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Lagarta-do-pinheiro regressa a Braga. Contacto direto pode levar à morte

Fernando André Silva

Várias filas com milhares de lagartas “processionárias”, vulgo lagarta-do-pinheiro, estão a causar apreensão pela proximidade às zonas residenciais, em Lamacães, na cidade de Braga.

Lagarta-do-pinheiro em Braga © Rui Couto

Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS), através do seu site, esta lagarta tem um efeito nocivo não só no contacto com os humanos, causando irritações na pele, nos olhos e no aparelho respiratório, mas também nos cães e outros animais. Em situações extremas pode levar à morte.

Populares apreensivos com a situação

Já são vários os moradores que têm registado em formato digital verdadeiras “procissões” do também chamado “bicho-da-peçonha”, expondo através das redes sociais.

A indignação aumenta pela proximidade com espaços de alta densidade populacional e onde existe uma exposição de risco a crianças, um dos grupos habitualmente mais afetados pelos efeitos da “processionária”.

Lagartas vão a caminho do solo. Transformam-se depois em borboleta

Entre janeiro e maio, as “processionárias” abandonam o pinheiro para se enterrarem no solo, deixando o seu hospedeiro em fila como uma procissão (daí o seu nome) dirigem-se em direção ao solo onde irão continuar o seu desenvolvimento para a transformação em borboleta.

Segundo a DGS, estas lagartas podem originar graves problemas de saúde pública, devido à ação urticante dos pêlos, que provocam alergias ao homem e animais domésticos.

“As reações alérgicas dão-se normalmente ao nível da pele, do globo ocular e do aparelho respiratório, podendo provocar enfraquecimento e vertigens e em situações extremas levar à morte”, refere a DGS.

Pinheiro manso era a antiga casa das lagartas, que buscam agora o solo

Crianças são grupo de risco

Em 2006, cerca de 140 crianças de uma escola em Felgueiras foram hospitalizadas com irritação similar à urticária provocada por pêlos soltos destas lagartas, que foram detetadas no local, o que levou ao encerramento da escola até que a praga fosse extinta, como noticiou na altura o jornal PÚBLICO.

No mesmo ano, em Cabreiros, concelho de Braga, 30 crianças de uma escola também receberam assistência hospitalar com sintomas idênticos. Na altura, o delegado de saúde distrital, João Manuel Cruz, indicou que não haviam lagartas no recinto da escola mas os pêlos poderão ter “viajado” com o vento e infetado as crianças.

Em Vila Verde, em 2017, foi lançado um alerta por parte do departamento de Saúde Pública de Vila Verde, através do coordenador José Araújo, para a praga desta lagarta.

Foi referido na altura que o número de ataques desta “praga” tem aumentado em “elevada intensidade” durante os últimos anos, devido sobretudo às condições climatéricas verificadas, que parecem ser propícias para a reprodução destes “bichos-de-peçonha”, como também lhe chamam.

No mesmo comunicado, é aconselhado a não se proceder ao abate das árvores que contenham ninhos de lagarta de pinheiro. Ao invés, é aconselhada a destruição mecânica do ninho com cintas de papel ou plástico embebido nas duas faces com cola inodora à base de poli-isolbutadieno, à volta da árvore para que as lagartas ao descerem do tronco fiquem aí coladas“.

No entanto, este não é um método totalmente eficaz porque as primeiras lagartas ficam retidas mas as seguintes passam-lhes por cima e continuam as procissões.

Qualquer situação anómala relacionada com estas lagartas deve ser reportada aos serviços municipais de Saúde Pública.

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Jornalista

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