Braga Destaque

João Tomás trocou o centro do país por Braga há 15 anos. “É notória a evolução da cidade”

João Tomás em entrevista ao Semanário V © Joaquim Lima
Fernando André Silva

João Tomás, antigo futebolista conhecido pela elevada contagem de golos marcados ao longo da carreira [em época e meia marcou 19 golos no Benfica e 33 em duas temporadas no Braga], esteve esta quinta-feira em Vila Verde, no âmbito das gravações de um programa televisivo, e confidenciou ao Semanário V porque é que ele e outros futebolistas que passaram por Braga decidiram escolher a cidade para viver, mesmo depois de terminado o vínculo de futebolista com o clube.

Antigos futebolistas na Gininha em Coucieiro © DR

Natural de Oliveira do Bairro, em Aveiro, João Tomás vive há 15 anos em Nogueiró, na cidade de Braga, e já não pensa em regressar, até porque já tem uma filha “braguista”. Chegado a Braga em 2004, após empréstimo do Betis de Sevilha [clube com quem tinha contrato na altura] ao Vit. de Guimarães, depois de quatro épocas de Braga, passou ainda por clubes nacionais como o Boavista ou o Rio Ave e por clubes da Arábia Saudita e de Angola. No entanto, a família ficou sempre radicada em Braga durante esse período.

[Sobre ter mantido casa em Braga]: “Acontece comigo e com muitos colegas. Vamos para determinadas cidades, gostamos e ficamos. Eu já podia ter ido para Aveiro, por exemplo, mas à medida que os filhos vão crescendo fica difícil de sair. A minha filha já criou amigos e a verdade é que já tem um sentimento grande de pertença a esta cidade e cultura”.

Sobre a evolução da cidade de Braga, João Tomás destaca a juventude e afirma que é uma cidade que “tem tudo e mais alguma coisa”. “A evolução da cidade é evidente. Neste momento é uma cidade jovem que tem tudo e mais alguma coisa. Acredito que tudo isso também conta para atrair jogadores para o clube, mas também para construir bases familiares. A cidade é ótima, o clube é muito organizado e tem cada vez mais meios para os jogadores. Eles sabem que chegar ao Braga é uma possibilidade para atingir o sucesso individual, fruto do sucesso coletivo. E isso pesa na decisão”.

João Tomás na Gininha em Coucieiro © Joaquim Lima

No que diz respeito à evolução do Braga como clube de futebol, o antigo goleador refere ser “evidente” a existência de um investimento feito ao longo dos anos “nas infraestruturas e na estrutura em si”. “Acho que foi esse o grande salto, porque bons jogadores, o Braga sempre teve, na minha opinião. Mas para se conquistar mais qualquer coisa é preciso haver um background por detrás daquele que é o trabalho invisivel mas que suporta todo o sucesso que a equipa transmite em campo. Esse foi o grande salto que o SC Braga deu, a capacidade dos diversos departamentos, gente profissional a entrar no clube e isso reflete-se em campo”.

Diferenciando o atual plantel daquele onde pontificaram João Tomás, Castanheira, Paulo Jorge, Paulo Santos ou Wender, o antigo craque admite que a cidade está cada vez mais “braguista”, voltando a utilizar a filha como exemplo. “A minha nasceu ainda em Sevilha, e essa será uma história marcante para nós, mas a verdade é que, aos 16 anos, viveu toda a vida em Braga e percebo que isso fez dela ‘braguista’. Nós customávamos dizer que nos tempos em que jogávamos e quando o estádio enchia contra um grande, 8.000 eram do Braga e os restantes eram adeptos da equipa adversária. Neste momento estamos a falar de 50/50. A minha filha já sente que é braguista, cresceu aqui, foi criada neste meio e identifica-se com o clube e isso é algo que estes míudos vão sentindo de forma natural, e que antigamente não exisita. Na altura éramos de um de três clubes, mas agora há muitos adeptos de outros clubes, não só do Braga, mas do Vitória, Académica ou Rio Ave. No entanto devo dizer que o Braga já há muitos anos que tem uma legião de fãs que são braguistas genuínos”.

João Tomás em entrevista ao Semanário V © Joaquim Lima

João Tomás chegou ao Braga perto de completar 30 anos e foi nessa altura que conseguiu a convocatória para a Seleção Nacional, algo que “não era muito normal na altura”, como explicou. “O SC Braga é que me proporcionou esse momento e terá sido um dos mais importantes da minha carreira no clube”, recorda.

Terminou a carreira em 2013 ao serviço do Recreativo de Libolo, em Angola, marcando cinco golos em 16 jogos. Foi até 2018 diretor desportivo do Futebol Clube de Famalicão. João Tomás soma quatro internacionalizações pela Seleção Nacional A, com um golo marcado.

Comentários

Acerca do autor

Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista