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Comerciantes querem feira de Braga de volta ao Altice Forum

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Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

A feira de Braga está instalada na nacional 101, que liga a cidade a Guimarães, desde julho de 2017. O que seria uma situação temporária tornou-se permanente, quando ficou decidido que a feira semanal deixaria de ter lugar nas anteriores instalações, optando a autarquia por instalar todos os feirantes no sopé do Monte Picoto e nas zonas adjacentes.

O movimento político Braga para Todos visitou a feira semanal e afirma que os cerca de 300 feirantes não estão satisfeitos com as condições e com o local e, além disso, não conseguem reunir com Ricardo Rio, alegando que o presidente da Câmara de Braga “além de mentir, ainda cobra avença mensal para trabalharem num local sem qualquer condições”.

 

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Em comunicado, o Braga para Todos apela aos bracarenses para “agir e serem solidários com as mais de 300 famílias que dependem daquele negócio”, assumindo que os feirantes vão pedir reunião urgente com Ricardo Rio.

O movimento político acusa, ainda, Ricardo Rio de “falta de respeito para com estas pessoas, de ser mentiroso e sem coragem para enfrentar as pessoas”, afirmando que “Braga tem um presidente que faz política para os amigos, e o facto dos feirantes não voltarem ao parque de estacionamento do Fórum é apenas para agradar aos amigos que geriam o mesmo, temos um presidente que não passa de um mentiroso e nega-se a receber os feirantes tal como a própria administração do Fórum não os recebe”.

Perante esta situação, o Braga para Todos assegura que vão “agir com uma petição e elevar este tema o máximo possível”. Acrescentam, ainda, que Ricardo Rio não deve “continuar à frente da cidade de Braga, porque ele não respeita os trabalhadores, só respeita a elite da qual se rodeia. Como podemos admitir ter um político que não consegue ouvir e zelar pelos interesses da cidade?”

“A maioria dos feirantes está descontente, porque não queriam ficar naquele lugar e foram várias vezes enganados por Ricardo Rio, que é quem ainda gere o Fórum”, acusou Roberto Martinho, feirante e residente em Lomar. Refere ainda que o local onde estão era apenas uma situação provisória e que apenas souberam pelos meios de comunicação que “se tornaria numa situação definitiva”.

Foram avisado, também, que seriam efetuados ajustes, no valor de meio milhão de euros para fazer obras. “Depois de termos um bom recinto, não faz sentido estar a gastar milhares de euros noutro espaço”, afirma Roberto, que realça que o espaço que existe ao lado da estrada “não alberga os cerca de 300 feirantes que a feira tinha quando era no agora fórum”.

“No parque de exposições eram cerca de 300 feirantes, agora somos 20 ou 30 quando está a chover”, porque a estrada fica inundada e os clientes não frequentam a feira, revela.

Relativamente à falta de condições, segundo os comerciantes, “se Ricardo Rio fosse honesto colocava-os sem pagar a avença, visto que uma feira numa estrada nacional não é aceitável no século XXI numa capital de distrito, além de existirem fundos europeus para dar condições de trabalho a este tipo de comércio”.

Roberto Martinho confessa que vai pagando todos os meses uma taxa quase igual à que pagava no outro recinto, mas “quem está na terra não paga e a culpa não é minha nem do meu colega”.

Ricardo Rio prometeu obras e justificou que, após a feira Agro, iriam iniciar. O movimento acusa o autarca de “mais uma mentira, porque estas já deviam ter arrancado há meses, e mesmo assim não vai resolver o problema”, alegando que “ficará um espaço muito pequeno e até perigoso para crianças e pessoas mais velhas que podem ter dificuldades atravessar a nacional que em partes é constituída por separadores, ou seja, não faz sentido”.

O movimento diz  que mais de 80% dos feirantes, não quer ficar ali e é contra as obras, “porque querem ir para onde sempre estiveram, para o fórum. A maioria quer voltar para onde estava, e não vale a pena Ricardo Rio andar a tentar manipular as pessoas como se sabe que faz, estas pessoas exigem ir para um local com boas condições”.

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Até ficar decidida uma nova mudança paa o local original da feira, o movimento quer que os feirantes não paguem avença à Câmara, afirmando que a feira rende cerca de 360 mil euros por ano ao Município, sendo que cada comerciante paga em média 80 euros por mês para trabalhar 4 dias.

Tendo em conta que alguns comerciantes pagam mais por terem mais espaço, para já apenas os que estão na terra batida não pagam. Afirmam, ainda, que esta situação não é justa, “porque todos têm condições más de trabalho”. Desta forma apelam a Ricardo Rio para que aceite reunir já com os comerciantes de modo a resolver o problema.

Ainda sobre as notícias que saíram em novembro do ano passado, que alegam que os feirantes não estão importados com esta situação, o movimento político fala de “manipulação” e de não ser a opinião da maioria, mas a que convém a Ricardo Rio.

“Lógico que há pessoas mais tolerantes e que por vezes são ludibriadas, mas quem for ao terreno vê que não é vontade da maioria estar ali”, dizem, declarando que “cada vez mais a feira perde comerciantes, porque, mesmo com sol, a deslocação faz perder clientes”.

Em comunicado realçam que as feiras devem ser centrais e dispor de equipamentos de apoio, sendo que esta feira “tem apenas o WC do parque da Ponte a cerca de 8 minutos a pé, o que não é plausível quando também é do conhecimento geral que alguns clientes e feirantes já têm idade mais avançada”.

O movimento lamenta, ainda, a falta de ação dos partidos da oposição, dizendo que isso mostra a necessidade de os independentes terem uma voz mais ativa na cidade. “O PS pegou no tema e abandonou, porque, para eles, era só mais um para brilhar na assembleia municipal. A CDU passou lá mas deve ter achado muito trabalho e não fez nada. O Bloco, além da Confiança e assuntos que em nada são do interesse dos bracarenses, em geral não existem na cidade”.

O Braga para Todos promete agir de outra forma, sendo que admitem incomodar “muita gente, porque em Braga parece que há uma reverência a Ricardo Rio”, no entanto confessam que “isso não existe, ele só tem que servir os nossos interesses, ser humilde, ouvir e resolver esta mentira, porque os bracarenses estão fartos e, ao contrário desses partidos, a nossa oposição não é presa a lobbies”.

“Estamos cá unicamente para dar voz aos bracarenses e acabar com a cultura de elite reinante na cidade e, neste tema é claro, os feirantes não voltam para o fórum porque para os seus administradores e para Ricardo Rio não deve ser algo bonito e, então, esconde-se. No entanto, estas pessoas fazem descontos e vivem desta atividade, como tal  merecem as melhores condições  possíveis”.

O movimento apela a todos os bracarenses que sejam solidários com os feirantes, porque garantem que, no que depender deles, será feita uma oposição com um único objetivo, que é o de garantir que estas pessoas estão no local onde querem trabalhar, têm condições dignas e sentem que são bem tratados pelo edil.

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Jornalista