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Jovem professor de Cervães vence prémio nacional de melhor tese de doutoramento

Fernando André Silva

Pedro Forte, 27 anos, natural de Cervães, é um dos doutorados académicos mais jovens de sempre na área das Ciências do Desporto em Portugal. Foi-lhe ainda atribuído, no início de fevereiro, a distinção de melhor tese de doutoramento por entre as várias universidades afetas ao Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD), tais como a Universidade da Beira Interior, a UTAD, o ISMAI, a UÉvora ou o IPLeiria.

“Dinâmica Comportamental de Fluidos nas Provas de Velocidade em Cadeira de Rodas” é o nome do estudo em que incidiu a tese de doutoramento, onde é virtualmente simulada a articulação de um túnel de vento que permite analisar a aerodinâmica de um corpo. Mário Trindade, atual campeão europeu nos 100M e medalha de prata nos 400M, serve de modelo para este estudo que pretende incrementar melhorias na performance de atletas de alto rendimento, mas não só. “Serve também como estudo para modelos de Fórmula 1”, adianta Pedro Forte ao Semanário V.

“É criada uma geometria em três dimensões do atleta e da cadeira de rodas. O software transforma valores instantâneos em médias e permite simular o escoamento do ar em torno da geometria do atleta e da cadeira. Isso vai dar-nos os coeficientes de arrasto, variáveis muito utilizadas em provas onde a aerodinâmica tem muita importância, como é o caso da Fórmula 1”, explica.

A tese, complexa, recolheu elogios por entre a comunidade académica, onde Pedro já está fortemente inserido e com intenção de prosseguir carreira. Professor do Ensino Superior, no ISCEDouro, em Bragança, é também coordenador do Núcleo de Investigação de Desporto e Exercícios Físico. Mas é em Cervães que deixa raízes. A escola primária, fê-la em Cervães. Seguiu-se o colégio Didalvi, de onde saiu para ingressar no Ensino Superior, no Instituto Politécnico de Bragança, onde concluiu a licenciatura em Desporto. Seguiu-se o mestrado em Exercício e Saúde, que terminou aos 23 anos, iniciando em 2014 a tese de doutoramento, que foi entregue em outubro de 2017, ainda com 26 anos, e defendida em julho de 2018, já com 27.

“Não sei se sou o mais novo doutorando de sempre no país, teria de confirmar com todas as universidades, mas nas Ciências do Desporto, sou um dos mais novos de sempre, de certeza”

Ligado também ao Basquetebol, treinando o “Estrelas Brigantinas” e à formação de Futebol, onde treina na “Escola de Futebol Crescer Bragança”, Pedro explica ao Semanário V porque decidiu enveredar caminho pela investigação na área do Desporto. “Quando somos estudantes do básico e secundário, temos sempre uma disciplina favorita. A minha sempre foi a Ed. Física, e a devo muito aos meus primeiros professores nessa área, porque inspiraram-me e foi através deles que percebi que o desporto podia ser a promoção da saúde ou o desenvolvimento desportivo. Essas áreas acabaram por me despertar interesse e fiquei a achar que desporto é mais do que jogar futebol ou basquetebol, mas sim uma forma de promover a saúde. Já na investigação, é uma forma de ajudar a melhoria de atletas, potenciando a performance”, explica.

“Eu tinha a certeza de duas coisas: a primeira, era de que iria gostar do que estava a seguir e que a motivação para isso era intrínseca. Apesar das dúvidas sobre o futuro e se teria saída profissional. Os meus amigos e família perguntavam-me se iria ficar a treinar num ginásio ou se conseguiria ser professor académico, que era o meu objetivo”, explica, revelando que “a partir do momento em que entramos na investigação, percebemos que temos saídas noutras áreas”.

Atualmente, é professor de carreira, trabalhando pelo progresso na mesma. Em nível de investigação, “tanto quanto o possível”, tenta “produzir cientificamente a aprovação de artigos sobre novas temáticas e sobre a tese de doutoramento”. “Quando realizamos um estudo, surgem mais perguntas que respostas, pois cada estudo traz mais dúvidas e a produção científica continua a ser uma necessidade, e isso é uma motivação para que eu continue na área da investigação académica”. Pedro acredita que o desporto está cada vez mais enraizado na sociedade, mas “ainda há muito trabalho a fazer, desde as crianças aos mais velhos”.

Vila Verde tem “grande oferta de infraestruturas desportivas”

Sobre Vila Verde, Pedro refere que, “em comparação com Bragança”, onde reside, “há maior oferta de infraestruturas desportivas”.
“Há duas coisas em relação a Vila Verde que queria destacar. Uma é que existe maior oferta do que nas regiões mais interiores do país, e nota-se que a vila tem uma oferta variada, e existindo essa oferta, é uma forma mais acessível de aumentar os níveis de atividade física na população”. “Tanto quanto sei, existem piscinas, pavilhões, vários polidesportivos, uma aposta imensa, transversal a todos os concelhos, em campos de relvado sintético, e agora começam a surgir os parque de recreação e lazer, com instalações que proporcionam exercício físico”, explica Pedro que até é irmão do presidente da Junta de Cervães – Hélder Forte.

“Em Cervães há um caso desses, e o facto de existirem essas pequenas ofertas, seja por ciclovias ou faixas pedonais, pode também levar a pessoa a experimentar e aderir à prática ou até à filiação num clube ou entidade”. Mas Pedro acha que o investimento feito, não só em Vila Verde como em todo o país, “não é suficiente”.

“Outra faceta é que nos últimos anos temos assistido à abertura de estúdios de fitness e ginásios com cada vez maior frequência, mas os índices de atividade física estão baixos, o que deixa um desafio para a governação do país e também um desafio para investigadores de ciências de desporto, para perceberem porque é que isso acontece”, esclarece.

Sobre o prémio de melhor doutoramento, o professor mostra-se “orgulhoso” com o feito. “Isso é inquestionável, pois faz-nos relembrar o que somos e de onde vimos. “Quero realçar que este prémio não seria possível sem ter três pilares fundamentais – família, amigos e orientadores académicos”.

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Jornalista

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