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A “Pedreira” faz 15 anos. Conheceu sucessos, desilusões e muitas contas a “derrapar”

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Fernando André Silva

Foi a 30 de dezembro de 2003 que o estádio da “Pedreira”, com capacidade para 30.286 lugares sentados, foi inaugurado na cidade de Braga.

O Estádio Municipal completa hoje 15 anos e já conheceu sucessos, desilusões, mas também muitos milhares de folhas de papel em processos judiciais.

Foi construído já a pensar no Europeu de 2004, onde conheceu dois jogos oficiais.

A 18 de junho, o Bulgária 0 – 2 Dinamarca, assistido por 24.131 espectadores. A 23 de junho disputou-se o Holanda 3 – 0 Letónia, com assistência de 27.904 nas bancadas.

Erguido por entre as pedreiras do Monte Castro, no nordeste da cidade, sob as instruções do arquiteto Souto Moura, valeu um Prémio Pritzker ao autor, uma espécie de nobel da arquitetura mundial, entregue em 2011.

O na altura presidente norte-americano Barack Obama deixou elogios ao estádio, durante a cerimónia de entrega do prémio, em Washington.

Como dado curioso, nunca na “Pedreira” os eternos rivais do Vitória de Guimarães conseguiram vencer um jogo. A última vitória dos vimaranenses em Braga remonta a 2003.

O primeiro jogo no estádio foi de cariz simbólico, com uma união Minho/Galiza, presenciada por mais de 30.000 pessoas que lotaram por completo o na altura erguido “templo” do futebol em Braga.

Saiu vencedor por 1-0 o Sporting Clube Braga, frente aos convidados do Celta de Vigo. Paulo Jorge, na altura capitão, foi o primeiro jogador a marcar um golo na ‘Pedreira’.

Foi também o mais caro de todos os estádios construídos antes do Euro 2004, custando um total 161 milhões de euros.

Mesquita Machado, presidente da autarquia na altura, havia garantido que o que o projeto foi orçamentado em 60 milhões de euros e que o custo final seria de 75 milhões de euros.

Para fazer face aos custos, Mesquita Machado contraiu uma dívida bancária de 80,1 milhões de euros em nome da autarquia, pagando 7,5 milhões de euros por ano.

Em 2018, estão por pagar 25 milhões de euros, segundo o atual edil de Braga, Ricardo Rio.

Também Souto Moura exigiu mais dinheiro do que o acordado inicialmente por “trabalhos a mais sobre o desenho inicial” e pelas “guerras em tribunal a contestar contas” que se seguiram.

Tinha um valor fixo a receber de 3,75 milhões euros pela obra mas, em junho deste ano [2018], o tribunal condenou a autarquia a pagar mais 2,5 milhões, acrescidos de juros.

Atualmente encontra-se disponível para venda, segundo avançou Ricardo Rio, agora presidente da Câmara de Braga, devido aos elevados custos de manutenção, que ficaram a cargo da autarquia.

“Se aparecer uma proposta é vendido no minuto seguinte”, garante o edil.

O Sporting Clube de Braga, que usufrui do estádio, paga uma renda aproximada de 550 euros por mês.

Para além da dívida anual de 7.5 milhões, o município gasta mais de 100 mil euros anuais para despesas de manutenção do estádio.

Para além do futebol, pouco mais se realizou na “Pedreira” nos últimos 15 anos.

Conheceu um concerto de “The Coors”, em 2004, mas foi caso único.

É, no entanto, local de romaria habitual de dezenas de milhares de bracarenses que esperam ver um SC Braga campeão.

O jornal Financial Times, num artigo sobre estádios, refere a “Pedreira” como um dos quatro exemplos de “beautiful grounds”.

Entre 2007 e 2013, chamou-se “Estádio AXA”, fruto de um acordo de “naming” entre o clube e aquela seguradora.

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Jornalista