Destaque Vila Verde

“Segurança pedonal” ou “montanha-russa”? Reunião de Câmara marcada pelas lombas

© FAS / Semanário V

As Lombas Redutoras de Velocidade (LRV) e passadeiras elevadas que estão a ser instaladas no centro de Vila Verde no âmbito da nova Ciclovia Urbana, motivaram esta segunda-feira um aceso diálogo durante a reunião de executivo municipal da Câmara de Vila Verde, com os vereadores socialistas a questionarem a legalidade da construção das mesmas.

Os vereadores do PS solicitaram um esclarecimento sobre as passadeiras elevadas, apontando que o “o cruzamento desta ciclovia com as vias rodoviárias transformou a circulação no centro urbano de Vila Verde numa verdadeira montanha-russa”.

Afirmam que estes “obstáculos nas vias” representam “um atentado à segurança e à mobilidade”, referindo que se atravessar Vila Verde era “difícil”, agora tornou-se “caótico”.

Dizem os socialistas que o traçado atual da ciclovia “não contribui para um real aumento da mobilidade urbana” e que “as condições técnicas não asseguram de todo a segurança de quem a partilha, designadamente peões, ciclistas e pessoas com mobilidade condicionada”.

“A mobilidade urbana e sustentável, prosseguindo políticas de proteção do ambiente, apresenta-se para o partido Socialista como um objetivo estruturante para desenvolvimento do concelho de Vila Verde”, referem, apontando essa motivação para terem votado favoravelmente a construção da ciclovia urbana, mas, “perante esta erupção descontrolada de lombas redutoras de velocidade” diz o PS que “não poderia ficar indiferente às preocupações da população e automobilistas que tem criticado veementemente a sua construção”.

Os socialistas citaram uma nota técnica da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) com várias medidas para “acalmar” o trânsito sem recurso a este tipo de lombas, apontando que todas “têm vantagens e inconvenientes, não sendo apropriadas a qualquer local pelo que devem ser usadas criteriosamente”.

Dizem os vereadores do PS que, aparentemente, essa mesma nota técnica da ANSR não foi “respeitada” aquando da instalação das lombas, ao nível de permitir uma passagem suave aos meios de emergência. Questionam ainda se a ANSR ou a Brigada de Trânsito da GNR foram ouvidas acerca da instalação destas passadeiras elevadas. Os socialistas falam ainda em distância obrigatória entre lombas que não estará a ser cumprida e medidas de proteção para os veículos de duas rodas e para viaturas pesadas que não estarão a ser salvaguardadas. Falam ainda na inclinação das mesmas, apontando discrepância relativamente ao recomendado pela ANRS.

“Vila Verde está a ser objeto da implementação de um plano de segurança e mobilidade rodoviária”

António Vilela, edil, esclareceu os vereadores socialistas que o concelho de Vila Verde está a ser objeto da implementação de um plano de segurança e mobilidade rodoviária cujo objetivo é diminuir a sinistralidade, quer rodoviária quer de outros meios de circulação, como sejam a utilização de meios alternativos aos veículos e, sobretudo, a circulação pedonal.

O edil explica que o concelho foi “objeto de um processo e sinalização de praticamente todas as vias municipais, da construção de novos passeios e, ainda, de elementos redutores de velocidade”. “Este projeto incide, sobretudo, em zonas de risco, normalmente na proximidade de escolas e nas áreas de maior circulação de pessoas” e “foi desenvolvido e (…) acompanhado por técnicos durante a fase de construção”.

Sem responder concretamente às questões levantadas pelos socialistas, António Vilela revela que fazem parte deste plano de segurança rodoviária a melhoria dos cruzamentos e entroncamentos, através da construção de rotundas e da criação de estruturas para melhor a circulação rodoviária e a segurança das pessoas”.

“A obra que se encontra a ser executada no Centro Urbano de Vila Verde ainda se encontra em fase de execução, pelo que, os comentários que atualmente correm na praça pública, apenas se podem referir a aspetos de uma obra que ainda não se encontra concluída”, refuta António Vilela.

“Após a conclusão da empreitada, uma equipa técnica que foi previamente constituída, irá acompanhar este plano”, esclarece ainda o edil.

António Vilela revelou ainda que a implementação de lombas “não se localiza apenas na sede do concelho mas que se alarga a todo o território concelhio, sobretudo nas vias municipais onde há mais risco de sinistralidade, onde é necessário melhorar a segurança das pessoas”. Ao que apurámos, vão ser instaladas dezenas de lombas redutoras também em diferentes freguesias do concelho.

