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Agricultores “desconfiam” do novo regadio de Cabanelas

Fernando André Silva

Foi hoje consignada a empreitada que vai construir um sistema de rega de 21 quilómetros para servir os agricultores de Soutelo, Prado e Cabanelas, em investimento total de oito milhões de euros financiado pelo Governo.

No entanto, alguns dos agricultores com terrenos na Veiga de Cabanelas não estão a ver “com bons olhos” o projeto apresentado, apontando falhas, nomeadamente a nível da pressão com que a água será bombeada, não achando a mesma suficiente.

Um dos agricultores, com 40 hectares de terreno na Veiga, explicou ao Semanário V que a pressão destas novas bombas será de 4 a 5 quilos, ao contrário do utilizado atualmente, de 8 a 9 quilos de pressão.

Explica o mesmo agricultor que não será possível ter pressão suficiente para a utilização do sistema de rega atual, que, diz, foi um investimento pessoal de 100 mil euros. Não crê, também, que o sistema “gota-a-gota” implementado por este novo regadio possa funcionar, dizendo mesmo que existe “um bicho” que habitualmente dá cabo das mangueiras que utilizam este sistema, e que isso poderá resultar numa pressão de água de apenas 1 quilo.

O Semanário V questionou Fernando Xavier, presidente da Junta de Agricultores de Cabanelas que será a entidade gestora deste novo regadio, sobre esta problemática, mas o mesmo refutou que seja um problema e apontou “normas europeias” para a redução da pressão no bombeamento de água.

“Isto não vai ser um problema, mas sim uma forma dos agricultores se adaptarem às novas regras, até porque essa exigência faz parte do Programa Nacional de Regadios e do novo quadro comunitário europeu”, adiantou, referindo ainda “contenção de gastos e um menor desperdício de água” com este novo sistema.

Já os agricultores desconfiam que seja possível adaptarem-se a este novo sistema, mas Fernando Xavier diz que “senão se adaptarem, alguém há-de adaptar-se por eles”. “Agora podem utilizar a rega deles mas quando o regadio estiver pronto de certeza que o vão utilizar. É que o custo associado à rega é muito elevado atualmente e com este sistema poderão economizar. Este é o segundo melhor sistema de rega da península ibérica, por isso não há muito que possam dizer contra. Há uma resistência mas é como em tudo na vida”, vincou.

Outra das questões dos agricultores passa pelo pagamento da água. Fernando Xavier explicou ao Semanário V que os consumidores/agricultores vão pagar a fatura à Junta de Agricultores, que é quem irá gerir o regadio.

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Jornalista