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Biblioteca de Prado. Há um ano a estimular inteligência e imaginação

Foto: Luís Ribeiro
Fernando André Silva

Foi há um ano que a Vila de Prado viu nascer a Biblioteca Comendador Sousa Lima, instalada na antiga escola do Bom Sucesso, e por onde já passaram mais de 1.000 pessoas ao longo dos doze meses de atividade. Objetivos pósteros passam pelo incentivo, cada vez maior, à estimulação da inteligência e imaginação e, de uma forma intercomunitária com outras unidades, criar um acervo digital para acompanhar as novas tendências de leitura.

No dia do primeiro aniversário, esta quarta-feira, a coordenadora Manuela Barreto Nunes avança ao Semanário V que é intenção do espaço tornar-se cada vez mais um “pólo cultural” para Prado e freguesias limítrofes, mantendo também um papel na comunidade no sentido de promover debates e de ajudar a combater a desinformação através dos hábitos de leitura.  O espaço é ainda utilizado para consulta de internet, trabalhos de estudo, profissionais ou consulta de jornais. “Promovemos também um espaço de inquietação e debate”, refere a coordenadora, revelando que na biblioteca “também se conversa muito”.

“Incentivámos o acesso à informação como forma de ocupação e de aprendizagem e desenvolvemos algumas ações, como imprimir um infográfico para que as pessoas possam mais facilmente identificar os artigos que lhes chegam [através das redes sociais] e se são verídicos ou não ou várias informações disponibilizadas pela biblioteca do Serviço Nacional de Saúde com várias informações sobre doenças. É uma questão de serviço útil à população através da leitura”, explica.

Outra das atividades desenvolvidas ao longo do ano de estreia do novo pólo passa pela interação com crianças da pré-primária e do jardim infantil da Casa do Povo da Vila de Prado e de outras instituições concelhias. De forma periódica, são lidas histórias às crianças durante um evento com alguma teatralidade chamado “hora do conto”. No final, algumas crianças levam livros para casa, e é aí que Manuela Barreto Nunes aponta uma boa forma para perceber que a criança está a ganhar gosto pela leitura, “por querer saber ainda mais”.

Também os jogos de tabuleiros são uma forma de cativar as crianças e motivar para cooperação e trabalho em equipa, “à semelhança da leitura, são uma forma interessante, frutuosa, de ocupar os tempos livres. Essa atividade estimula o raciocínio estratégico, o trabalho em equipa e a capacidade para enfrentar vitórias e derrotas e também para a estimulação da inteligência e da criatividade”.

A biblioteca de Prado é um anexo da biblioteca municipal de Vila Verde e funciona como uma biblioteca pública acessivel a todos os habitantes do concelho, com especial incidência na zona geográfica de Prado e das freguesias vizinhas. Permite acesso a livros sobre a todas as áreas, jornais, computadores com intenet e rede de internet sem fio para quem trouxer o próprio equipamento. Realiza também exposições e eventos culturais e pedagógicos.

O primeiro aniversário da biblioteca de Prado, celebrado esta quarta-feira, 23 de janeiro, contou com duas sessões de leitura de contos infantis por Manuela Capa, uma delas sobre aniversários, que serviu como mote para “cortar o bolo” e cantar os parabéns ao espaço que pretende encaminhar crianças de forma a que possam singrar na vida, aliando hábito de leitura, informação, inteligência e imaginação [criatividade].

O digital pode não ser um inimigo, mas sim um aliado

 A coordenadora, questionada pelo V sobre o paradigma digital da nossa era, refere que o digital pode ser um aliado, e que é possível estimular a leitura através dos dois suportes, pois será sempre hábito de leitura. Explica que até aos nove, dez anos, as crianças gostam de ler livros físicos e ouvir histórias. Já na adolescência não se regista o mesmo entusiasmo pelo formato físico. “Hoje em dia são mais atraídos pelo digital do que pelo livro impresso, mas também recomendámos esse tipo de leitura”. No entanto, Manuela Barreto Nunes alerta para um “desinteresse” geral, não só devido ao digital, mas que será típico dos adolescentes. “É um período em que se interessam mais pelos amigos e descobrir novas coisas, não será só consequência do período em que vivemos”.

“Também recomendamos a leitura pelo formato digital, usamos o Facebook para divulgar livros, bibliotecas digitais, e há livros digitais muito bons”, garante, dando como exemplo a utilização de vários meios interativos nos livros digitais, como é o caso do áudio ou do vídeo. “Há estudos sobre a diferenca entre o digital e o impresso, e um deles mostra que pais e filhos têm na leitura digital uma maior partilha e comunicação de emocões. O formato impresso estimula uma leitura mais atenta, em profundidade, mais intima e da qual se tira maior proveito. Devemos procurar estimular que sejam lidos ambos os suportes consoante as circunstâncias”.

Manuela Barreto Nunes adianta ainda que está em curso uma parceria entre as várias bibliotecas da Comunidade Intermunicipal do Cávado de forma a conseguir estudar uma forma de disponibilizar uma biblioteca digital, encontrando-se ainda esse projeto em elaboração.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista