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Eurodeputados em conflito sobre quem trabalha mais

MEP Jose Manuel FERNANDES at the European Parliament in Brussels
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Depois de José Manuel Fernandes (PSD), de Vila Verde, ter sido eleito o eurodeputado português mais produtivo e assíduo, o eurodeputado Nuno Melo manifestou-se, com um pedido de direito de resposta ao jornal O MINHO e José Manuel Fernandes respondeu.

Os dados são do MEP Ranking, que analisa a prestação dos eurodeputados em quatro categorias: relatórios apresentados, declarações no parlamento, funções exercidas e assiduidade. Enquanto que José Manuel Fernandes se encontra na liderança, ocupando o 33.º lugar entre todos os eurodeputados do Parlamento Europeu, Nuno Melo ocupa um dos últimos lugares da lista.

Os resultados do ranking dizem que o social-democrata tem uma assiduidade de 98% em sessões plenárias e de 95% em votações nominais, além de ter realizado 811 discursos, feito 20 perguntas escritas, apresentado três moções, duas declarações, 14 emendas de relatórios e 932 explicações de voto.

Nuno Melo contestou o ranking, assegurando que tem “mais trabalho registado”. “Sabia que o MEP Ranking é uma fraude em democracia? Sabia que não é um site oficial? Sabia que os eurodeputados que paguem são favorecidos?”, questionou o vice-presidente do CDS. “Sabia que no ranking, eurodeputados com menos trabalho registado que eu em todos os critérios aparecem misteriosamente acima?”, voltou a insistir.

Nuno Melo afirmou, ainda, que José Manuel Fernandes apenas lidera no número de relatórios, porque “coordena uma comissão, atribuindo relatórios a si próprio”.

O político admite ter orgulho no seu trabalho e afirma que não admite que o seu esforço “seja assassinado através de fake news”, atirando que o título justo seria “Nuno Melo é o eurodeputado mais produtivo”.

Por outro lado, José Manuel Fernandes contra-ataca, afirmando que Nuno Melo usou o seu direito de resposta para “poder emitir publicamente uma série de mentiras e insinuações covardes”.

O político de Vila Verde acusa Nuno Melo de ter feito ataques pessoais e utilizado a “insinuação e a falsidade para disfarçar as suas conhecidas fragilidades”. “A insinuação torpe de pagamentos promocionais ultrapassa todos os limites e chega a ter relevância criminal”, declarou o eurodeputado no seu também direito de resposta, acrescentando que recusou divulgar o ranking e prestar declarações sobre ele.

José Manuel Fernandes acusou o vice-presidente do CDS de ter usado apenas itens que o valorizam a si próprio, afirmando que “a argumentação não é séria e omite os indicadores fundamentais. Não refere um único relacionado com a atividade por excelência de um deputado: a atividade legislativa! Omite porque não tem atividade legislativa!”

Explicou, ainda, a questão dos relatórios e das coordenações, assegurando que é coordenador porque foi eleito pelos seus pares, “por unanimidade e aclamação”. Diz, também, que “se Nuno Melo fosse coordenador e tivesse mais influência política e trabalho parlamentar do que eu, dava-lhe os parabéns. Essa é outra enorme diferença. Essa é a grande diferença!”, concluiu.

 

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Jornalista