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Câmara falou em desagravamento mas água está mais cara em Vila Verde. PS quer pedido de desculpas

Fernando André Silva

As primeiras faturas dos serviços de água, saneamento e recolha de lixo de 2019 começam a chegar aos vila-verdenses e alguns não gostaram da mudança de tarifário aplicada pela Câmara para este novo ano, até porque foi na altura anunciado que as mudanças trariam um “desagravamento” na fatura. Em reunião de executivo a 15 de novembro de 2018 foi aprovada a mudança de tarifa com quatro votos do PSD e três votos contra do PS. Em alguma imprensa regional e no site da Câmara, foi anunciado um “desagravamento”, ao contrário do noticiado pelo Semanário V, que resolveu fazer as contas.

Notícia de mudança de tarifário no site da Câmara, no jornal O Vilaverdense e no Semanário V

No consumo de água doméstico, o novo tarifário acarreta um aumento de mais de 3% nos principais escalões e uma redução no primeiro escalão, ou seja, para quem consumir menos de 5.000 litros/mês, motivo que fez a Câmara de Vila Verde anunciar que existiria “um desagravamento” na fatura da água. E o desconto existe mesmo, mas apenas no primeiro escalão [de 1,11%], enquanto os aumentos nos restantes são de 3,33%, 3,14% e 3,57%.

Na prática, as famílias que consumirem mais de 5.000 litros/mês ficaram com a conta agravada. Um agregado familiar de três pessoas representa uma média diária de 372 litros, o que representa 11.116 litros/mês.

Segundo o vereador do PS de Vila Verde, José Morais, existe um “aumento assinalável no valor a pagar” após o novo tarifário, e quer um pedido de desculpas por parte da Câmara de Vila Verde por ter comunicado, através da imprensa, que existiria um “desagravamento na fatura”. Diz José Morais, através de comunicado de imprensa, que entre “uma fatura de 2018 e outra de 2019 (…) há um aumento efetivo superior a 16%”.

Esta segunda-feira, em reunião de executivo, os vereadores socialistas levaram à mesa de António Vilela e seus pares duas faturas da mesma casa, apontando um agravamento de 16% na conta final, exigindo explicações, conforme ata de reunião a que o V teve acesso, questionando mesmo o edil se não seria um “lapso” dos serviços de faturação.

António Vilela, sobre as faturas, diz tratarem-se de “duas realidades diferentes” que “não são comparáveis”. “Estamos na presença de dois documentos que relatam duas formas diferentes de faturar o mesmo serviço, quer no que se refere a consumos quer no que se refere a períodos de tempo faturados”, diz o edil, apontando que o “documento apresentado está incompleto” e que “não é possível obter, no conjunto, comparações que possam dar origem a conclusões evidentes”.

Diz António Vilela que quando “foram aprovados os novos tarifários, aquilo que referimos é que havia um pequeno desagravamento no preço da água do primeiro escalão, podendo com isto saírem beneficiados os consumidores com menos consumos, uma medida que se destina a promover o uso eficiente da água”. Diz tratar-se de “uma questão de justiça” que a faturação seja dividida em escalões beneficiando quem consome menos e aponta que Vila Verde ainda é dos Municípios com menor custos de água.

Segundo dados de 2016 da ERSAR, um agregado familiar do concelho de Vila Verde paga em média 20,90€/mês com a gestão de água de abastecimento, recolha de lixo e saneamento. Em Amares paga 11,95€ enquanto em Terras de Bouro paga 3,76€. Em Braga, a média é de 22,22€ por agregado.

Já José Morais, em comunicado, refere que “constata-se hoje que a razão estava do lado dos vereadores do PS quando há uns meses alertaram para o facto de que o custo da fatura da da água, saneamento e recolha de lixo iria aumentar significativamente em 2019”, acusando a Câmara de faltar à verdade e “intoxicar na altura a opinião pública contra os vereadores do PS”.

“Perante estes factos entendemos que o presidente de câmara não é aos vereadores do PS que deve um pedido de desculpas por os desmentir e os tentar desacreditar publicamente num assunto em que afinal eles tinham razão. Mas entendemos que o presidente de câmara deve fazer um pedido público de desculpas aos vila-verdenses por lhes terem escondido a verdade e os ter tentado enganar, uma vez mais, com informação incorreta”, diz ainda José Morais.

Segundo dados de 2016 da ERSAR, um agregado familiar do concelho de Vila Verde paga em média 20,90€/mês com a gestão de água de abastecimento, recolha de lixo e saneamento. A DECO aponta que uma casa doméstica em Vila Verde gasta em média 262,80€ por ano com água, saneamento e lixo.

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