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Antifascistas de Braga revoltados com TVI. Sindicato dos Jornalistas avança com queixa

FUA © FAS / Semanário V
Fernando André Silva

A entrevista realizada ao conhecido apologista da ideologia nacionalista no programa de entretenimento “Você na TV”, realizado esta quinta-feira, 3 de janeiro, motivou diversas reações na sociedade civil, e Braga não foi exceção.

A Frente Unitária Antifascista (FUA) de Braga lançou esta sexta-feira um comunicado onde repudia o tempo de antena dado pela TVI ao apelidade “líder de extrema-direita”.

“Não percebemos como é possível termos assistido num canal de TV generalista, em sinal aberto e com uma audiência substancial, uma pessoa que defende o fascismo e que lidera uma organização que promove o mesmo, assim como o racismo e a xenofobia, proibidas e condenadas também pela nossa constituição”, refere o comunicado da FUA.

Os antifascistas bracarenses apontam Mário Machado como sendo um antigo dirigente da Frente Nacional, à qual apelidam de “organização de extrema-direita protofascista” e atual líder de uma organização que defende ideologia fascista – Nova Ordem Social. Relambram ainda as ligações de Mário Machado com um grupo de motards envolvido em graves confrontos durante o ano de 2018 e com o grupo neo-nazi “Hammerskins”.

“Denunciamos que a promoção do fascismo e consequente tentativa de implementação de tal regime e ideologia para além de violar a nossa Constituição, é um atentado e uma sentença de morte, se nada fizermos, para qualquer sociedade que se quer verdadeiramente justa, plural, solidária e democrática”, apontam.

“O crescimento dos movimentos de extrema-direita, presentemente ainda “semi-camuflados” sob aparência de “inofensivos”, “apocalípticos” e “movimentos identitários”, juntamente com as suas redes de apoio dentro e fora de Portugal têm sido inclusivamente alvo de preocupação e vigilância por parte tanto da Polícia Judiciária como dos Serviços de Informações e Segurança (SIS)”, referem.

“A liberdade de expressão não pode nem deve ser usada para dar espaço à infiltração de ideologias que a queiram banir e destruir. Como o Passado nos ensina e nunca o devemos esquecer a tolerância ilimitada leva, paradoxalmente, ao desaparecimento da tolerância.

“Esta tentativa de normalização e naturalização do fascismo e do racismo por parte da TVI e dos média em geral, deixa-nos muito preocupados sobre o futuro da sociedade tal como a conhecemos e confirma que as preocupações que temos sobre o crescimento da extrema-direita em Portugal e que denunciamos há anos (enquanto a maioria assobiava para lado) são, lamentavelmente, justificadas”, diz.

“Em nosso nome não”, diz Sindicato dos Jornalistas

Também o Sindicato dos Jornalistas lançou esta sexta-feira um comunicado de repúdio ao tempo de antena dado a Mário Machado pela TVI intitulado “Em nosso nome não”. O sindicato lamenta o tempo de antena dado ao nacionalista e vai avançar com uma queixa contra a TVI e contra a Entidade Reguladora da Comunicação e um pedido de esclarecimento à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e à Ordem dos Advogados.

Ministro da Defesa compara TVI a incendiários

O ministro da Defesa afirmou esta sexta-feira através da rede social Twitter que o convite da TVI ao líder de extrema-direita, condenado por crimes de ódio racial, é perigoso nos “tempos complexos” que vivemos.

“Vivemos tempos complexos, e é preciso ter a noção que uma atitude destas por parte da estação em causa não é muito diferente de quem ateia incêndios pelo prazer de ver as labaredas”, escreveu João Cravinho.

Mário Machado foi condenado em 1997 a uma pena de quatro anos e três meses de prisão por envolvimento na morte de Alcino Monteiro – assassinado em 1995, no Bairro Alto. Voltou a ser condenado por vários crimes de violência, sequestro, posse de arma e discriminação racial.

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Jornalista