Destaque Vila Verde

Vila Verde. Empresário enfrenta ladrão, evita assalto e acaba esfaqueado na face

José Peixoto foi vítima de assalto na Portela do Vade © FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Um assalto rocambolesco está a agitar a comunidade da Portela do Vade, na freguesia de Atães, em Vila Verde, depois de a vítima, um conhecido empresário local, ter enfrentado o assaltante, que acabou por fugir “de mãos a abanar”.

Pouco passava das seis horas da tarde do passado sábado quando José Peixoto, de 62 anos, recebeu uma visita inesperada de um “amigo do alheio” no pequeno escritório que possui no segundo andar de um edifício situado na zona comercial da Portela do Vade, em Vila Verde.

O empresário, que se dedica a organizar a contabilidade e gestão dos condomínios que possui naquele local, contou ao Semanário V que enfrentou o assaltante “sem medo”, mas confessa que acabou por ter alguma sorte por o desfecho não ter sido pior.

“Eu estava sentado na minha secretária quando um fulano entrou pela porta, que estava semi-aberta. Trazia um gorro [passa-montanhas] às cores com dois oríficios para o lugar dos olhos e eu confesso que achei alguma piada e até pensei que fosse algum amigo meu a querer meter-me um susto”, disse ao Semanário V.

O assaltante acabou por entrar no pequeno escritório de José Peixoto e colocou-se ao lado da secretária, virado para o empresário. “Ele entrou, deu a volta à secretária e veio para a minha beira pedir para lhe dar o dinheiro todo que tinha comigo na carteira, e eu fiquei a olhar para ele e acho até que me comecei a rir”, conta o empresário. Seguiu-se uma batalha campal que virou o escritório de José de pantanas.

José Peixoto foi vítima de assalto na Portela do Vade © FAS / Semanário V

“Ele como viu que eu não lhe ia dar carteira nenhuma, puxou de uma faca e apontou-me, mas foi nessa altura que eu me levantei e agarrei-o logo, empurrando-o contra uma das paredes”. José Peixoto, nesse momento de luta, acabou por ficar com um “lanho” superficial na cara, após um corte feito pela faca nas mãos do assaltante. O empresário conseguiu desarmar o ladrão e quando este tentou fugir, ainda o apanhou contra a porta.

“Quando ele me feriu na face, andámos aqui com a secretária de um lado para o outro. Tinha aqui um cesto de vime e dei-lhe com ele, porque não tinha mais nada à mão. Ele virou-se para fugir, mas como a porta estava semi-fechada, preguei com ele contra a porta várias vezes, para fazer barulho e alertar os vizinhos. Dei-lhe ali tantas que ele tanto tentou que conseguiu fugir. Quanto ele estava a sair da porta tentei tirar a carapuça e vi que não tinha cabelo, mas só vi de costas”, explica.

José Peixoto foi vítima de assalto na Portela do Vade © FAS / Semanário V

Uma funcionária de uma loja situada no mesmo piso conseguiu anotar a matrícula de um carro que arrancou quando o meliante saiu, mas desconhece-se ainda se foi essa a viatura utilizada pelo assaltante. Segundo José Peixoto, o homem, “calvo ou de cabeça rapada”, era de “estatura média, tanto em altura como em peso”.

O caso passou para o Núcleo de Investigação Criminal da GNR que esteve no local a efetuar perícias e a recolher indícios do crime, como foi o caso da faca utilizada para coagir José Peixoto. A versão do empresário foi confirmada ao Semanário V pelo Comando distrital de Braga da GNR e por vários comerciantes na Portela do Vade.

Este não foi o primeiro assalto sofrido pelo conhecido empresário, natural e residente na Portela do Vade. A viver por cima da dependência bancária da Caixa Crédito Agrícola, foi vítima de assalto à residência em 2018. Na altura, os ladrões começaram a escavar um buraco no chão, presumivelmente para acederem às instalações da dependência bancária, mas acabaram por não conseguir levar o objetivo adiante.

Comentários

Acerca do autor

Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista

Deixar um comentário