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Vem aí uma cápsula criada em Braga que extermina a vespa asiática

Cápsulas ARMA4VESPA © INL / Direitos Reservados
Fernando André Silva

A vespa velutina (asiática) continua afetar a atividade apícola, aumentado o custo de produção e reduzindo a produção de mel, colocando ainda em risco e em sobressalto as populações, sem que se conheçam ainda soluções viáveis para o controle da praga que chegou a Portugal em 2011. No entanto, uma nova esperança para apicultores pode surgir durante o ano de 2020, através de um projeto – ARMA4VESPA – que pretende desenvolver armadilhas seletivas para a eliminação daquela espécie.

O projeto, financiado pelo Programa Apícola Nacional do Instituto de Financiamento de Agricultura e Pescas, I.P. (IFAP), está a ser liderado pelo Laboratório Ibérico de Nanotecnologia (INL) em parceria com a TECMINHO – Associação Universidade – Empresa para o Desenvolvimento, a Federação Nacional de Apicultores (FNAP) e a Associação de Apicultores do Cávado e do Ave (APICAVE), num investimento de 149.845,00 euros.

Instituto de Nanotecnologia (INL) de Braga © FAS / Semanário V

O Semanário V esteve à conversa com Miguel Ângelo Cerqueira, investigador do INL e coordenador científico deste projeto com epicentro em Braga, que nos explicou que os avanços têm sido satisfatórios, com resultados finais a poderem ser conhecidos já no ano de 2020. Segundo o investigador, este projeto nasce na sequência de um desafio lançado ao INL por parte da APICAVE, e tem como objetivo desenvolver um método seletivo de auto-destruição, em que as próprias vespas levarão para os ninhos um isco que resultará na sua eliminação.

“O que tentámos desenvolver é uma cápsula que contém compostos atrativos para a vespa velutina, fazendo com que esta se sinta atraída pela partícula”. Para isso, a equipa de investigação e desenvolvimento elaborou vários testes, desde setembro de 2016, onde foram analisados diferentes aromas e compostos. “Depois disso chegámos a uma fórmula que está introduzida na cápsula pela qual as vespas se sentem atraídas e compelidas a pegar nessa cápsula e levá-la para o ninho, pensando tratar-se de alimento”, explica Miguel Cerqueira.

Ninho primário de velutina © FAS / Semanário V

No entanto, foram várias as dificuldades encontradas ao longo da investigação, sobretudo no que diz respeito à seletividade. Como outros insetos, incluíndo abelhas, se sentem atraídos pelos mesmos compostos, a equipa de investigação desenvolveu a cápsula com uma dimensão semelhante ao abdómen de uma abelha, parte que as velutinas habitualmente levam para o ninho[clicar para ver reportagem com vídeo de ataque de vespas a uma colmeia em Vila Verde], e com o mesmo peso, de forma a que outros insetos não os consigam transportar. “Isso faz com que apenas as vespas consigam transportar as cápsulas”, explica Miguel Cerqueira.

Após vários testes, conseguiram comprovar que as vespas são capazes de transportar estas cápsulas, faltando, no entanto, provar que as transportam para os vespeiros com o biocida. É um projeto onde a sazonalidade é muito importante e estão numa fase de espera da nova temporada de saída das vespas, que deve ocorrer a partir de março. No final será necessário obter as autorizações necessárias para usar estas cápsulas como um veículo para o uso dos biocidas. “A primeira fase está cumprida, a parte em que a vespa pega na cápsula, falta provar que a leva para o ninho. Acho que temos aqui uma boa solução que poderá depois sofrer alguns ajustes, mas creio que em 2020 já poderá ser uma solução eficaz”, realça o investigador.

Ninho secundário de velutina © FAS / Semanário V

Esta acaba por ser uma solução inovadora, como explica Miguel Cerqueira: “pelo que sabemos, não conhecemos ninguém que esteja a desenvolver este tipo de projeto, até porque ainda há pouco trabalho com vespa velutina. Existem grupos na França e Espanha mas não conhecemos nenhum tipo de aplicação com esta funcionalidade e a cumprir todos os requisitos: ser atrativo para a vespa e ter um tamanho especifico de forma a impedir transporte por parte de outros insetos. É desafiante e tem todo o risco associado a esse mesmo desafio, mas estamos muito satisfeitos com os resultados que temos obtido”, vinca o investigador.

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Jornalista

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