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Poder em Vila Verde está “metido em casulo” com medo dos “rabos-de-palha”, diz BE

Bloco de Esquerda presta contas em Vila Verde © FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Com pouca adesão popular mas com muitos temas a debate, o Bloco de Esquerda veio ontem a Vila Verde “prestar contas” aos militantes e simpatizantes, através do deputado eleito por Braga na Assembleia da República, Pedro Soares, e do membro da concelhia de Vila Verde, Álvaro Martins.

Ambos lamentam a “falta de abertura para dialogar” do presidente da Câmara de Vila Verde, António Vilela, que lhes terá dito “não ter agenda” para falar sobre questões de saúde, ambiente e, sobretudo, educação. O bloquista da AR diz mesmo que a falta de diálogo poderá ser motivada por alguns “rabos-de-palha” do poder local, mas aconselha a que os autarcas sejam mais democráticos e integrem a comunidade nas decisões.

Pedro Soares, em sessão na Biblioteca Prof. Machado Vilela, confessou ter “procurado estabelecer diálogo” com os responsáveis autárquicos de Vila Verde sobre “problemas com centros de saúde, abate de árvores, EN 101” mas, diz o deputado, “está para vir o dia em que mostrem abertura para diálogo”.

Os bloquistas manifestam mesmo que notaram “grande dificuldade em diálogo” por parte da equipa camarária para com o Bloco e para com os outros partidos, apontando que isso pode ser lesivo para a democracia. “Nós temos procurado estabelecer algum diálogo com os responsáveis autárquicos aqui de Vila Verde, sobre algumas matérias. Fizemos solicitação mas notamos que há uma grande dificuldade por parte do presidente da Câmara em dialogar com outras forças políticas do concelho.

Pedro Soares explica que a primeira vez que uma reunião foi requerida,  a mesma não foi concedida pelo gabinete de António Vilela, com argumento de não haver espaço na agenda. “Teria agenda para outro dia mas não o fez. Isto é demonstrativo do fechamento da autarquia em relação à comunidade e forças politicas e isso é um mau sintoma”. aponta Soares.

O deputado bloquista deixou um apelo para que haja “maior abertura” por parte da CMVV e do presidente da Câmara em partilhar informação e decisões, “porque a população tem problemas e esses problemas têm de ser democraticamente debatidos”.  “Acho que é esse debate que permite resolver problemas, não é fechar no nosso casulo ou erguer uma muralha com medo que nos ataquem porque temos alguns rabos de palha e telhados de vidro. O que pretendemos é contribuir para esse debate democrático em Vila Verde e assim contribuimos para soluções”, explicou Soares.

O deputado diz estar preocupado com algumas situações do concelho, como é o caso do aquecimento em algumas escolas, que esteve desligado grande parte do inverno, alegadamente por avaria técnica. Fala ainda do abate de árvores na Vila de Prado, sem qualquer consulta prévia à população. “Tudo isto são exemplos de que se tivesse existido diálogo antes de se tomar as decisões, evitava-se muito descontentamento popular”, atirou Soares, reforçando que a população pode sempre “apresentar ideias e alternativas viáveis”.

Pedro Soares recorda ainda, em relação ao aquecimento nas escolas, que a situação prolongou-se durante meses e apenas foi resolvida após as primeiras denúncias de pais e da comunicação social. “Se o município tivesse tido abertura para falar sobre este problema abertamente, não teríamos esperado dois ou três meses para o ver resolvido”, salientou.

Já Álvaro Martins, membro da concelhia de Vila Verde do BE, concorda e reitera o que o deputado aponta relativamente a Vila Verde, dizendo mesmo que o concelho tem apostado “em coisas que não são importantes”. O elemento Bloco em Vila Verde aponta a ciclovia como uma obra “desnecessária” e refere que a Casa do Conhecimento é um edifício “que ninguém sabe para que serve”.

Álvaro Martins alerta para uma fraca rede de transportes para o Norte do concelho, salientando que seria mais importante garantir mobilidade para o Norte do que no centro da vila através de uma ciclovia que “ninguém está a usar”. “Há pessoas no Vade e Aboim da Nóbrega que saem às 11h da manhã de autocarro para ir ao médico a Vila Verde e só voltam à noite, porque não há transporte até lá”, diz.

“Vê-se dinheiro para tantas festas, mas quando chega a altura de apoiar o concurso para habitação social, só disponibilizam 3 ou 4 casas para 100 pessoas que precisam de habitação. Esse concusro abriu e fechou logo sem grande alarido e nem sabemos a quem foram atribuídas as casas”, aponta Álvaro Martins.

Mostra-se ainda contra os “ajustes diretos” da autarquia, dizendo mesmo que “já dá para adivinhar a que empresas são atribuídas as obras”, numa menção subliminar aos “autarcas empreiteiros” Carlos Cação e José Ferraz. “Sou contra os ajustes diretos e com isto digo tudo. Não acho que os ajustes diretos dão exemplo democrático até porque as obras são sempre entregue aos mesmos e isso revolta-me”, finaliza Álvaro Martins.

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Fernando André Silva

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Jornalista