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Bracarenses no Congo estão “bem” mas devem “ser prudentes”

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Fernando André Silva

O período pré-eleitoral das eleições para a presidência da República Democrática do Congo tem assustado os emigrantes portugueses. No dia 30 de dezembro, dia de eleições, duas pessoas foram mortas, e existiram falhas técnicas e atrasos no processo eleitoral, o que fez escalar a violência por parte da oposição ao atual Governo.

Os emigrantes portugueses que estão na RDC, alguns da região de Braga, encontram-se bem mas devem ser prudentes e continuar a seguir as recomendações de segurança, disse fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

“Dos contactos estabelecidos pela Embaixada de Portugal em Kinshasa com cidadãos portugueses em diferentes pontos da República Democrática do Congo, foi possível apurar que estes se encontram bem”, referiu aquela fonte à imprensa.

Miguel Morado nasceu em Braga há 35 anos, mas desde os 7 que vive na RDC, para onde emigrou com os pais ainda. Estudou na agora encerrada escola portuguesa de Kinshasa e lembra que as dificuldades, no país, são constantes.

“A situação não está boa. Para quem tem atividades por cá, só se pretende continuar a trabalhar da melhor forma possível”, contou.

“Sabemos os riscos que corremos, tem de haver sempre muito cuidado para não se estar no local, momento e hora errada”, assinalou o bracarense.

Miguel Morado tem atividades empresarias no país nos setores mineiro e madeireiro, e não deixa de manifestar preocupação com o rumo dos negócios caso se mantenha a instabilidade política no país. No entanto, acredita que o país retomará a normalidade depois das eleições, até “para que todos os sectores da economia se relancem”.

Segundo o empresário, “o país está estagnado devido a este impasse das eleições”, que se arrasta desde 2016.

Inicialmente previstas para 2016, as eleições foram adiadas por duas vezes. O exercício eleitoral deverá contar com cerca de 270 mil observadores nacionais e internacionais, tendo o Governo congolês vetado a presença de algumas missões internacionais, incluindo da União Europeia e da Fundação Carter, o que levou a oposição a alertar para eventuais fraudes.

A secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas recomenda que a comunidade portuguesa residente naquele país africano continue a agir com prudência e a observar as recomendações de segurança formuladas pela embaixada assim como deve continuar a manter o contacto com a representação diplomática portuguesa na República Democrática do Congo.

Há cerca de 700 portugueses a viver na RDC, a grande maioria (570) na capital, Kinshasa, uma comunidade de cerca de uma centena de portugueses na cidade de Lubumbashi e pequenos núcleos em Kisangani e Kananga.

Mais de 39 milhões de congoleses foram chamados no dia 30 às urnas para escolher o sucessor do presidente Joseph Kabila, e os deputados nacionais e provinciais de 75.781 colégios eleitorais.

A violência foi uma constante durante a campanha eleitoral para estas eleições.

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Fernando André Silva

Jornalista