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Eletricidade vai baixar 3,5% em 2019. Rendas, telecomunicações e pão ficam mais caros

Agência Lusa
Escrito por Agência Lusa

Rendas, telecomunicações, imposto automóvel e o pão estão entre os bens e serviços cujo preço vai aumentar em Janeiro, podendo ainda haver mais subidas em 2019, mas haverá uma descida da electricidade de 3,5% no mercado regulado.

As bebidas não alcoólicas com mais açúcar irão também ser penalizadas em 2019, com o Orçamento do Estado (OE) a colocar mais taxas nestes produtos, de acordo com o teor de açúcar que contêm. O tabaco também sobe e pode chegar a custar mais 10 cêntimos por maço.

Já o preço do leite deverá manter-se, bem como as tarifas do gás.

As atualizações de preços previstas para 2019 são então as seguintes:

Rendas

O valor das rendas deverá aumentar 1,15% em 2019, mais do que os 1,12% deste ano, um novo máximo desde 2013, segundo os números da inflação dos últimos 12 meses até Agosto divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Nos últimos 12 meses até agosto a variação do índice de preços excluindo a habitação foi de 1,15%, valor que serve de base ao coeficiente utilizado para a actualização anual das rendas, ao abrigo do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU), e que representa mais 1,15 euros por cada 100 euros de renda.

O aumento de 1,15% das rendas em 2019, aplicável tanto ao meio urbano como ao meio rural, segue-se à subida de 1,12% registada em 2018 e aos acréscimos de 0,54% em 2017 e de 0,16% em 2016.

Eletricidade

As tarifas de eletricidade no mercado regulado descem 3,5% para os consumidores domésticos a partir de 1 de Janeiro, o que representa uma diminuição de 1,58 euros para uma factura mensal de 45,1 euros.

Nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores a redução é de 0,6%.

Em 2018, o preço da electricidade recuou 0,2% face ao ano anterior, naquela que foi a primeira descida desde 2000.

Após a divulgação das tarifas pelo regulador, a EDP Comercial, que opera no mercado livre, anunciou também que iria descer o preço da electricidade, em média, em 3,5% em 2019.

Entretanto, a Endesa anunciou uma redução em média de 6,3% o preço da electricidade em 2019 e a Goldenergy informou que também que irá reduzir em 4% o preço da luz no mercado livre no próximo ano.

Automóvel

As taxas de Imposto sobre Veículos (ISV) e do Imposto Único Circulação (IUC) devem subir em média 1,3% em 2019, mas descem nos automóveis menos poluentes, segundo simulações da Deloitte, com base no OE.

O Governo propôs um regime transitório, a vigorar durante o próximo ano, face à nova metodologia de cálculo das emissões de CO2 (com base no novo ciclo Worldwide Harmonized Light Vehicle Test Procedure — WLTP), e que teria como consequência um agravamento destes impostos.

Tabaco

O aumento do Imposto sobre o Tabaco (IT) previsto OE pode significar uma subida de cerca de 10 cêntimos no maço de cigarros, segundo simulações feitas pela consultora Deloitte.

“No caso de um maço de tabaco que custe hoje 4,90 euros, estima-se que o imposto adicional não ultrapasse os 5 cêntimos”. Assim, “pretendendo os agentes económicos, pelo menos, manter as suas margens, um maço de tabaco que custe hoje 4,90 euros deverá passar a custar 5 euros”, disse após a divulgação da proposta de OE, à agência Lusa, o fiscalista Afonso Arnaldo, da Deloitte.

Refrigerantes

A subida de tributação sobre as bebidas não alcoólicas com mais açúcar vai fazer aumentar uma garrafa de um litro de Coca-Cola com 106 gramas de açúcar por litro em cerca de 3,65%, segundo as simulações feitas pela PricewaterhouseCoopers (PwC) para a Lusa.

Segundo a consultora, no caso de uma garrafa de dois litros de 7Up com um teor de açúcar de 110 gramas por litro, o aumento chega aos 4,06 euros e uma garrafa de 250 mililitros de Red Bull com um teor de açúcar de 110 gramas por litro terá um aumento de 0,76 euros.

Atualmente, o código dos Impostos Especiais sobre o Consumo (IEC) prevê que as bebidas cujo teor de açúcar seja inferior a 80 gramas por litro ficam sujeitas a um imposto de 8,22 euros por cada 100 litros. Já aquelas em que o teor de açúcar ultrapassa os 80 gramas por litro são tributadas em 16,69 euros por cada 100 litros.

Telecomunicações

A Nos e a Meo já anunciaram que iriam aumentar os preços das telecomunicações em 2019, para acompanhar a actualização da inflação. A Vodafone disse que ainda não decidiu.

Leite

O secretário-geral da Fenalac, Fernando Cardoso, disse à Lusa que o preço do leite deverá manter-se em 2019, apesar de a escassez de alimentação para os animais poder ter alguma influência a longo prazo.

“Diria que há uma tendência para se manter aos níveis do que acontece neste momento […], mas depende muito mais da posição da distribuição. Não há grandes indicadores que nos permitam dizer que os preços vão aumentar ou baixar”, disse Fernando Cardoso, em declarações recentes à Lusa.

No entanto, a escassez de alimentação para os animais provocada por fenómenos meteorológicos, como a tempestade Leslie, “podem ser um fator de alguma redução da produção” e podem ter efeitos, a longo prazo, nos preços.

Pão

O preço do pão poderá subir em 2019, acompanhando o aumento do salário mínimo e do valor da matéria-prima, disse à Lusa, na semana passada, o presidente da Associação dos Industriais da Panificação, Pastelaria e Similares do Norte.

“As empresas estão a absorver os seus custos [de produção e estão também] a tornar-se muito mais eficientes. Não sei qual será o papel dos empresários, mas acredito que possam ter que repercutir isso no preço dos produtos comercializados”, disse António Fontes, em declarações à Lusa.

Para o responsável, em causa está uma subida de 10% no preço da farinha nos últimos três meses, bem como a actualização do salário mínimo para 600 euros a partir de 01 de janeiro.

Gás

As tarifas transitórias do gás natural não sofrem hoje quaisquer alterações, uma vez que actualização tarifária só acontece a 1 de Julho para os consumidores que se mantêm no mercado regulado.

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