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Foi há 20 anos. Coucieiro não esquece assassinato de três irmãs que nunca foi resolvido

José Sampaio e Manuel Silva © Luís Ribeiro / Semanário V
Fernando André Silva

Duas décadas passaram desde o horrendo crime que colocou a população da freguesia de Coucieiro, em Vila Verde, em sobressalto, quando três irmãs foram assassinadas dentro da casa onde funcionava uma tasquinha que exploravam na altura, entre Coucieiro e a freguesia de Sande.

Ester (70 anos), Rosa (71 anos) e Maria Olívia (65 anos) foram violentamente assassinadas à hora da missa, com recurso a faca e objetos de ferro, a 31 de janeiro de 1999, naquilo que muitos apontam como um alegado ato de vingança e cujo crime nunca foi solucionado.

Uma das irmãs, Ester, foi surpreendida na cama pelo(s) assassino(s), tendo morte imediata. Já as outras duas irmãs chegaram mais tarde, sendo surpreendidas ao entrar dentro da tasca que era também a habitação das três.

Foram mortas por um objeto de ferro, enquanto a irmã acamada foi vítima de, pelo menos, nove facadas, que lhe foram fatais. Rosa morreu no dia seguinte, no Hospital de Braga, enquanto María Olívia ainda resistiu vários dias em coma, acabando por perecer.

Suspeitos em concreto: nenhum. A Polícia Judiciária fez uma investigação mas não chegou a qualquer conclusão. Vários suspeitos foram interrogados mas sem qualquer pista que levasse ao(s) autor(es) do crime.

Traseiras da casa onde se deu o crime © Luís Ribeiro / Semanário V

Sem qualquer indício ou pista, o caso acabou por prescrever em 2014, podendo no entanto ser reaberto caso surjam novas evidências.

Segundo informações recolhidas junto da Polícia Judiciária de Braga, o caso está prescrito por nunca se ter encontrado qualquer indício que revelasse os autores do crime.

Segundo a PJ, na altura do crime, dezenas de populares acabaram por entrar dentro de casa das vítimas remexendo em vários utensílios, o que levou a interferências na altura de recolher provas.

Desconfianças, algumas. Chegaram a entrevistar vários suspeitos, mas não surgiu qualquer pista ou indício.

Segundo a mesma fonte, e apesar de estar prescrito, o caso poderá ser reaberto caso surja alguma nova evidência, mas será difícil de isso acontecer.

Habitação das três irmãs tinha uma mercearia / tasca por baixo © Luís Ribeiro / Semanário V

O Semanário V esteve naquela freguesia e falou com alguns dos vizinhos das três irmãs, que recordam o macabro incidente “como se fosse hoje”.

Luís Gama residia na habitação em frente à cena do crime, e foi quem alertou a GNR para o cenário macabro na porte em frente. Hoje, volvidos 20 anos, aponta alguma inércia aos investigadores da PJ que tomaram conta da investigação. O coucieirense diz mesmo que a investigação “não foi levada a sério”.

“Os inspetores andaram aqui durante algum tempo mas fiquei com a impressão que isto não foi levado muito a sério”, disse ao V. Luís Gama refuta mesmo que a cena do crime tenha sido modificada pelos populares que, face à curiosidade mórbida, acabaram por entrar dentro da residência antes da chegada das perícias.

“De facto vi que existia pegadas marcadas com sangue de andarem lá dentro, mas não me parece que as pessoas tenham mexido na arma do crime”, atira. Diz ainda que foram descobertos indícios ensanguentados nas traseiras da casa, uns dias depois do crime, mas que nem assim a PJ conseguiu descobrir fosse o que fosse.

José Sampaio e Manuel Silva © Luís Ribeiro / Semanário V

José Sampaio vivia 500 metros abaixo do cenário da tragédia. Conta que tinha levado a mulher e a filha, na altura com três anos de idade, à mercearia e regressou a casa, quando ouviu alguns gritos. “Pensei que tinha acontecido alguma coisa com a menina mas afinal foi aquela tragédia”. A mulher de Jose, Maria da Conceição, foi a primeira pessoa a entrar dentro da casa depois do crime, e foi quem encontrou os cadáveres.

Manuel Silva, na altura a residir em França, é um dos dez herdeiros da habitação que permanece desocupada desde a tragédia. Diz que foi “o crime perfeito”, uma vez que nunca foram encontrados culpados.

Sobre a investigação da judiciária, prefere não comentar. Diz, no entanto, que a casa permanece à venda há vários anos e que até já surgiram propostas, mas nenhuma pela qual os herdeiros quisessem fazer acordo.

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Fernando André Silva

Jornalista

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