Total de 40 passadeiras elevadas e lombas redutoras

António Vilela tinha anunciado a instalação destas lombas a 28 de setembro de 2018, durante uma Assembleia Municipal. Indicou que estão previstas “mais de quatro dezenas de lombas e passadeiras elevadas” a propósito de críticas que surgiam então à construção da nova ciclovia.

O edil reforçou na altura que iria ser criada uma rede de passadeiras já estariam previstas no projeto e que “melhorarão a circulação com mobilidade condicionada e a segurança rodoviária”.

Na altura, este esclarecimento surgiu em resposta ao clima que se tinha instalado por entre a sociedade civil de Vila Verde, com várias críticas a supostos erros como “os locais que terminavam em degrau”. António Vilela explicou então que os “degraus” serviam para ligar com passadeiras e lombas para “mobilidade pedonal”.

“Isto não são opções avulso como parecem fazer crer. São estratégias definidas pelo executivo para a mobilidade sustentável em Vila Verde”, disse.

Sobre o plano de mobilidade para o concelho, e não só para o centro urbano, o edil deu na altura o exemplo dos lanços de passeio recentemente construídos na entrada norte de Vila Verde, junto ao Intermarché, revelando que o mesmo irá acontecer na zona sul.

Porquê uma ciclovia e não uma ecovia?

“Isto é um investimento no âmbito do financiamento de um plano que só pode ser utilizado em mobilidade sustentável, ou seja, no meio das zonas urbanas. Por isso é que iniciamos a ciclovia antes da ecovia ”, garantiu Vilela, após críticas surgirem pelo não avanço da Ecovia, esperado para 2019 [ver página 2 a 5].

“Há muitas e importantes obras em Vila Verde e a ciclovia é uma delas”

“Um projeto de mobilidade sustentável que vai dar atos de vida saudável, circulação sustentável e entregar as praças e avenidas à população de Vila Verde”, disse na mesma Assembleia Municipal, Alberto Rodrigues, deputado eleito pelo PSD, que defendeu a obra em curso afirmando que “traz óbvias vantagens para todos”.

O deputado refere que “só não vê quem não quer ver” que a obra vai ainda incluir “passadeiras niveladas, proteções laterais junto a estacionamentos e ligações às zonas de lazer e à obra da adega cooperativa”.

“Confio na capacidade dos técnicos e engenheiros da Câmara de Vila Verde e sei que tudo será acautelado e a melhoria das vias para pessoas com mobilidade reduzida será prioritário”, disse o também diretor do Agrupamento de Escolas de Vila Verde.

“Lombas em número excessivo, mal sinalizadas e enormes”, diz Álvaro Santos

“LOMBAS EM VILA VERDE: são em número excessivo, mal sinalizadas e enormes!”. A crítica foi feita por Álvaro Santos, presidente da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde e figura reconhecida no tecido associativo de Vila Verde a propósito da construção de passadeiras elevadas e lombas redutoras que tem sido levada a cabo no centro da vila.

O antigo presidente da Assembleia da AH dos Bombeiros de Vila Verde, escreve no Facebook que as mesmas “surgiram, da noite para o dia, como cogumelos”. “Só da EB23 até aos Bombeiros, passando pela câmara, num trajeto de 1,5 Km, há 15”, conta o também professor, que deixa algumas “dicas para melhorar a situação”.

“Nas rotundas os carros já são obrigados a abrandar. Só na rotunda da EB23 há três! Isto faz sentido?”, questiona, apontando algumas das passadeiras como “super-lombas, muito agressivas e têm, obrigatoriamente, de ser disfarçadas” e “ser, urgentemente, pintadas e bem sinalizadas;

Diz ainda que “muitas poderiam ser substituídas por rebaixamento dos passeios” e que é fundamental garantir “canais limpos” para circulação de veículos prioritários, como por exemplo ambulâncias”.

“Quem por aqui circula sente na pele o transtorno que as lombas provocam na circulação automóvel, a qual já era bastante difícil. E a situação é agravada por não haver uma variante à sede do concelho”, atira ainda Álvaro Santos, referindo que nas localidades “é bom dar-se prioridade aos peões” mas “tem de haver equílibrio entre a circulação de automóveis, bicicletas e peões”.

“Sei que não é fácil chegar a esse equílibrio mas parece-me que neste momento estamos longe de o ter encontrado. Ainda há tempo para se fazerem correcções. Mãos à obra”, escreve o professor através das redes sociais.

Comentários

Acerca do autor

Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista

Acerca do autor

Paulo Moreira Mesquita

Paulo Moreira Mesquita

Diretor Semanário V