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Fotógrafo de Braga ajuda e pede auxílio para irmãs com “doença dos ossos de vidro”

Fernando André Silva

Paulo Moroso, fotógrafo bracarense e diretor do clube BTennis, teve em exposição vários quadros que retratam a comunidade de Rabo de Peixe, na Ilha de S. Miguel, nos Açores, cujas vendas revereteram para uma associação local. Cerca de 15 quadros da exposição foram agora entregues a duas irmãs que padecem da “doença dos ossos de vidro”, de forma a angariarem fundos para contratar um prestador de cuidados continuados para a família.

Ao Semanário V, o empresário e fotógrafo explica que conheceu as duas irmãs durante uma viagem a Rabo de Peixe, a mesma que serviu para retratar a comunidade local. “Elas estavam num restaurante onde eu estava a comer com a minha família e os meus filhos não conseguiram deixar de olhar para elas. Quando se aperceberam, chamaram os meus filhos e ofereceram-lhes uma guloseima”, conta Paulo.

O fotógrafo realizou depois uma exposição no Centro Comunitário de Rabo de Peixe convidando as duas irmãs para a inauguração do evento, como retratam as fotografias enviadas por Paulo Moroso ao V.

Explica que “os quadros dessa exposição não vendidos foram agora entregues às duas irmãs de forma a angariarem fundos”. “São 15 quadros e elas agora vendem pelo preço que quiserem, pois o dinheiro fica todo para elas”.

E as irmãs agradecem, tendo já aberto uma conta bancária para efeitos solidários, onde qualquer pessoa pode deixar um donativo, mesmo que não compre qualquer quadro.

NIB: 0160 0100 00858110004 20
IBAN: PT50 0160 0100 0085 8110 0042 0
SWIFT/BIC: BESAPTPA

“Esta á uma forma de chamar a atenção para esta doença rara”

“Na primeira vez que fui à ilha de S Miguel, ainda antes de ir a Rabo de Peixe, almocei num restaurante chamado “A Cooperativa”, e estava a decorrer um batizado, com as duas irmãs lá acamadas. Aquilo causou curiosidade aos meus filhos, e elas, super alegres repararam e fizeram sinal para irem lá. Eles foram e receberam um chupinha. Aquilo ficou-me na memória. Passados uns meses, na altura em que vou fazer a exposição, fiquei alojado em Rabo de Peixe, na Associação Cultural, e, no primeiro dia em que pouso as coisas, reparo que na casa ao lado era onde elas moravam”, explicou ao Semanário V.

“São as coincidências da vida”, atira. Explica ainda que, na altura do Natal, em conversa através das redes sociais, as irmãs lamentaram-se que faltava dinheiro para ter uma pessoa a cuidar delas a tempo inteiro. “Eu pensei: as fotografias estão ali, eu dou-vos e vocês tentam vender os quadros e angariar dinheiro. E ficou assim”, diz.

As irmãs tinham sido notícia no final de 2017 após a promoção de uma angariação de 30 mil euros por parte do Clube Naval da Vila de Rabo de Peixe, conseguindo adquirir duas camas elevatórias para as irmãs.

Segundo Florinda Batata, uma das irmãs, este gesto de Paulo Moroso é bem recebido. “Acho uma perda de tempo andar com lamentações e frustrações sem sentido nenhum, temos sim de seguir em frente e aproveitar dias como esse [da exposição] e eu aproveitei-o ao máximo mesmo, porque para sermos felizes no futuro temos de esquecer o passado”, disse Florinda, pedindo a Paulo Moroso e “a todo o mundo” para fazerem “o favor de ser felizes”.

Exposição em Rabo de Peixe foi momento apaixonante para Paulo Moroso

A paixão pela viagem e pela fotografia levou Paulo Moroso, fotógrafo bracarense e diretor da empresa BTennis, até à ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, onde descobriu casualmente a comunidade piscatória de Rabo de Peixe, na Ribeira Grande.

Classificando-a como “sui generis e apaixonante”, o fotógrafo captou momentos onde os trabalhadores, na azáfama matinal, preparavam a faina para mais um dia de pesca.

Numa viagem de carro sem destino em maio de 2018, Paulo Moroso viu-se assim envolvido na comunidade daquele local, que já foi classificado como o mais pobre de Portugal.

O convite para uma exposição surgiu naturalmente, com o trabalho fotográfico de Paulo em exposição durante dois meses no Centro Comunitário de Rabo de Peixe.

Segundo Paulo Moroso, esta foi uma das melhores experiências que teve na vida. “Este foi um dos dias em que me senti mais acariciado, participativo e contributivo na e para a sociedade”, refere o fotógrafo que faz sucesso no Instagram.

O fotógrafo ofereceu ainda um exemplar de fotografia a cada um dos retratados, gesto que emocionou aquela comunidade e as receitas da exposição revertem para a companhia de teatro local.

“Agradeço a todos os que me ajudaram e contribuíram para tornar este projeto o sucesso que foi e que está a ser. Um muito obrigado à associação AJURPE e a todos os seus associados pelo carinho e amizade que demonstraram para comigo e com o meu trabalho. Espero que este tenha sido mais um pequeno passo para todos nós desmistificarmos a vila de Rabo de Peixe nos Açores, tal como todos os que lá habitam. São pessoas genuínas, de trabalho árduo, mas sempre com um enorme coração”, disse na altura Paulo Moroso ao Semanário V.

O que é a doença dos ossos de vidro (osteogênese imperfeita) ?

É um grupo de doenças genéticas raras caracterizadas por ossos e dentes frágeis. A severidade da doença depende dos genes afetados. Existem 9 tipos identificados dessa doença que afetam 1 em cada 20.000 nascimentos.

Os pacientes com esta enfermidade nascem com um problema (mutação ou ausência de uma das enzimas necessárias) na formação de colágeno tipo 1. Muitas crianças com osteogênese imperfeita nascem com fraturas, sofrem deformidades e não sobrevivem a idade adulta. Aquelas que sobrevivem, sofrem diversas fraturas, têm baixa estatura, problemas respiratórios, auditivos e odontológicos. As fraturas podem ocorrer mesmo sem causa aparente. Porém a capacidade cognitiva, sensitiva e emocional é normal.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista