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Ninho de asiáticas passa verão nas costas de edifício de saúde pública em Braga

Ninho em Sequeira © FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Um ninho ativo de vespas-asiáticas está no topo de uma árvore, em Sequeira, Braga, desde o início do verão de 2018, em terreno da Cooperativa Agrícola do Alto Cávado (CAVAGRI), que tem os escritórios do departamento de sanidade animal da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) a poucos metros, no edifício situado no mesmo terreno.

Contactado pelo Semanário V, o departamento de sanidade animal, que funciona naquele edifício, explica que o ninho foi detetado ainda durante o mês de junho, e que a DGAV terá exposto o caso à Proteção Civil municipal. No entanto, em janeiro de 2019, o ninho ainda lá está. E as vespas também.

Explica a mesma fonte que as competências relativamente à sanidade animal e perigos que os animais podem representar para a saúde pública está restrito aos vários tipos de gado, e não de abelhas ou vespas, não podendo a CAVAGRI intervir diretamente naquela situação.

Explica que não possuem autoridade para eliminar o ninho e que o mesmo terá de ser feito pelos serviços municipais. Explica ainda que a localização do ninho deve-se a um enxame de abelhas situado em um muro, no mesmo terreno, detetado em maio último.

Como a vespa-asiática alimenta-se principalmente do tórax de abelhas, as mesmas constroem ninhos num raio de um quilómetro de colmeias ou de enxames selvagens de abelhas, como é o caso em Sequeira.

Mas este não é caso isolado. Dentro da própria cidade de Braga, há vários ninhos ainda ativos deixados a nu na sequência da queda das folhas das árvores.

Junto ao Mc’Donalds e à Universidade do Minho, um ninho de vespa-asiática espreita do alto de uma árvore despida, com vista não só para aqueles dois edifícios mas também para o Hotel Meliá.

Também na freguesia de Real, dentro da cidade, um ninho de asiática espreita a 200 metros da estação de comboios.

Já no parque de estacionamento do Estádio Municipal de Braga, outro ninho tem sido alvo da curiosidade dos bracarenses, sendo o mesmo amplamente divulgado através das redes sociais ao longo dos últimos dias.

A Associação Ambientalista QUERCUS deixou o alerta, em 2018, para a “ineficácia” do “Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal”.

Criado por um grupo de trabalho que reuniu a já mencionada DGAV, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, tem sido várias vezes criticado pela QUERCUS.

“É um plano de ação que, na prática, não existe”, referiu no passado verão o presidente da associação ambientalista.

A destruição dos ninhos de velutina no concelho de Braga está a cargo da Companhia de Bombeiros Sapadores de Braga que priorizam os casos mais urgentes, como ninhos em postes de eletricidade, varandas de apartamentos ou chaminés.

Ainda durante o mês de outubro, esta equipa eliminou um ninho de velutina situado no centro da cidade, por se encontrar a poucos metros de um parque infantil.

Estima-se que, durante o ano de 2018, aquela companhia eliminou perto de uma centena de ninhos desta espécie, disse fonte daquela corporação.

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Jornalista