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Vila Verde: “Doutor, tenho medo de não acordar da anestesia”

Redação
Escrito por Redação

“Doutor tenho medo de não acordar da anestesia”, é uma frase que seguramente todos os anestesiologistas já ouviram no seu percurso profissional. A maioria dos doentes que vão ser anestesiados para se submeterem a uma intervenção cirúrgica ou realizar um exame de diagnóstico, têm receio da anestesia.

Esta ansiedade resulta da inquietude e desconforto que o desconhecido desencadeia no ser humano. Há efetivamente um grande desconhecimento do que é a anestesia, de quem é (e o que faz) o Anestesiologista, das condições de monitorização a que o doente será sujeito, por forma a que tudo decorra de acordo com normas de boas práticas, cumprindo orientações internacionais, na forma de linhas de orientação, bem estabelecidas, comprovadamente eficazes e seguras.

Falámos com Célio Antunes, diretor do Bloco Operatório e Coordenador da Anestesiologia do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde.

“No Hospital da Misericórdia de Vila Verde dispomos de material de ponta, seja na abordagem da via aérea, seja durante todo o peri-operatório. Somos das poucas, para não dizer única, instituição privada que dispõe de um videolaringoscópio (aparelho utilizado para a intubação) topo de gama, que permite fazer face a uma abordagem da via aérea difícil, seja esta previsivelmente difícil ou, ainda pior, se à priori não houver fatores preditivos dessa mesma dificuldade”, refere Célio Antunes.

Outra das preocupações do doente é o receio de ter dor. O Hospital da Misericórdia de Vila Verde é pioneiro, pelo menos no Norte de Portugal, na utilização de um dispositivo médico que permite ao doente a administração de um comprimido sublingual quando começa a estar desconfortável, fazendo o doente, de forma perfeitamente autónoma, mas segura, a gestão da administração da medicação para controlar a própria dor. Esta medicação é complementada com outras medicações analgésicas e diferentes técnicas de administração terapêutica, tratando se de uma analgesia balanceada ou multimodal, de acordo com o estado da arte, como nos explica o especialista.

A área de intervenção do Anestesiologista é muito mais abrangente do que conseguir adormecer o doente, mantê-lo sem consciência, nem dor, durante todo o procedimento, acordando-o no final do ato a que foi submetido, preservando as suas faculdades físicas e cognitivas. O Anestesiologista dedica-se a um conjunto de intervenções modernamente designadas como medicina peri-operatória, integrando a avaliação pré-operatória, as ações estritamente do foro da anestesiologia durante a cirurgia ou realização do meio de diagnóstico, bem como os cuidados prestados na fase de recuperação (recobro) do doente a nível das unidades de cuidados pós-anestésicos. Para além desta área de trabalho, assume papel preponderante na atuação a nível da Medicina da Dor (tanto aguda como crónica), da Medicina Intensiva e da Emergência Médica.

Todos os Anestesiologistas são médicos especialistas, com mais de uma década de formação, abrangendo áreas específicas que abarcam as situações de urgência e emergência, que poderão ocorrer em ambiente do bloco ou fora deste, tanto a nível hospitalar como extra-hospitalar.

O Anestesiologista quando propõe uma determinada técnica anestésica (anestesia geral, sedação ou anestesia loco-regional) está a ter em consideração uma série de variáveis, como o local a intervencionar, o procedimento diagnóstico ou cirúrgico a realizar, o estado físico e reserva funcional do doente (capacidade que o doente tem de resistir e fazer face a uma agressão, como o é, o ato cirúrgico). Tem em consideração a idade, as doenças de que padece (patologia associada) e a medicação habitual do paciente, suas interações e efeitos laterais. É da análise criteriosa de todos estes parâmetros, realizada na avaliação pré-operatória (em consulta, no internamento ou no bloco) que se opta por uma ou outra técnica anestésica, tendo sempre em mente o bem estar e o que será melhor para aquele doente e para aquele procedimento concreto, podendo para o mesmo doente, num outro procedimento, ser aconselhável uma técnica diferente.

Sala de cirurgia no Hospital de Vila Verde

Para além desta vertente clínica, também existe a vertente tecnológica, de monitorização, que acompanha todos os atos anestésicos, antes, durante e após os procedimentos a realizar. O Anestesiologista é o médico que garante que as funções vitais serão preservadas, assegurando um adequado controlo da via aérea, uma ventilação (respiração) eficaz, garantindo a estabilidade cardiovascular, mantendo a frequência cardíaca e as pressões arteriais o mais adequadas possíveis, assegurando que o sangue chegue a todos os órgãos.

Para alcançar estes objetivos, faz uso da administração criteriosa de fluídos (soros e, se estritamente necessário, sangue) e uma seleção de fármacos, de modo a preservar a funcionalidade dos diferentes órgãos, proporcionando simultaneamente as melhores condições cirúrgicas. Recorre a uma monitorização, padronizada, mas que poderá ser mais ou menos invasiva, dependendo do procedimento e das condições intrínsecas do doente. Há registos detalhados de tudo o que é feito e acontece durante os procedimentos.

A segurança do doente é condição prioritária e obrigatória. Há uma série de perguntas que são feitas repetidamente, em momentos diferentes, da avaliação clínica. Esta repetição não é mais do que um mecanismo extremo de segurança, que visa garantir que nada do que é fundamental deixa de ser questionado.

São mecanismos de segurança utilizados na aviação, recorrendo a check-lists (listas de verificação), quer de avaliação clínica, quer da presença e da funcionalidade dos aparelhos, garantindo que todo o material que será necessário esteja disponível e em perfeito funcionamento, tal como o fazem os pilotos de aviação ou de corridas de competição automóvel, tentando garantir que tudo está em perfeitas condições antes da partida. Como o cockpit do avião e do carro de corrida estão munidos de aparelhagem que transmite informação de modo a que se possa optar pelo melhor e mais seguro percurso, adequando a velocidade à trajetória, também o Anestesiologista utiliza monitorização para ir adequando o estado de profundidade anestésica, efetuando reajustes na ventilação e estado hemodinâmico do paciente, de modo a que o seu percurso anestésico-cirúrgico seja o mais estável e seguro.

Para as situações de Dor Crónica, a SCMVV possui uma consulta da dor, constituída por uma equipa multidisciplinar (Anestesiologia, Medicina Geral e Familiar, Fisioterapia e Psicologia). “Podemos com toda a certeza afirmar que estamos dotados de profissionais altamente qualificados (Médicos, Enfermeiros, Auxiliares Ação Médica, Secretariado, Assistentes Operacionais) e dispomos da melhor e mais atual tecnologia com vista a garantir que todos os procedimentos realizados na nossa Instituição, o são com o mais elevado rigor, segurança e qualidade. Connosco, terá um atendimento de qualidade, personalizado e humanizado, cumprindo os padrões de exigência e excelência, que guiam a nossa conduta segundo o lema “Fazer o bem, fazendo-o bem”, refere Bento Morais em declarações ao Semanário V.

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