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Rui Silva questiona um dos militares responsáveis no caso de Tancos

Deputado de Braga com ligações a Vila Verde questionou, esta quinta-feira, o coronel de Infantaria, Vasco Pereira, que desempenhava à altura funções de comandante da Escola de Tropas Paraquedistas, acerca da segurança no caso de Tancos.

Trata-se de um total de 180 dias de inquirições e 63 pessoas inquiridas, sendo que um dos inquiridos é o major Pinto da Costa, de Parada de Gatim. Rui Silva faz parte da Comissão de Inquéritos do caso de Tancos, que tem a missão de avaliar o procedimento operacional e as responsabilidades políticas.

Na inquirição no âmbito da Comissão de Inquérito ao Furto de Armas dos paióis Nacionais de Tancos, o deputado questionou o coronel se não havia sido demonstrada preocupação relativa à segurança e vigilância do paiol de Tancos pelo anterior comandante.

O coronel, que foi responsável pela vigilância dos paióis enquanto comandante do Regimento de Paraquedistas, revelou que houve uma reunião onde foram tratados vários assuntos, contudo, afirmou não se recordar “dos paióis serem motivo especial”. Referiu, ainda, não se recordar de nenhum “reporte flagrante efetivo de uma intrusão”, durante o seu período de três anos.

“Assim que assumi funções como comandante de regimento, lembro-me de produzir um relatório de Posse de Comando”, explicou o ex-comandante. Decorrendo de um relatório produzido, o coronel Vasco Pereira, admite que foram feitas “coordenações com outros comandantes, um deles com o comandante de Depósito Geral de Material de Guerra”, que era a unidade que detinha a responsabilidade sobre os paióis.

Rui Silva prosseguiu, questionando se, quando começaram as ações de segurança e vigilância, houve algum facto reportado diferente do que era expectável, ao qual o coronel respondeu que “as diretivas eram adequadas ao serviço, não significava que não se encontrassem deficiências e elas não fossem assinaladas”. Acrescentou, ainda, que não havia “dúvidas da missão” que lhes era confiada. “Se todos os meios se encontravam a funcionar ao nosso dispor? Não. Se eram atempadamente referidos ao escalão superior, que era quem tinha a responsabilidade de gerir e coordenar? Efetivamente fazíamo-lo”, assegurou.

Questionado se houve algum relatório onde fosse referido a insuficiência de efetivos e a ausência de meios de segurança audiovisuais, o ex-comandante referiu que, “relativamente aos efetivos, não tive nenhum flagrante que me dissesse que os efetivos não permitiam cumprimento da missão. Eram justos, apertados, exigiam mais desgaste, mas não recordo de nenhum relatório que dissesse que com aqueles efetivos não se conseguisse cumprir a missão”.

Ainda na intervenção na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as consequências e responsabilidades políticas do furto do material militar, Vasco Pereira revelou que “o próprio comandante do Depósito Geral de Material de Guerra não dispunha dos orçamentos necessários para fazer face a algumas das limitações que eram assinaladas”, como, por exemplo, “o arranjo da rede do perímetro dos paióis, o sistema de vigilância e os sensores de movimento” e acrescentou que “nunca faltou aos escalões acima do regimento informação que lhes permitisse gerir a situação da melhor forma”.

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Mariana Gomes

Mariana Gomes

Jornalista