentemente homenagear o decano do folclore com uma homenagem levada a cabo num restaurante no Alívio, em Vila Verde.

Foto: Luís Ribeiro / Semanário V

Joaquim Malheiro entrou para o Rancho Típico Infantil de Vila Verde na altura da sua fundação, há mais de 50 anos. Embora tenha saído e entrado algumas vezes, foi meio século ligado àquele grupo, que mereceu o reconhecimento dos restantes elementos deste grupo folclórico com cerca de 55 elementos, 32 deles crianças.

Estivemos à conversa com o presidente daquele rancho, que é também um dos nove filhos “rancheiros” do decano. Alberto Malheiro confessou ao V que o pai “foi a pessoa responsável para que o rancho conseguisse aguentar pelo menos meio século de existência”.

“O meu pai está desde o início e foi uma das principais figuras ao longo dos anos, assim como outros elementos da nossa família. Ao todo estivemos sempre aqui para o ajudar, os filhos, os primos, irmãos, e, claro, não nos podemos esquecer da família Peta, que, em conjunto com a nossa, são os principais dinamizadores desta coletividade ao longo da sua existência”, aponta Alberto.

Foto: Luís Ribeiro / Semanário VA homenagem decorreu no restaurante Martinho, em Soutelo, e foi “emocionante”, segundo relata o próprio Joaquim Malheiro, que viu os filhos chegarem da Alemanha para o surpreender com uma atuação durante o “vira geral”, dança em que os elementos vestidos “à civil” sobem ao palco para dançar com as crianças do rancho. Joaquim Malheiro ficou de tal forma emocionado que chorou com a emoção, algo que, segundo os filhos, “nunca aconteceu”.

“Todos ficámos muito comovidos, e tínhamos algum medo da reação porque foi uma surpresa, ele entrar no restaurante a pensar que ia ter uma atuação normal do rancho e quando percebeu que estavam cá os filhos todos ficou mesmo emocionado”, assegura Alberto.

A homenagem foi um convívio com as crianças no restaurante onde o grupo fez uma atuação. Para além de toda a família Malheiro, estiveram também elementos que já foram do rancho e que fizeram questão de marcar presença na homenagem ao patriarca do folclore em Vila Verde.

Joaquim Malheiro (c) Luís Ribeiro / Semanário V

“Oferecemos uma lembrança que mandámos fazer, uma imagem em boneco do Joaquim Malheiro em ponto pequeno, com o cabelo branco vestido à rancho”, revela o presidente da associação.

Sobre o grupo, confessa que está a correr tudo bem, existindo já uma atuação marcada em janeiro para Atães. “E depois temos vários convites, mas como vamos a eleições em fevereiro, é melhor esperar pelo resultado antes de estar a aceitar”, diz, revelando que há convites para Espanha, Alemanha e para Loulé, no Algarve.

“A ida ao Algarve só falta mesmo tratar da documentação. Fomos convidados depois de uma atuação em Santarém”, explica, indicando que o rancho “está no bom caminho”.

“O grupo tem já muitos anos mas tem melhorado de dia para dia. Acho que a equipa é formidável. Temos cerca de 30 crianças que fazem a parte da dança e outros 20 elementos que tratam da parte musical”, refere, explicando que as crianças, aos 17 anos, passam para outros grupos, sendo necessário voltar a colocar crianças naquele rancho infantil, sendo sempre esse o maior desafio.

Com nove irmãos e cinco netos, só o Joaquim Malheiro conseguiu “povoar” durante várias décadas a instituição, mas os tempos agora são outros e o grupo deixa o apelo para que os pais tragam as crianças a experimentar o folclore.

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Jornalista