Braga Opinião

Bruno Gonçalves: “Sem pedreira no caminho, construa-se a confiança”

Bruno Gonçalves
Redação
Escrito por Redação

O líder da concelhia de Braga da Juventude Socialista (JS) veio a público, através de um artigo de opinião, “esmiuçar” a questão do contrato entre a Câmara de Braga e o SC Braga para cedência do estádio municipal, recordando que Ricardo Rio, atual edil, posicionou-se “em prol” da construção do estádio, sabendo que os custos de manutenção seriam elevados.

Bruno Gonçalves aponta o anúncio do referendo municipal sobre a alienação do Estádio Municipal de Braga recordando que “o debate em torno dos custos associados a este equipamento desportivo não é novo e estes foram, ao longo da última década, explorados por todos os quadrantes políticos – seja a nível local, regional ou nacional”. “Não obstante, foi o próprio PSD do Dr. Ricardo Rio, atual presidente da Câmara Municipal de Braga, que estimou os custos de manutenção do estádio em mais de 1 milhão de euros anuais em 2003 – dado esse que não impediu o PSD de se posicionar em prol da construção e do financiamento do mesmo”, diz o líder da JS.

Bruno Gonçalves aponta que o referendo “colocará nos ombros de cada um dos bracarenses a responsabilidade, inédita, sobre o futuro de um dos principais equipamentos da cidade”, apelidando a questão como “particularmente sensível para os adeptos do SC Braga, clube que faz usufruto do espaço” e “para cada um dos cidadãos bracarenses”. “E é neste campo, da responsabilidade e da tomada de decisão, que o presidente da câmara municipal falha. Falha porque, apesar de conhecida a sua posição firme em prol da alienação do estádio, promove um referendo local sem debate público prévio, lúcido e coerente, transferindo as suas competências para cada um dos seus munícipes e imiscuindo-se da sua principal função, que lhe foi confiada através de uma eleição democrática e livre, que é a de tomar decisões”, aponta.

Bruno Gonçalves alerta ainda para uma alegada “falta de liderança política em matérias fulcrais como esta seja particularmente preocupante quando se fala de um líder executivo, não é, todavia, o único sinal da falta de norte”. “Basta relembrar decisões do passado recente (e não, não lhes chamarei esqueletos por cortesia). Não houve, por exemplo, referendo local por parte deste executivo no que tocou à cedência dos terrenos para a construção da academia desportiva do Sporting Clube de Braga, hipotecando a possibilidade de criação de uma parque verde na zona Norte da cidade, ou, mais recentemente, na decisão de alienação do edifício da Fábrica Confiança – mesmo que o programa eleitoral da coligação fosse, apenas e só, ambíguo no que a isto diz respeito. São, aliás, contrastantes as declarações do líder da oposição Ricardo Rio e do presidente da câmara Ricardo Rio”, refere.

“Focando no futuro, interessa salvaguardar a convivência saudável da cidade de forma transversal onde o desporto, a cultura e a natureza possam viver em simbiose com os bracarenses. Nesse sentido, o apelo é de que este referendo possa ser, para além de um debate sobre o estádio, o início de um rumo para uma cidade que não pode mais ficar parada no tempo. Recorrendo à retórica utilizada, nos últimos meses, pelo responsável máximo do município que atribuía a incapacidade financeira da câmara para resolver questões como as da antiga fábrica aos custos de manutenção do estádio, responde-se em sentido inverso, neste momento, para se exigir que o debate em torno da alienação do estádio (e da poupança dos cofres municipais) seja acompanhada pelo debate do investimento. Não há, portanto, mais desculpas para atrasar a possibilidade de reabilitação da Fábrica Confiança enquanto património cultural ou do parque eco-monumental das Sete Fontes como marca ecológica e verde da nossa cidade. Às gerações do presente, mais novas e mais velhas, interessa uma cidade de futuro com valor e ambição. E isso apenas se fará construindo, acima de tudo, confiança”, finaliza Bruno Gonçalves.

Comentários

Acerca do autor

Redação

Redação

Deixar um comentário