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Professor bracarense que dá aulas na New York University regressou ao Sá de Miranda

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Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

A Escola Sá de Miranda promoveu, na passada quarta-feira, 9 de janeiro, uma conferência com o tema ‘Encontro de Culturas – O papel dos migrantes na difusão cultural’. A iniciativa, organizada pelo professor Jorge Gomes e pelos alunos do curso EFA – Educação e Formação de Adultos, da Escola Sá de Miranda, contou com a colaboração dos alunos do curso EFA da Escola Padre Benjamin Salgado, de Joane.

O encontro foi proferido pelo professor convidado Carlos Veloso, natural de Braga e ex-aluno da Escola Sá de Miranda. É, desde 1997, professor na NYU – New York University -, onde concluiu o doutoramento em Literatura Comparada, em 2008.

Foi aluno do Sá de Miranda do 7.º ao 12.º ano e viajou para Lisboa para fazer a licenciatura em Estudos Ingleses e Alemães, na Universidade Clássica de Lisboa, onde fez, também, o mestrado em Estudos Literários. Mais tarde, ainda durante o primeiro ano do mestrado, foi professor na Universidade da Madeira, até 1997, quando se mudou para os Estados Unidos. A acrescentar ao currículo, fez cursos de verão em várias universidades de diversos países, entre eles, na Colômbia, no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo) e na Jamaica. É investigador em várias Instituições Académicas e Culturais no Brasil, onde passa 4 meses por ano.

Leciona aulas de Língua Portuguesa, em vários níveis, Português para Falantes de Espanhol e Arte e Cultura. Faz parte do conselho editorial da revista Palavras, um dos órgãos mais importantes publicados pela Associação de Professores de Português.

Com emoção por estar de volta às origens, o professor Carlos Veloso assegurou que “não é um esforço estar aqui, é um enorme prazer e uma emoção. Foi aqui que me formei, foi aqui que dei tudo, os melhores momentos da minha vida eu passei aqui. Aprendi a jogar futebol aqui e aprendi a namorar aqui, por isso eu devo tudo a esta casa.” Acrescentou, ainda, além de agradecer o convite, que “muito do que eu fiz está no meu sangue e na história desta instituição. Além disso, eu moro aqui perto e antes de vir para aqui, sonhei em frequentar este liceu. Eu vim para cá após o 25 de abril, quatro ou cinco anos depois. Portugal estava num processo de mudança muito grande e eu apanhei tudo isso aqui no Sá de Miranda.”

Revelou, ainda, que não era bom aluno no 7.º. 8.º e 9.º ano, porque se “preocupava mais com futebol do que com as aulas”. Amante de desporto, jogou nos iniciados do Braga e na seleção da Escola Sá de Miranda. Mas o facto de gostar de ler, distinguiu-o dos seus colegas, porque tirava grandes notas a Português sem estudar.

A diretora do Agrupamento de Escolas Sá de Miranda, Antonieta Silva, sublinhou a importância “da presença do professor Carlos, para fazer uma análise daquilo que é o impacto de um emigrante quando chega a um país novo e tudo aquilo que ele constrói”.

O principal objetivo do encontro foi perceber o que é que da cultura portuguesa está a ser levado para outros países, nomeadamente para os Estados Unidos da América, e, também, o que de lá vem para cá.

Antes da conferência, foi feita uma visita às novas instalações da escola, onde o professor recordou algumas memórias de infância, nomeadamente a antiga biblioteca, o pátio onde jogou futebol durante muitos anos e as salas onde teve aulas no seu tempo de Sá de Miranda.

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