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Antifascistas de Braga responsáveis pelo silêncio de um mês no Facebook da Maria Vieira

Maria Vieira © DR
Fernando André Silva

Maria Vieira, conhecida atriz portuguesa e voz que recentemente se tem batido por uma ideologia de nacionalismo e anti-esquerdismo, veio a público, através das redes sociais, acusar uma “grupeta de idiotas úteis de Braga” como responsáveis por um bloqueio imposto por aquela rede social que terá durado 30 dias.

Numa publicação datada de 22 de dezembro, a polémica “influencer” aponta o dia 19 de novembro como data de publicação de uma “sátira” à Frente Unitária Antifascista de Braga, criada durante esse mês e que engloba várias associações e movimentos associados com a esquerda política no distrito de Braga.  Segundo uma das vozes do movimento, Vasco Santos, a ideia é parar o crescimento de uma “onda” fascista “em Portugal e não só”. “Queremos agir de uma forma profilática, antes que em Portugal o fascismo tenha as dimensões como em outros países”, disse o também representante do Movimento Alternativa Socialista ao jornal SOL, na altura da criação daquela frente.

Frente Unitária Antifascista FAS / Semanário V

Ao Semanário V, o mesmo líder, no passado dia 1 de dezembro, salientou que a ideologia fascista “está em crescimento” e que este tipo de organizações são “fundamentais” para denunciar os “passos dados pelos que não toleram a liberdade”.

Mas Maria Vieira não gostou, e publicou nas redes sociais, a 22 de dezembro, que este “grupo” queria lutar contra algo que “não existe no nosso país”, apelidando-os de D. Quixotes de La Mancha, na luta contra os moinhos. A atriz refere que essa publicação lhe custou uma “censura” do Facebook durante 30 dias. Ao que apurámos, o castigo terá sido por discurso que incentiva ao ódio, após várias denúncias para com os serviços administrativos daquela rede social.

“Sou uma pessoa pública, uma atriz, uma comediante, uma humorista e uma autora com 38 anos de carreira e nunca na minha vida assisti a uma censura política tão cerrada, mas ao mesmo tempo tão dissimulada e sobretudo tão cobarde, como esta que se está a instalar no meu país, assim como em muitas outras nações da Europa Comunitária”, escreve agora Maria Vieira, visivelmente aborrecida pelo bloqueio de 30 dias imposto pela rede social. A atriz refere que “a luta continua”, apelidando-a como de “extrema necessidade” de forma a que “a verdadeira liberdade volte a passar por aqui”.

São já várias as polémicas devido às publicações da atriz nas redes sociais, que acabaram por apanhar de surpresa os telespectadores que sempre viram a atriz como uma pessoa pouco conflituosa. Durante os últimos dois anos, tem sido mesmo uma das vozes – senão a mais interventiva – em questões de anti-esquerdismo e de nacionalismo em Portugal, o que lhe valeu críticas de todos os pontos da sociedade cultural e artística portuguesa, levando a que amigos de velha data deixassem de falar com ela. Esses antigos colegas apontam o marido da atriz como principal mentor das publicações que têm sido feitas nos últimos dois anos, mas a atriz já desmentiu publicamente, revelando que é a própria que escreve as publicações.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista