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Sapadores eliminam ninhos de asiática em Braga. Vereador quer plano do Governo

Sapadores eliminam ninho na Rodovia em Braga © Eduardo Peixoto
Fernando André Silva

Os Bombeiros Sapadores de Braga procederam esta quarta-feira à eliminação do ninho de vespa velutina, vulgo asiática, que se encontrava na zona da Rodovia, na cidade de Braga.

Este é um dos vários ninhos que aquela companhia tem eliminado durante as últimas semanas. A queda das folhas no início deste inverno tem deixado a nu vários ninhos, facilitando a deteção e eliminação dos mesmos, algo que até agora era bastante difícil.

Braga tem registado, aliás, um aumento no número de ninhos, à semelhança do resto do país. Esta situação preocupa o vereador do Ambiente da Câmara de Braga, Altino Bessa, que pretende mais ação da tutela.

“É óbvio que esta praga das vespas é um problema grave e que tem de ser resolvido. Da parte da Câmara de Braga, quando nos são denunciados casos, tratamos de passar para a autoridade competente designada pelo município, que no caso são os Bombeiros Sapadores, para que procedem à eliminação”, adianta Altino Bessa em declarações ao Semanário V.

Ninho nas costas da DGAV em Sequeira © FAS / Semanário V

O vereador aponta ainda alguma “inércia” por parte do Governo em relação à praga das ‘asiáticas’, afirmando não existir uma concertação nacional, referindo que este combate tem sido encarado individualmente por cada autarquia, dentro dos seus próprios meios.

“Acho que seria importante esta tutela assegurar um plano concertado para tentar erradicar estas vespas. Não há registo de captação de fundos para esta matéria e isso seria importantíssimo. A praga chegou ainda na anterior legislatura e o anterior Governo começou a desenvolver alguns esforços, mas nos últimos quatro anos não tenho visto esforço nenhum por parte dos atuais governantes”, aponta Bessa, referindo que a situação é preocupante para a saúde pública e, sobretudo, para os apicultores.

“Quem mais sofre com esta praga são os produtores de mel”, adianta o vereador, confidenciando que já se desenvolveram ações em conjunto com a associação de apicultores do Cávado e Ave (APICAVE), mas nada impede que a praga se mantenha.

Plano do Governo falhou redondamente

A Associação Ambientalista QUERCUS deixou o alerta, em 2018, para a “ineficácia” do “Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal”.

Criado por um grupo de trabalho que reuniu a já mencionada DGAV, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, tem sido várias vezes criticado pela QUERCUS.

“É um plano de ação que, na prática, não existe”, referiu no passado verão o presidente da associação ambientalista.

A destruição dos ninhos de velutina no concelho de Braga está a cargo da Companhia de Bombeiros Sapadores de Braga que priorizam os casos mais urgentes, como ninhos em postes de eletricidade, varandas de apartamentos ou chaminés.

Vespas evoluem e prolongam atividade e constroem junto ao solo

Segundo alguns apicultores da região de Vila Verde, a vespa-asiática já deveria ter hibernado em dezembro, desconhecendo-se o motivo de ainda existirem ataques e vespas ativas em pleno mês de janeiro.

O forte frio que se tem sentido nesta semana poderá, no entanto, levar à morte das restantes obreiras que ainda ocupam os ninhos.

Já as rainhas, abandonaram os ninhos no início de dezembro, estando hibernadas. Saem em fevereiro para dar início à construção dos chamados ninhos secundários [ninhos que variam de 10 a 50 centímetros de diâmetro] e onde são fecundadas as primeiras obreiras.

Em março/abril, as rainhas passam para um ninho primário, que pode atingir até 80 centímetros de largura e altura e alojar mais de 10.000 vespas.

Mas a novidade do ano de 2018 pareceu mesmo ser a escolha dos ninhos principais na copa das árvores, passando a construir em buracos nos troncos, já perto das raízes.

A situação foi reportada em Aboim da Nóbrega, concelho de Vila Verde, e em Braga, junto a um parque infantil na Cividade.

Ninho de velutina (vespa-asiática) inserido em árvore no centro de Braga (c) FAS / Semanário V

Em Vila Verde, três voluntários apicultores procediam à eliminação de ninhos com recurso a métodos caseiros quando encontraram um exemplar enfiado num tronco seco de uma árvore. Já em Braga, o ninho foi detetado por pais apreensivos com a proximidade para com o parque infantil.

Segundo os apicultores de Vila Verde, nunca tinha visto ninhos principais nestes locais deste para colocar o seu ninho principal, que chega a comportar dezenas de milhares de vespas durante vários meses.

Estas vespas têm construído os ninhos nas entradas das florestas ou em árvores isoladas, o que permite a estes voluntários identificarem mais rápido o foco de destruição principal das suas abelhas.

Vespas fazem perseguições de centenas de metros sob ameaça

Esta vespa asiática, proveniente de regiões tropicais e subtropicais do norte da India, do leste da China, da Indochina e do arquipélago da Indonésia, tem preferência por zonas montanhosas e mais frescas.

A sua introdução involuntária na Europa ocorreu em 2004 no território francês, tendo a sua presença sido confirmada em Espanha em 2010, em Portugal e Bélgica em 2011 e em Itália em finais de 2012.

Na época da primavera constroem ninhos de grandes dimensões, preferencialmente em pontos altos e isolados. Esta espécie distingue-se da espécie europeia Vespa crabro pela coloração do abdómen (mais escuro na vespa asiática) e das patas (cor amarela na vespa asiática).

Eliminação de ninho em Gonomar, Vila Verde (c) FAS / Semanário V

Segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF), os principais efeitos da presença desta espécie não indígena manifestam-se em várias vertentes, sendo de realçar na apicultura. por se tratar de uma espécie carnívora e predadora das abelhas, e para a saúde pública, não sendo mais agressivas que a espécie europeia, no caso de sentirem os ninhos ameaçados reagem de modo bastante agressivo, incluindo perseguições até algumas centenas de metros.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista