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“Os autarcas devem gerir os dinheiros públicos como quem gere a sua casa”

Luís Pedroso Presidente da Junta de Maximinos, Sé e Cividade © FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Luís Pedroso, presidente da União de Freguesias de Maximinos, Sé e Cividade, já reagiu às declarações da responsável pelo gabinete de apoio psicológico de Braga da Liga de Apoio Contra o Cancro, instalado num edifício da autarquia.

Fátima Soeiro veio na quinta-feira a público, numa entrevista ao jornal Correio do Minho, revelar que aquela associação recebeu uma carta da junta a indicar que não seria renovado o contrato de cedência de instalações. Fátima Soeiro acusou ainda Luís Pedroso, presidente da junta, de não ter legitimidade para os colocar fora do edifício sede da junta de freguesia da Sé, no centro de Braga.

Ao Semanário V, o autarca refuta, dizendo que a decisão não foi tomada de ânimo leve e que os custos estão a tornar-se insuportáveis para os cofres da autarquia, e reforça que existe toda a legitimidade uma vez que o edifício pertence à autarquia da Sé e que a decisão foi tomada em reunião de executivo, composto por dois partidos políticos e um movimento independente.

“Não temos nada contra ninguém, a única coisa que temos, por obrigação pública, é gerir as coisas de forma racional, então mandamos uma carta a referir que, acabando o contrato, teriam de sair”, aponta o autarca, esclarecendo que foi tentado um consenso mas que a associação foi irredutível.

“Em 2014 reunimos com os responsáveis e foi-lhes dito que três salas era um exagero, bastavam duas. E que tinham de comparticipar pelo menos com 100 euros por mês para ajudar na despesa. Mas eles foram irredutíveis. Por ser um assunto delicado acabámos por não mexer na altura, mas o tempo foi passando, e eles acabaram por reunir com o presidente da Câmara para encontrar uma solução, e não houve mais reunião comigo ou com alguém da Junta de Freguesia”, esclarece.

Luís Pedroso aponta uma elevada despesa proveniente do aquecimento e do funcionamento de um elevador, que exige reparações “muito elevadas”

“Não é só a água e a luz que não é paga. Também pagamos a manutenção do edifício, incluindo o elevador, que tem de ter uma linha telefónica própria para o caso de acontecer algum incidente. E também pagamos essa linha. Pagamos a limpeza do edifício, porque é nosso. E não recebemos dinheiro nenhum”, queixa-se o autarca.

“Sei que já falaram com o presidente da Câmara, com o vice-presidente, mas eu fico pasmado como vejo na imprensa, bem escarrapachado, que não reconhecem legitimidade ao presidente da União de Freguesias para fazer tal coisa”, aponta, revelando que irá participar numa reunião promovida pelo vice-presidente da Câmara de Braga, Firmino Marques, com os responsáveis daquela associação. “Ainda hoje [ontem], o vice-presidente da Câmara me convidou para uma reunião na próxima semana [14 de fevereiro]. E eu vou ser muito sincero, vou à reunião por consideração ao sr. vice-presidente, porque o que veio no jornal é no mínimo indelicado. E esse tipo de reuniões não é na Câmara, mas sim na sede de junta de freguesias, porque a união de freguesias é que é o proprietário do imóvel. Mas acedi ir à reunião”, confessa.

Edifício da junta da Sé é “poço de despesas”

“Eu acho que os autarcas e todas as pessoas que têm responsabilidades com dinheiros públicos devem gerir essas casas como quem gere a sua casa. O edifício da Sé, que está aberto como junta de freguesia, é um edifício extremamente caro. Quando aquele edifício foi requalificado, era com intuito para a Junta gerar mais valias económicas para poder desenvolver outro tipo de atividades. Um dos objetivos era possuir um auditório, mas encontrou-se as ruínas da Domus e começou logo por aí: já não se fez auditório”, aponta. “Quando entramos para a junta, em 2013, constatámos que a fatura energética no inverno é muito alta e apesar de estar lá também o DCIAP, pelo menos pagam renda, apesar de também não pagarem luz nem água, nem condomínio. É tudo por conta da União de Freguesias”, reforça.

Saída da associação provoca críticas do movimento político Braga para Todos

O movimento político Braga para Todos manifestou-se sobre esta situação. Em comunicado, o movimento lamenta que a autarquia não apresente uma sala disponível para a delegação da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Elda Fernandes, daquele movimento, considera uma “falta de respeito pela associação que já ofereceu mais de 3.300 consultas de psico-oncologia a 300 doentes desde 2013”. Não foi, no entanto, possível confirmar estes números avançados pelo Braga para Todos.

Elda Fernandes considera que trocar a Liga por uma associação é uma desculpa que não colhe, admitindo que “já há em Braga vários espaços que cedem os locais para associações recreativas que têm o seu papel na sociedade, mas no outro lado da balança está uma doença que mata e afeta ferozmente o doente e a família”.

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Fernando André Silva

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Jornalista