Andreia Santos Opinião

Opinião. “Be Authentic”

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

Janeiro está quase a terminar. Enquanto te escrevo observo a chuva, que tinha mesmo que voltar. O dia acordou cinzento. Mas se estiveres atento/a, aqui e ali há raios de sol… ele também vem, mesmo quando não estamos capazes de o ver com tanta força. Supostamente, este será um momento em que as tuas resoluções já falharam, os teus níveis de motivação baixaram e o espírito alegre com que o ano começou já se esbateu. Como correu a tua Blue Monday, o dia calculado cientificamente como o mais depressivo do calendário anual? O que gostava de saber é como cuidas de ti quando te sentes menos bem? Como recuperas? Quando e como voltas a perceber que o sol nasceu apesar dos teus erros e falhas? Demoras muito a recuperar? Pois… para ti que demoras, podes ler: estás a perder tempo. Hoje é mesmo sobre tempo que te quero falar, o teu tempo, o nosso.

Ontem terminei o dia com uma reflexão, com a ajuda da última pessoa que acompanhei. O dia terminou tarde, mas com sentido. E foi feliz a constatação: falhar faz parte da condição humana. Talvez as melhores definições que existem sobre ser-se humano sejam aquelas que nos relembram que somos mortais, vulneráveis e imperfeitos. Não podemos ser ou conseguir sempre o que queremos, faz parte. Não será nunca de forma diferente. Negar esta realidade faz com que com o sofrimento cresça vestido de stress, frustração e auto-crítica. A inimizade que temos connosco mesmos/as não traz nada de bom e o mais curioso é que muitas vezes não somos assim mauzinhos/as com mais ninguém. Porque haverias tu de ser diferente das outras pessoas? Não és… falta-te gostar de ti… (e quem sabe deixar de ficares feliz apenas quando são os outros que falham). Já ouviste falar de autocompaixão? Diria que estás no momento de parares de te torturar e deixar a insegurança para trás. (Pois, as resoluções falham porque faz parte, mas não se tornam impossíveis. Apenas se conseguem no ritmo e dimensão certas, não com a exigência ou irracionalidade de te pedires o inalcançavel. Não será para desistir, mas para recomeçar permanentemente aceitando que damos passos maiores que as pernas ocasionalmente).

Há algum tempo que a investigação sobre processos emocionais humanos dedica atenção à amizade que temos connosco. Existem três elementos fundamentais na autocompaixão que serão para usar: sê gentil contigo e não te zangues tanto porque não estiveste bem, (nas situações de dificuldade devemos ter equanamidade ou a serenidade de espírito que não nos deixa afogar no estado emocional da dor), não acredites que “só a mim”, isso não é verdade e fará com que te isoles na mentira de que apenas tu falhaste ou não conseguiste ou estás “amaldiçoado/a”, (olha à tua volta, partilha, ajuda e sê ajudado), percebe que não és o teu estado emocional, emoções não são factos, recebe-as apenas. Há mesmo sol para além do cinzento. E tu és como o céu… guarda este segredo. A proximidade que cultivares a ti não é só por ti, (nunca nada é só para nós). Só quando partilharmos cá dentro generosamente o sentido verdadeiro de humanidade, frágil e imperfeita, alcançaremos a bondade, a empatia. E essas fazem tanta falta quando há tanta velocidade e dedicação ao que importa. Gostava, tu também se calhar, que parássemos de querer ser Super Poderosos à custa dos falsos super poderes da mentira emocional e da proteção do ego. Hoje não vou dar-te nenhum exemplo de pessoas que já conheces, (tu também vês os ecrãs e os jornais…) mas volto aos pedidos: sê o teu melhor amigo/a que a humanidade agradece. A moda do dizer: Be Authentic é grande para ser apenas isso. Será que tu sabes como és para seres um/a original? Por isso acrescento: começa por ti a mudar o mundo. Não temos muito tempo. A vida é para viver bem, um dia acaba, cuida de ti. Ainda temos tanto que fazer por cá… Espero voltar a falar contigo em Fevereiro. Até já!

Comentários

Acerca do autor

Andreia Santos

Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional