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Carrinho de bebé “bloqueado” em passeio relança problemática em Braga

Fernando André Silva

Um passeio pedonal reduzido e viaturas a ocupar parte desse mesmo passeio levou a queixas de moradores da Rua António Fernandes Ferreira Gomes, situada em uma urbanização paralela à Estrada Nacional 14, do lado oposto ao parque empresarial de Ferreiros, em Braga.

José Pedro, morador em um dos prédios, registou alguns desses estacionamentos em vídeo, por os mesmos impedirem o atravessamento de um carrinho de bebé. “A vergonha que é um carrinho com criança querer usar o passeio e ver esta pouca vergonha, Temos de ir com o carrinho e crianças pela estrada”, alerta o morador,

Reforça a culpa dos automobilistas que não “veem o que estão a fazer”. Remete ainda responsabilidade para a Câmara e para os construtores do passeio, que permite facilmente a “invasão” dos carros.

Outros moradores da urbanização reagiram ao vídeo publicado pelo bracarense nas redes sociais, apontando a situação como “recorrente” em vários pontos da cidade.

O estacionamento abusivo, seja a ocupar parte do passeio com partes da viatura ou uma completa irregularidade de ocupação, é algo que tem provocado várias mexidas no centro urbano da cidade.

Em maio de 2018, a Câmara de Braga iniciou a instalação de “pilaretes” em várias artérias do centro histórico, de forma a evitar estacionamento abusivo. Ricardo Rio, edil, reconhece que a invasão de zonas pedonais por parte de automóveis é um problema na cidade.

“Temos constatado que há uma proliferação e reincidência de comportamentos absolutamente abusivos por parte de muitos cidadãos, que transformam os passeios em zonas de estacionamento permanente, em várias artérias do centro. Isso resulta em barreiras para quem circula nessas zonas”, justificou Ricardo Rio aquando da instalação dos primeiros “pilaretes” na cidade.

No entanto, a solução dos pilaretes não agradou à crítica nem à oposição. Para a CDU, os pilaretes foram colocados “de forma desorganizada e desarticulada” algo que resulta numa problemática em relação aos estacionamentos, que envolve fiscalização, crescimento da cidade e falta de civismo mas também de soluções.

Ao invés, querem mais polícia na rua, mais fiscalização e penalização dos infratores. Também nas redes sociais a solução foi questionada com desagrado, sobretudo pelo impacto estético em alguns locais do centro histórico, como no Largo do Pópulo ou no Largo Carlos Amarante, junto ao antigo hospital da cidade.

O apelo a maior policiamento para evitar este tipo de infração é, aliás, partilhada por alguns presidentes de junta da cidade, como é o caso de Luís Pedroso, presidente da Junta de Maximinos, Sé e Cividade.

Aquele autarca já manifestou à edilidade que é necessário um maior investimento na Polícia Municipal para evitar este tipo de comportamento, sobretudo aos fins de semana, à noite, quando carros chegam a estacionar no centro de praças pedonais da cidade.

Já fonte oficial da Polícia Municipal indicou ao Semanário V, neste mês de dezembro, que a fiscalização deste tipo de infração está a ser intensificada, mas é necessária uma participação direta dos cidadãos, apelando a que as situações sejam denunciadas para com aquela polícia.

Polícia Municipal fiscaliza junto ao tribunal de Braga c) FAS / Semanário V

A mesma fonte indicou que estão mais dez novos agentes em formação para reforçar o contingente de 48 elementos daquela polícia. A criação de um terceiro turno, de forma a assegurar a fiscalização durante a madrugada, é outro objetivo da autarquia a curto prazo.

Estacionamento indevido ou abusivo

Segundo a alínea d) do ponto 2 do artigo 164º do Código da Estrada, podem ser removidos os veículos que se encontrem estacionados ou imobilizados de modo a constituírem evidente perigo ou grave perturbação para o trânsito, nomeadamente “em cima dos passeios ou em zona reservada exclusivamente ao trânsito de peões”.

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Jornalista